O Grupo Mateus (GMAT3), gigante do varejo alimentício e um dos maiores players de atacarejo e supermercados do país, vem chamando a atenção do mercado por um motivo curioso: enquanto suas ações acumulam quedas consistentes em 2024 e 2025, seus resultados seguem crescendo em ritmo agressivo.
Mesmo em um ano de forte pressão no setor varejista, aumento das taxas de juros e deterioração do consumo, a companhia dobrou seu lucro em três anos, expandiu margens, manteve alavancagem baixa e anunciou dividendos para 19 de novembro, com pagamento em 30 de dezembro.
O mercado puniu o preço, mas os fundamentos seguem intocados — e isso abre uma assimetria rara.
Grupo Mateus vai muito além do atacarejo: uma “indústria de alimentos” regional
Diferente de rivais como Assaí (ASAI3), o Grupo Mateus não depende apenas de atacarejo. Ele opera:
| Segmento | Descrição |
|---|---|
| Mix Mateus | Atacarejo (equivalente ao Assaí) |
| Supermercados & Minimercados | Formato de varejo tradicional com marca própria |
| Lojas especializadas | Eletrodomésticos, padaria, armazéns e produtos específicos |
| Centros de distribuição (18 unidades) | Forte logística integrada |
| Indústria própria de panificação (Bumba) | Produção e distribuição de produtos de marca |
| E-commerce em expansão | Crescimento contínuo no omnichannel |
Isso transforma o Grupo Mateus em um modelo híbrido: varejo + logística + indústria.
Lucro cresce, dívida não avança e setor é defensivo
Mesmo com juros altos — que pressionam o varejo — o Grupo Mateus segue contrariando o cenário:
Lucro saltou de R$ 1 bi (2022) para estimados R$ 1,9 a R$ 2 bi em 2025
Alavancagem estável: 0,50x Dívida Líquida/EBITDA
Fluxo de caixa livre positivo
Custo financeiro cresce, mas não compromete expansão
Margens saudáveis, mesmo em setor de margem baixa (4% a 5%)
É um case de crescimento com características de setor defensivo, especialmente em cenários de inflação e queda de poder de compra.
Ações caem, mas valuation atinge níveis raros
Enquanto os fundamentos se fortalecem, o preço se torna cada vez mais atrativo:
| Métrica | Situação atual |
|---|---|
| Earning Yield | 15%, maior desde o IPO |
| P/L | 6,6x, contra 8,1x no piso de 2022 |
| P/VP | Caminhando para 1,06, patamar histórico de barganha |
| Potencial de valorização (mercado) | 45% |
| Potencial estimado por análise técnica | 100% (até R$ 10,28) |
Quando o Earning Yield supera a Selic, a simetria fica clara: o papel vira uma tese de valor tática, não apenas de longo prazo.
Dividendo confirmado: data de corte em 19 de novembro
Valor líquido: R$ 0,05 por ação
Data com: 19/11
Pagamento: 30/12
Pequeno dividendo, mas importante como gatilho de fluxo e atenção do mercado.
Fundos comprando GMAT3 — gatilho de confiança
Segundo dados recentes, 181 fundos estão comprados e apenas 47 vendidos, com destaque para:
Gepard: 7,56% do PL posicionado em GMAT3
Um dos principais gestores em small caps no Brasil
O investidor individual não está sozinho nessa aposta.
GMAT3 x Açaí (ASAI3): quem vence?
| Critério | GMAT3 | ASAI3 |
|---|---|---|
| Alavancagem | 0,50x | 2,0x |
| Crescimento | Forte | Forte |
| Geografia | Nordeste (menos competição) | Sudeste (competição feroz) |
| Perfil | Defensivo + expansão | Alta escala + dívida |
ASAI3 é maior, mas GMAT3 pode estar mais “redondo” para 2026.
Preços-alvo e consenso
| Casa | Preço-alvo |
|---|---|
| BTG Pactual | R$ 10,00 |
| Genial Investimentos | R$ 9,00 |
| Consenso InvestingPro (11 analistas) | R$ 9,99 |
Comprar abaixo de R$ 8 traz assimetria histórica.
Operação com opções: aposta longa até 2027
Uma alternativa ao papel direto:
Call para fevereiro/2027
Strike a R$ 8,80
Prêmio hoje: ~R$ 1,21
Possível queda do prêmio até R$ 0,90 abre entrada ainda melhor
Resultado: custo total ~R$ 7,00 → abaixo do preço justo mínimo de R$ 8,00.
O Grupo Mateus não é armadilha. É um case de crescimento com preço de recessão, e o mercado pode estar precificando excessivamente o curto prazo.
Para estratégia tática, small caps defensivas e até operações com opções, GMAT3 entra no radar.
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