A Klabin divulgou seu resultado do quarto trimestre de 2025 em meio a um cenário desafiador para o setor de celulose, com queda nos preços internacionais e impacto cambial.
No primeiro momento, o mercado reagiu positivamente. As ações chegaram a subir mais de 2% após a divulgação. Mas a reação imediata não é o ponto central. O que realmente importa é entender a qualidade do resultado. Apesar da forte queda no lucro, o desempenho operacional se manteve resiliente.
Lucro despenca, mas não conta toda a história
O lucro líquido caiu:
- 65% em relação ao 3T25
- 69% em relação ao 4T24
- Veio abaixo do consenso (R$ 168 milhões vs expectativa de R$ 284 milhões)
Em uma análise superficial, o número assusta. Porém, a Klabin é uma empresa altamente impactada por fatores financeiros, variação cambial, efeitos contábeis e ativos biológicos. Por isso, o lucro isolado não é o melhor indicador para avaliar sua operação.
Ebitda ajustado: o verdadeiro termômetro
Se há uma linha que merece destaque é o Ebitda ajustado.
- Veio praticamente em linha com as expectativas do mercado
- Ficou estável na comparação anual
- Recuou 13% frente ao 3T25
Esse recuo tem explicação clara:
Duas paradas programadas de manutenção no trimestre.
Essas paradas reduziram a produção, aumentaram custos pontuais e impactaram volumes, mas não indicam deterioração estrutural.
Produção e volumes: impacto temporário
Celulose
- Produção caiu 9% vs 4T24
- Queda de 14% vs 3T25
O principal motivo foi a manutenção.
Papéis
- Crescimento de 3%
- Ramp-up das máquinas MP27 e MP28
Volume total
- -2% vs 4T24
- -8% vs 3T25
Apesar da queda produtiva, o volume de vendas ficou relativamente estável, o que mostra eficiência comercial mesmo com menor capacidade operacional.
Receita pressionada por preços
A receita líquida caiu:
- 2% vs 4T24
- 5% vs 3T25
O principal fator foi o preço da celulose, especialmente fibra longa. A empresa não controla preços globais — eles seguem dinâmica internacional.
Mas há um ponto relevante:
Volume de vendas subiu 1% vs 4T24
Maior exposição ao mercado externo
Recuperação parcial na fibra curta
Ou seja, não houve colapso de demanda o cenário foi de ajuste de preços.
Custos sob controle (mesmo com pressão)
Apesar da pressão nos preços, a Klabin mostrou disciplina:
- Custo caixa total caiu 2% no ano
- Gastos com pessoal e serviços reduziram 9%
- CPV subiu apenas 7%
- Custos por tonelada cresceram apenas 2% no ano (abaixo da inflação)
Em um ambiente de preços mais fracos, manter custos sob controle é fundamental para preservar margens.
E isso foi feito.
Estratégia inteligente: monetização de ativos florestais
Um dos destaques do trimestre foi a monetização de ativos florestais via joint venture.
A Klabin:
- Criou uma JV com fundo TIMO
- Ficou com 57% da nova estrutura
- Recebeu recursos para desalavancagem
- Manteve contratos futuros de fornecimento de madeira
Essa estratégia:
Antecipou caixa
Reduziu risco
Preservou operação
Melhorou estrutura de capital
Dívida em queda
A dívida líquida caiu:
- De R$ 26,97 bi para R$ 25,32 bi no trimestre
- Forte redução na dívida em reais
- Redução relevante também na dívida em dólar
Resultado financeiro:
- 4T24: -R$ 884 milhões
- 4T25: -R$ 707 milhões
Menor alavancagem reduz volatilidade e melhora percepção de risco.
Dividendos: o que esperar agora?
Em 15/12/2025, a empresa antecipou parte relevante dos dividendos devido à nova tributação prevista para 2026.
Previsão de dividendos (exercício 2026):
- R$ 1,12 por ação
- Dividend Yield estimado: 5,58%
Importante: parte relevante já foi paga antecipadamente, então o fluxo de 2026 será menor do que aparenta.
A Klabin ainda está em ciclo de investimento e desalavancagem, o que naturalmente limita distribuição mais agressiva neste momento.
Foi um bom resultado?
Sim, dentro do contexto.
O lucro caiu? Sim.
Mas por fatores operacionais pontuais e efeitos financeiros.
O que realmente importa:
Ebitda resiliente
Custos controlados
Dívida reduzida
Estratégia de capital bem executada
Operação preservada
Não há deterioração estrutural.
O trimestre mostra uma empresa ajustando estrutura financeira enquanto atravessa ciclo mais fraco de preços — algo comum no setor de commodities.
Para o investidor de longo prazo, o resultado reforça solidez operacional e disciplina financeira.
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