A Itaúsa voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após divulgar um lucro recorrente de R$ 4,1 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 6% na comparação anual. O desempenho contribuiu diretamente para puxar o Ibovespa, com forte valorização das ações ITSA4, que seguem acumulando ganhos expressivos em 2025.
Segundo o Banco Safra, o momento é considerado “excepcional” para a holding, que negocia com um desconto de holding de 25%, muito acima da média histórica e descrito pelos analistas como “exagerado”. Na visão da instituição, essa distorção abre uma oportunidade rara de compra, com projeção de valorização potencial de até 28%, elevando o preço-alvo para R$ 15 por ação.
Lucro recorde impulsiona interesse do mercado
O resultado robusto da Itaúsa veio principalmente do desempenho do Banco Itaú, sua principal participação. O banco registrou ROE acima de 23%, número considerado referência no setor e bastante superior aos concorrentes, reforçando o fluxo de caixa da holding.
Com isso, a Itaúsa já distribuiu R$ 3 bilhões em dividendos nos primeiros nove meses do ano, aumento de 12% frente ao período anterior. O dividend yield anualizado está em 8,9%, um dos maiores entre as holdings listadas na Bolsa.
A valorização das ações também impressiona: ITSA4 acumula alta de 35,77% em 12 meses, com múltiplos ainda considerados atrativos. O preço/lucro atual é de 8,30, abaixo da média do setor e distante do teto de valuation considerado saudável para empresas de qualidade.
Safra prevê surpresa positiva: dividendos extraordinários bilionários ainda em dezembro
Um dos pontos que mais animou os investidores foi o relatório do Banco Safra apontando que a Itaú e, consequentemente, a Itaúsa podem antecipar dividendos extraordinários antes da nova regra de taxação de dividendos mensais, que entra em vigor em janeiro.
O Safra projeta um pagamento recorde de R$ 22,5 bilhões em dividendos extraordinários, cifra muito superior aos R$ 15 bilhões distribuídos em 2024. A parcela destinada à Itaúsa pode atingir R$ 8,4 bilhões, o que elevaria o yield implícito para 6,5%.
Segundo os analistas, seria um “gatilho tributário” capaz de destravar enorme valor para os acionistas.
Desconto de holding em nível raro: ação vale mais do que o mercado precifica
A diferença entre o valor de mercado da Itaúsa e o valor efetivo de seus ativos principalmente sua fatia no Itaú chega a 25%, muito acima da média histórica.
Na prática, é como se o mercado estivesse oferecendo um ativo de R$ 100 por apenas R$ 75. Isso reforça a visão de que a holding está descontada mesmo após a forte alta do papel.
O preço justo estimado pela fórmula de Benjamin Graham aponta para R$ 16,56, o que representaria uma valorização potencial acima de 37%.
Análise técnica confirma tendência firme de alta
No gráfico semanal, a tendência de ITSA4 é claramente ascendente. Desde março de 2023, a ação mantém topos e fundos cada vez mais altos, demonstrando força compradora contínua.
A única região que poderia ameaçar a tendência de alta é a perda do suporte em R$ 10,88, o que, segundo analistas, tem baixa probabilidade de ocorrer no cenário atual.
Recomendações das casas de análise
Além do Safra, a Genial Investimentos também reforçou a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 12,13, ainda que mais conservador. O mercado segue dividido entre quem enxerga a ação “barata” e quem espera realização após altas sucessivas, mas o consenso aponta para fundamentos sólidos.
Dividendos sintéticos e estratégia para investidores
A Itaúsa também é apontada como um dos melhores papéis da Bolsa para estratégias de dividendos sintéticos, dado seu comportamento previsível, estabilidade e recorrência histórica de pagamentos inclusive os tradicionais anúncios de dezembro.
A expectativa é de que a holding mantenha sua política de aumentar os repasses conforme a lucratividade do Itaú cresce.
Itaúsa vive um dos momentos mais fortes dos últimos anos
Com lucro recorde, desconto histórico, projeção de dividendos extraordinários e tendências técnicas favoráveis, a Itaúsa se consolida como uma das protagonistas do mercado em 2025.
Caso as projeções do Safra se confirmem, o papel pode entregar alta de até 28%, além de yields atrativos e potencial destravamento de valor em breve.
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