O mercado segue pessimista com as ações do Banco do Brasil (BBAS3). A queda dos lucros, revisões para baixo no guidance e a redução do payout pressionam as estimativas futuras de rendimento. Entretanto, mesmo com menor atratividade no curto prazo, o banco continua distribuindo proventos e prepara um anúncio que tem chamado a atenção: o chamado “dividendo duplo”.
Atualmente, há um rendimento já confirmado para pagamento, no formato de JCP (juros sobre capital próprio), equivalente a apenas R$ 0,07 por ação, tributado em 15%, com data com prevista para 1º de dezembro e pagamento em 11/12/2025. Mesmo abaixo das expectativas, o valor está garantido.
Amanhã ocorre um novo anúncio de dividendo, com previsão de data com em 2/12 e pagamento em 12/12/2025, o que faz com que dois rendimentos coexistam “em aberto”, fato que o mercado classifica como “dividendo duplo”. Porém, esse segundo pagamento tende a ser ainda menor, reflexo direto do ajuste estratégico do banco.
Payout reduzido e guidance revisado
O Banco do Brasil ajustou sua política de distribuição de lucros para 2025. Antes, o payout oscilava entre 40% e 45%, o que sustentava dividend yields de dois dígitos. Agora, a projeção foi reduzida para aproximadamente 30%, diminuindo a atratividade dos proventos.
Além disso, o banco revisou o lucro projetado para o próximo ciclo. O mercado trabalhava com expectativas mais altas, mas agora o guidance estima lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, contra números superiores registrados nos últimos três anos. Apenas a combinação de lucro mais baixo e payout reduzido já impactaria significativamente os dividendos futuros, mesmo sem queda adicional nos resultados.
Dividendos: cenário de queda expressiva
Considerando o histórico dos últimos três anos, os pagamentos de novembro apresentaram queda gradativa, apesar de o banco ter registrado lucros crescentes:
| Ano | Lucro (R$ bi) | Segundo dividendo de novembro |
|---|---|---|
| 2022 | 31 | R$ 0,317 |
| 2023 | 33 | R$ 0,289 |
| 2024 | 35 | R$ 0,284 |
Aplicando o lucro revisado de 2025 (R$ 20 bilhões) e o payout médio recente, projeções indicam rendimento estimado entre R$ 0,10 e R$ 0,11 por ação, caso o banco mantenha o padrão recente. Esse valor é inferior ao já reduzido pagamento atual, e há até expectativa de possibilidade de cancelamento do segundo dividendo, caso a diretoria considere inadequado o pagamento frente às métricas de rentabilidade.
O que pode mudar em 2026? Três cenários
Mesmo com queda nas distribuições, o Banco do Brasil segue lucrativo e permanece uma das instituições financeiras mais sólidas do país. Além disso, há assimetria no preço atual das ações, influenciada pelo pessimismo exagerado sobre o setor. Avaliando o horizonte, surgem três possíveis cenários para 2026:
1. Cenário conservador
Lucro segue fraco.
Payout próximo ao piso de 30%.
Dividendos continuam baixos.
Preço-teto indica ausência de margem de segurança.
2. Cenário base (o mais provável)
Leve recuperação do lucro.
Payout com leve melhora (35%).
Dividendos começam a reagir.
Ações ficam mais atrativas para médio prazo.
3. Cenário otimista
Lucro volta a crescer acima da inflação.
Redução de provisões e melhora na margem.
Payout se aproxima de 40%.
Geração de valor em dois eixos: preço e dividendos.
Margem de segurança aparece com preço-teto superior a R$ 24.
Apesar do mau humor do mercado e da redução expressiva dos proventos esperados, o Banco do Brasil continua distribuindo dividendos, mesmo em fase de resultados pressionados. A “torneira diminuiu a pressão, mas não fechou”. Em momentos assim, o pessimismo costuma colocar preços em patamares descontados, abrindo espaço para assimetrias futuras.
Para quem investe pensando em dividendos, o curto prazo pode decepcionar. Mas para quem mira acumulação e valor, momentos de medo e juros elevados historicamente criam oportunidades.
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