A Irani Papel e Embalagem (RANI3) divulgou seu balanço referente ao terceiro trimestre de 2025, evidenciando um avanço expressivo em seus principais indicadores financeiros. A companhia registrou receita líquida de R$ 433 milhões, crescimento de quase 5% em relação ao trimestre anterior, e lucro líquido ajustado de R$ 146,4 milhões, o que representa margem de 33% — um dos melhores desempenhos recentes.
Além disso, o EBITDA atingiu R$ 150 milhões, com alta próxima de 15%, impulsionado pela elevação no preço médio dos produtos e pelo controle de custos, especialmente após a queda de 7% no preço das aparas, principal matéria-prima da empresa.
Rentabilidade supera expectativas e alavancagem recua
A empresa também apresentou evolução no ROIC (retorno sobre o capital investido), que subiu para 13%, ante 10–11% no período anterior, refletindo o ganho operacional e o crescimento no fluxo de caixa.
A alavancagem financeira caiu de 2,3x para 2,06x, resultado do aumento do caixa (R$ 681 milhões) e da redução da dívida líquida para R$ 1,07 bilhão.
Outro destaque é o baixo custo médio da dívida, em 13,4% ao ano, equivalente a CDI + 0,1%, bem inferior ao padrão de mercado (CDI + 1% a 2%). Esse diferencial amplia a capacidade de geração de valor aos acionistas, mesmo em um cenário de juros elevados.
Margens em alta e foco em rentabilidade sobre volume
No segmento de embalagens sustentáveis, que responde por 60% a 70% da receita, a Irani manteve sua estratégia de priorizar margens em detrimento de volume. Embora o volume de vendas tenha recuado 8% ano a ano, o preço médio de venda do papelão ondulado subiu 14% em 12 meses, o que compensou o menor volume e elevou a margem bruta para 34%.
A empresa reforçou que essa política de rentabilidade visa proteger o valor para o acionista, mesmo com perda pontual de participação de mercado.
Fluxo de caixa livre recorde e dividendos consistentes
O fluxo de caixa livre ajustado atingiu R$ 100 milhões no 3T25 e R$ 355 milhões nos últimos 12 meses, novo recorde histórico.
Com base nesse desempenho, a Irani apresenta um free cash flow yield de 18,5%, o maior desde 2021, superando pares como Klabin e Suzano.
Nos últimos 12 meses, a empresa destinou R$ 169 milhões a dividendos e recompras, representando 47% do fluxo de caixa livre e um yield combinado de 8,8% — podendo ultrapassar 12,2% ao incluir o efeito das recompras.
Programa de recompra e distribuição de proventos
A Irani cancelou 9,3 milhões de ações recompradas e lançou um novo programa para adquirir até 9,8 milhões de papéis (equivalente a 4,2% do total).
No campo dos dividendos, a empresa anunciou R$ 0,04 por ação referentes a 25% do lucro do 3T25, mas a expectativa é de um pagamento expressivo em abril de 2026, quando será distribuído o montante anual consolidado — tradicionalmente o mais elevado.
Projeções indicam dividend yield acima de 9% em 2025
Para o exercício de 2025, a projeção de lucro é de R$ 265 milhões, o que implica um P/L de apenas 7x, cerca de 20% abaixo da média histórica.
Com payout de 50%, o potencial de dividendos é de R$ 0,60 por ação (7% yield), podendo chegar a 9% ao incluir recompras.
Até o momento, a empresa já pagou R$ 0,17 por ação em proventos relativos a 2025 e deve acrescentar R$ 0,42 entre novembro/25 e abril/26, totalizando quase 5% de yield apenas nesse período.
Irani mantém atratividade mesmo após alta de 50% nas ações
Mesmo com a valorização de quase 50% das ações em 2025, a Irani continua sendo uma das companhias mais atrativas do setor, combinando baixo endividamento, margens crescentes e elevada geração de caixa.
Com projeções robustas e um dividend yield estimado entre 7% e 9%, a empresa reforça sua posição como uma alternativa sólida e previsível na Bolsa, especialmente para investidores que buscam renda passiva e valorização de longo prazo.
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