O Itaú Unibanco encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultado recorrente gerencial de R$ 12,407 bilhões, alta de 7,8% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 1% sobre o trimestre anterior. Os números reforçam a rentabilidade do banco, mas vieram acompanhados de um ponto de cautela: a redução da projeção anual para receitas de serviços e seguros.
Para quem acompanha ITUB4, o balanço combina crescimento da carteira de crédito, inadimplência controlada e retorno elevado sobre o patrimônio. Ao mesmo tempo, a revisão do guidance mostra que nem todas as linhas de receita avançam no ritmo inicialmente esperado, segundo a apresentação de resultados do Itaú no 2T26.
Resultado do Itaú cresce 7,8% em um ano
O resultado recorrente gerencial passou de R$ 11,508 bilhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 12,407 bilhões no 2T26. No primeiro semestre de 2026, o indicador alcançou R$ 24,689 bilhões, crescimento de 9,1% na comparação anual.
Esse indicador é uma medida ajustada utilizada pelo banco para mostrar o desempenho recorrente das operações. Por isso, deve ser lido de acordo com a metodologia apresentada pela própria companhia e não confundido automaticamente com receita, geração de caixa ou valor disponível para dividendos.
O retorno recorrente gerencial sobre o patrimônio líquido médio, o ROE, ficou em 24,3% no consolidado e em 25,7% nas operações brasileiras. O indicador mede quanto resultado o banco gera em relação ao seu patrimônio médio.
Um cuidado importante: ROE de 24,3% não significa que o acionista recebeu retorno de 24,3% sobre o dinheiro aplicado em ITUB4. A rentabilidade efetiva do investidor depende do preço pago pelas ações, da variação da cotação e dos proventos recebidos.
Principais números do balanço de ITUB4
| Indicador | Dado do 2T26 | Comparação | Por que importa |
|---|---|---|---|
| Resultado recorrente gerencial | R$ 12,407 bilhões | +1% no trimestre e +7,8% em um ano | Mostra avanço do desempenho recorrente |
| ROE recorrente gerencial | 24,3% | Consolidado | Indica elevada rentabilidade sobre o patrimônio médio |
| Carteira de crédito | R$ 1,522 trilhão | +2,7% no trimestre e +9,6% em um ano | Sustenta receitas, mas amplia a necessidade de controle de risco |
| Margem financeira com clientes | R$ 32,557 bilhões | +3,3% no trimestre e +5,1% em um ano | Reflete o resultado das operações com clientes |
| Inadimplência acima de 90 dias | 1,9% | Estável no trimestre | Ajuda a medir a qualidade da carteira de crédito |
| Custo do crédito | R$ 10,139 bilhões | +1,9% no trimestre e +7,4% em um ano | Exige acompanhamento porque reduz parte do ganho da expansão da carteira |
| Guidance de serviços e seguros | Crescimento de 2% a 5% em 2026 | Antes, a faixa era de 5% a 9% | É o principal ponto de cautela do balanço |
Crédito cresce sem piora do indicador agregado de inadimplência
A carteira de crédito consolidada chegou a R$ 1,522 trilhão em junho, com crescimento de 2,7% sobre março e de 9,6% em 12 meses. No Brasil, a expansão foi de 2,6% no trimestre e também de 9,6% em um ano.
O avanço da carteira contribuiu para a margem financeira com clientes, que atingiu R$ 32,557 bilhões. Segundo o banco, o crescimento trimestral dessa linha foi impulsionado pelo maior volume médio de crédito, pelo efeito do calendário e pela margem com passivos.
Na qualidade do crédito, a inadimplência consolidada acima de 90 dias permaneceu em 1,9%. Já o índice de atrasos entre 15 e 90 dias subiu 0,1 ponto percentual, para 1,8%. O relatório gerencial do Itaú também mostra aumento de 0,1 ponto percentual na inadimplência de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas acima de 90 dias.
O movimento não representa, por si só, uma deterioração ampla da carteira, mas merece monitoramento. A expansão do crédito costuma elevar receitas e, ao mesmo tempo, aumentar a exposição do banco a atrasos e perdas futuras.
Custo do crédito sobe para R$ 10,1 bilhões
O custo do crédito alcançou R$ 10,139 bilhões no trimestre, alta de 1,9% sobre o 1T26 e de 7,4% em relação ao 2T25. O banco atribuiu o aumento trimestral principalmente ao crescimento das operações com empresas no varejo brasileiro e à dinâmica da inadimplência na América Latina.
Apesar do avanço nominal, a relação entre custo do crédito e carteira média permaneceu estável em 2,7%. Isso indica que a despesa cresceu em linha com o tamanho da operação, mas não elimina o risco de pressão nos próximos trimestres.
Para o investidor, a combinação entre crescimento da carteira, atrasos de curto prazo e custo do crédito é uma das leituras mais importantes. Se a inadimplência subir de forma persistente, o banco poderá precisar reforçar provisões, o que tende a limitar o crescimento do resultado.
Itaú reduz projeção para serviços e seguros
O principal sinal de cautela veio do guidance, nome dado às projeções divulgadas pela administração. O Itaú reduziu a faixa esperada de crescimento das receitas de comissões, tarifas e seguros em 2026: a previsão anterior, de 5% a 9%, passou para 2% a 5%.
No segundo trimestre, comissões, tarifas e resultado de seguros somaram R$ 14,1 bilhões, avanço de apenas 0,4% sobre os três meses anteriores. No acumulado do primeiro semestre, houve crescimento de 4,4% sobre igual período de 2025.
As demais faixas do guidance anual foram mantidas. Ainda assim, projeções não são garantias e podem ser alteradas conforme o comportamento do crédito, da economia, dos juros, dos custos e das diferentes linhas de negócios.
Despesas e eficiência também entram no radar
As despesas não decorrentes de juros totalizaram R$ 16,728 bilhões, aumento de 3,3% no trimestre e de 3,1% em um ano. O índice de eficiência ficou em 37,4% no consolidado e em 35,5% no Brasil.
Nesse indicador, percentuais menores costumam representar maior eficiência, porque mostram quanto o banco gasta para gerar receita. A leitura, porém, deve considerar investimentos em tecnologia, expansão das operações e efeitos sazonais entre os trimestres.
O balanço resolve a decisão sobre ITUB4 no longo prazo?
O resultado do 2T26 reforça pontos operacionais relevantes do Itaú: rentabilidade elevada, expansão da carteira e inadimplência agregada estável. Mas um trimestre isolado não determina se ITUB4 está barata, cara ou adequada para todos os investidores.
Qualidade da empresa e atratividade da ação são análises diferentes. Mesmo uma companhia lucrativa pode oferecer retorno abaixo do esperado quando a ação é comprada por um preço que já incorpora expectativas muito otimistas. Da mesma forma, uma ação pode cair após um balanço positivo se o mercado esperava números ainda maiores ou se uma projeção futura decepciona.
No longo prazo, a avaliação de ITUB4 passa pela capacidade de manter o ROE, controlar a inadimplência, crescer sem elevar excessivamente o custo do crédito, preservar capital e converter resultados em distribuição de proventos. Também exige comparar o preço da ação com os lucros esperados, o patrimônio e os riscos do negócio.
Resultado forte não garante dividendos maiores
O Itaú mantém histórico de pagamentos mensais e complementares aos acionistas, mas o resultado trimestral não se transforma automaticamente em dividendos ou juros sobre capital próprio.
A política de remuneração aos acionistas do Itaú considera fatores como capitalização, lucratividade, crescimento esperado dos negócios, recompras, aquisições e mudanças regulatórias ou fiscais. Pagamentos complementares dependem de deliberação do Conselho de Administração.
Por isso, o investidor não deve projetar o rendimento futuro apenas com base nos proventos dos últimos 12 meses. Valores, datas e forma de distribuição dependem das decisões formais da companhia e das condições financeiras futuras.
O QUE OBSERVAR AGORA
Principal ponto de atenção: a capacidade do Itaú de cumprir a nova faixa de crescimento de 2% a 5% para receitas de serviços e seguros sem perder eficiência operacional.
Risco ou limitação: a expansão da carteira pode elevar atrasos, provisões e custo do crédito, enquanto um preço que já incorpore expectativas elevadas pode limitar o retorno mesmo com bons resultados do banco.
Próximo dado importante: o resultado do terceiro trimestre de 2026 e eventuais atualizações do guidance anual, especialmente para inadimplência, custo do crédito, serviços e seguros.
O balanço do 2T26 sustenta uma leitura positiva sobre a operação do Itaú, mas não elimina os riscos. A revisão para baixo de uma das projeções impede uma avaliação sem ressalvas e reforça que o acompanhamento de ITUB4 deve ir além do lucro: qualidade do crédito, custos, capital, preço da ação e política de dividendos continuarão determinantes.
Aviso: este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e jornalístico. Não representa recomendação de compra, venda ou manutenção de ações, FIIs, títulos públicos, títulos privados, criptomoedas ou qualquer outro ativo financeiro. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos, os riscos envolvidos e consulte profissionais autorizados, se necessário.
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