O Itaú Unibanco (ITUB4) voltou a entregar números robustos no segundo trimestre de 2026. O banco registrou resultado recorrente gerencial de R$ 12,407 bilhões, avanço de 7,8% sobre os R$ 11,508 bilhões de um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre, quando havia lucrado R$ 12,282 bilhões, a alta foi de 1%.
Os números ajudam a explicar por que o Itaú segue entre as instituições financeiras de maior rentabilidade do mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, alguns detalhes do balanço merecem atenção de quem avalia comprar ITUB4, especialmente a origem do crescimento do lucro e a política de distribuição de capital.
Itaú mantém ROE acima de 24%
O retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido médio anualizado, o ROE, ficou em 24,3%, contra 23,3% no segundo trimestre de 2025. Apesar da melhora anual, houve pequena redução frente aos 24,8% registrados no primeiro trimestre deste ano.
Os principais indicadores ficaram assim:
| Indicador | 2T26 | 1T26 | 2T25 |
|---|---|---|---|
| Resultado recorrente | R$ 12,41 bi | R$ 12,28 bi | R$ 11,51 bi |
| ROE | 24,3% | 24,8% | 23,3% |
| Carteira de crédito | R$ 1,522 tri | R$ 1,483 tri | R$ 1,389 tri |
| Inadimplência acima de 90 dias | 1,9% | 1,9% | 1,9% |
No primeiro semestre, o resultado recorrente acumulou R$ 24,689 bilhões, crescimento de 9,1% em relação ao mesmo período de 2025.
Carteira de crédito ultrapassa R$ 1,5 trilhão
Outro ponto importante foi o avanço do crédito. A carteira chegou a R$ 1,522 trilhão, crescimento de 2,7% no trimestre e de 9,6% em 12 meses.
Entre pessoas físicas, o crédito imobiliário avançou 3,9% no trimestre e o consignado cresceu 3,5%. No consignado privado, a expansão alcançou expressivos 14,3%. Mesmo com o aumento das concessões, a inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo.
Esse equilíbrio entre crescimento e qualidade da carteira é particularmente relevante para bancos: expandir crédito aumenta receitas potenciais, mas só cria valor quando o risco de inadimplência permanece controlado.
De onde veio o crescimento do lucro?
Uma leitura mais detalhada do resultado mostra outro aspecto interessante. Segundo a análise utilizada como base para esta matéria, os negócios de varejo e atacado tiveram pouca variação de lucro entre o primeiro e o segundo trimestre, enquanto atividades de mercado e corporativas contribuíram de maneira mais relevante para o avanço trimestral do resultado.
Isso sugere que o crescimento marginal do lucro no trimestre não dependeu apenas da expansão do crédito tradicional. Operações relacionadas à tesouraria, margem financeira com mercado e gestão de capital também tiveram importância.
A margem financeira com clientes, por sua vez, aumentou 3,3% no trimestre, beneficiada pela expansão da carteira e pelo maior número de dias corridos no período.
Custos continuam sob controle
As despesas não decorrentes de juros chegaram a R$ 16,7 bilhões, alta de 3,3% frente ao trimestre anterior.
Apesar disso, o índice de eficiência da operação brasileira ficou em 35,5%, mostrando que o banco continua convertendo uma parcela elevada das receitas em resultado. O índice de capital principal CET1 terminou junho em 12,3%, indicando uma posição confortável de capitalização.
O Itaú também revisou a projeção para receitas de serviços e seguros em 2026. Agora espera expansão entre 2% e 5%, principalmente diante da volatilidade maior do mercado de capitais. As demais projeções foram mantidas.
ITUB4 ainda vale a pena?
Os fundamentos permanecem fortes: lucro crescente, ROE superior a 24%, carteira acima de R$ 1,5 trilhão, inadimplência historicamente baixa e elevada eficiência operacional.
Para quem analisa ITUB4, porém, apenas bons resultados não determinam se a ação está barata. O preço pago pelas ações, múltiplos como preço/lucro e preço/valor patrimonial, expectativas para dividendos e evolução do custo de crédito precisam entrar na conta.
Portanto, o balanço do segundo trimestre reforça a qualidade operacional do Itaú, mas a decisão de compra dependerá principalmente da avaliação da ação em Bolsa e da margem de segurança disponível ao investidor.
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