O Itaú encerrou 2025 com um desempenho que chamou a atenção do mercado. O banco registrou lucro líquido recorrente acima de R$ 45 bilhões no acumulado do ano, impulsionado por um quarto trimestre especialmente forte. No 4T25, o lucro avançou cerca de 3,7% frente ao trimestre anterior e aproximadamente 13% na comparação anual, reforçando a trajetória de crescimento consistente da instituição.
Esse resultado ajudou a sustentar a valorização das ações ao longo dos últimos anos. Apenas considerando o comportamento da cotação nos últimos cinco anos, o papel acumulou alta próxima de 88%, um movimento contínuo, sem grandes quedas abruptas, típico de empresas consideradas “premium” na Bolsa brasileira.
Recompra de ações sinaliza confiança da administração
Um dos fatos relevantes mais relevantes divulgados no início de 2026 foi a aprovação de um novo programa de recompra de ações. O Itaú autorizou a aquisição de até 200 milhões de ações preferenciais de emissão própria, sem redução do capital social, com vigência entre 4 de fevereiro de 2026 e 4 de agosto de 2027.
A recompra sucede o encerramento antecipado do programa anterior, que estava em vigor desde fevereiro de 2025. Historicamente, o banco utiliza esse tipo de iniciativa quando entende que o preço de mercado não reflete totalmente o valor do negócio, reduzindo ações em circulação e aumentando o retorno por ação no longo prazo. Para investidores, o movimento costuma ser interpretado como um sinal de confiança da administração na própria geração de resultados.
Juro sobre capital próprio reforça remuneração ao acionista
Além da recompra, o Itaú confirmou o pagamento de juro sobre capital próprio (JCP) referente a 2025. O valor bruto anunciado foi de R$ 0,36 por ação, equivalente a aproximadamente R$ 0,31 líquidos após impostos, com pagamento programado para março de 2026.
A data-base para ter direito ao provento foi dezembro de 2025, e as ações passaram a ser negociadas “ex-direitos” no dia 10 daquele mês. Mesmo não representando um dividend yield elevado isoladamente, o JCP reforça a característica do banco de remunerar acionistas de forma recorrente, com pagamentos frequentes ao longo do ano.
Carteira de crédito cresce com inadimplência sob controle
O crescimento do lucro do Itaú está diretamente ligado à expansão da carteira de crédito, que alcançou aproximadamente R$ 1,4 trilhão ao final de 2025, com alta em torno de 6% no período. O destaque ficou para o segmento de pessoa física, especialmente crédito ao consumo e cartão de crédito, além do consignado privado, que apresentou crescimento expressivo próximo de 35%.
No segmento de micro, pequenas e médias empresas, a carteira avançou cerca de 8,7%, enquanto o crédito para grandes empresas cresceu em torno de 5,2%. Apesar da expansão, a inadimplência permaneceu baixa. O índice de NPL acima de 90 dias ficou próximo de 1,9% da carteira total, um dos menores entre os grandes bancos do país.
Esse controle do risco de crédito permite menores provisões, preservando margens e contribuindo para a rentabilidade elevada.
Eficiência operacional em melhora contínua
Outro ponto que sustenta a percepção positiva do mercado é a evolução do índice de eficiência. O indicador caiu para a casa de 38,9% em 2025, uma melhora relevante em relação aos níveis observados nos anos anteriores, quando superava 47%.
Na prática, isso significa que o banco consegue gerar mais receita gastando proporcionalmente menos, ampliando a margem operacional. Quanto menor esse índice, maior tende a ser a capacidade de transformar receita em lucro.
ROE elevado e guidance otimista para 2026
O retorno sobre o patrimônio (ROE) do Itaú alcançou cerca de 24,4%, um patamar elevado mesmo para padrões internacionais. Para 2026, o guidance divulgado indica continuidade do crescimento, com projeção de expansão da carteira de crédito entre aproximadamente 5,5% e 9,5%, além de avanço da margem financeira em ritmo semelhante.
O custo de crédito projetado permanece controlado, sugerindo que a administração espera manter a inadimplência em níveis saudáveis mesmo com o aumento da oferta de crédito. Esse conjunto de projeções ajuda a explicar por que o mercado segue precificando o banco a múltiplos mais altos que a média do setor.
Ação cara ou banco premium?
Com preço/lucro em torno de 10 vezes, o Itaú é frequentemente visto como um ativo de qualidade elevada, porém negociado sem grandes descontos. Diferentemente de bancos que enfrentam maior volatilidade ou riscos específicos, o Itaú tende a oscilar menos e dificilmente oferece quedas acentuadas de curto prazo.
Essa característica leva parte dos investidores a questionar se ainda vale a pena comprar o papel após a forte valorização. O consenso do mercado é que, enquanto o banco continuar entregando crescimento de lucro, controle de inadimplência e eficiência operacional, dificilmente haverá uma desvalorização relevante sem um choque macroeconômico mais amplo.
Itaú ou Itaúsa: comparação inevitável
Diante da precificação mais elevada do banco, muitos investidores passam a olhar para a Itaúsa, holding que concentra cerca de 95% de seus resultados no próprio Itaú, além de participações em outras empresas. Em geral, a holding costuma negociar com múltiplos mais baixos, oferecendo um desconto estrutural em relação ao ativo principal.
Embora o retorno histórico do Itaú tenha sido superior, a Itaúsa também apresentou desempenho expressivo no longo prazo, superando com folga indicadores como o CDI. Para quem busca exposição ao banco com preço um pouco mais atrativo e dividendos relativamente maiores, a holding surge como alternativa.
Visão para 2026
O cenário para 2026 indica continuidade do ciclo positivo. Lucro robusto, recompra de ações, pagamentos recorrentes de proventos e guidance de crescimento sustentam a percepção de que o Itaú segue como um dos ativos mais sólidos do setor financeiro brasileiro.
Ainda que a ação não esteja barata sob métricas tradicionais de dividendos passados, o mercado parece disposto a pagar um prêmio pela previsibilidade e pela qualidade dos resultados. Para o investidor, a principal reflexão passa a ser o papel do Itaú dentro da carteira: menos volatilidade e mais segurança, em troca de menor chance de grandes barganhas de preço.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






