A quarta-feira, 5 de novembro de 2025, começou com o mercado financeiro em ebulição. O pregão já foi influenciado por uma enxurrada de balanços do terceiro trimestre, dados econômicos e dividendos anunciados por grandes companhias. O destaque fica para a CSN Mineração (CMIN3), que registrou lucro de R$ 696 milhões no 3T25, e para a Klabin (KLBN11), que mesmo com queda de 34% no lucro líquido surpreendeu positivamente o mercado com crescimento na geração de caixa e anúncio de dividendos.
O minério de ferro, que chegou a cair 1,5% na China, mostra recuperação nesta manhã, sustentando as mineradoras. O clima é de otimismo cauteloso: investidores monitoram o discurso do ministro Fernando Haddad sobre a taxa Selic, que deve ser mantida em 15%, e a fala do presidente Lula, que reafirmou o apoio à exploração de petróleo na Margem Equatorial.
CSN Mineração: lucro sólido e dividendos modestos
A CSN Mineração reportou lucro de R$ 696 milhões, impulsionado por recordes de produção e vendas — 12 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre. Apesar do impacto cambial que limitou o lucro, a geração de caixa subiu 50%, alcançando R$ 1,9 bilhão.
O ponto negativo foi a distribuição de R$ 0,15 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio, abaixo das expectativas. Mesmo assim, a mineradora já soma R$ 0,40 pagos em proventos em 2025, mantendo payout acima de 80%.
A data com é 7 de novembro, com pagamento previsto para 19 de novembro, o que mantém o papel no radar de quem busca dividendos consistentes e exposição ao setor de commodities.
Klabin surpreende após queda no lucro e distribui dividendos
A Klabin apresentou queda de 34% no lucro, mas o mercado reagiu bem ao forte desempenho operacional. A geração de caixa ajustada (Ebitda) alcançou R$ 2,1 bilhões, acima do esperado, e a empresa anunciou R$ 0,05 por ação em dividendos — data com em 7/11 e pagamento em 19/11.
O resultado foi interpretado como positivo, e as ações subiram cerca de 3% após a divulgação. A Klabin segue vista como uma companhia perene e sólida, com foco em crescimento sustentável e política de dividendos estável.
Banco do Brasil e Itaú lideram o setor financeiro com lucros robustos
O Banco do Brasil (BBAS3) opera próximo aos R$ 22,70, testando região de resistência. Caso rompa esse nível, analistas projetam alvo em R$ 25. O resultado da subsidiária BB Seguridade (BBSE3) ajudou na valorização, embora executivos indiquem que 2026 poderá ser um ano mais desafiador em termos de lucros.
Já o Itaú Unibanco (ITUB4) apresentou lucro de quase R$ 12 bilhões, avanço na margem financeira e estabilidade na inadimplência, além de excesso de capital que pode resultar em recompra de ações e novos dividendos até o fim do ano. A controladora Itaúsa (ITSA4) também registrou valorização, impulsionada pela expectativa de distribuição adicional de proventos.
Dividendos e “datas com” em destaque
O dia é importante para investidores de dividendos. Confira as principais empresas com direito a proventos nesta semana:
Equatorial (EQTL3): R$ 0,80 por ação (data com 5/11);
Ferbasa (FESA4): R$ 0,55 por ação, com alvo técnico em R$ 7,20;
Irani (RANI3): R$ 0,04 por ação (data com 10/11, pagamento 25/11);
Banco BMG (BMGB4): R$ 0,08 por ação (data com 11/11, pagamento 25/11);
Tegma (TGMA3): R$ 0,97 por ação (data com 6/11), com retorno próximo de 3%.
Essas oportunidades reforçam o foco dos investidores em renda passiva num ambiente de juros elevados.
Destaques corporativos e fatos relevantes
Outros fatos movimentam a Bolsa nesta quarta:
Copel (CPLE6) inicia o processo de conversão para units (CPLE11), encerrando negociações das preferenciais em 7/11;
Kepler Weber (KEPL3) entra no radar após proposta da Bunge para combinação de negócios, que pode incluir fusão ou aquisição parcial;
Azevedo & Travassos (AZEV4) obteve redução de 40% na dívida com a União, fato considerado altamente positivo;
Fleury (FLRY3) segue em expansão e adquiriu o laboratório FEM – Laboratório da Mulher, em São Paulo, reforçando a estratégia de consolidação;
Petrobras (PETR4) mantém foco na Margem Equatorial com apoio do governo federal, e o presidente Lula declarou que a exploração será “cuidadosa, mas necessária”.
Panorama internacional e comportamento das commodities
No exterior, o investidor Michael Burry — famoso por prever a crise de 2008 — comprou opções de venda de Nvidia e Palantir, apostando em uma correção do mercado americano. Mesmo assim, as ações dessas companhias acumulam altas superiores a 100% em 2025.
O minério de ferro é negociado próximo de US$ 108, após leve correção, e o açúcar e o etanol seguem em queda, afetando empresas como Raízen (RAIZ4) e Cosan (CSAN3).
Expectativas para a Selic e humor do mercado
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) será divulgada ao fim do pregão. A maioria do mercado aposta em manutenção da taxa Selic em 15%, com 98% de probabilidade segundo o Focus.
Apesar da estabilidade, o índice de otimismo e pânico indica mercado confiante, e os investidores estrangeiros seguem comprando Bolsa, enquanto pessoas físicas realizam lucros.
O Ibovespa opera acima de 150 mil pontos, sustentado por commodities e bancos, com viés positivo para o fechamento da semana.
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