A Companhia Paranaense de Energia divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2025 e mostrou uma forte retração em sua lucratividade. O lucro líquido caiu 68,5%, totalizando R$ 383,1 milhões, refletindo o impacto de despesas financeiras, redução em equivalência patrimonial e aumento do endividamento. A queda ocorre em um momento de grandes mudanças operacionais e estratégicas dentro da companhia.
Apesar da retração no lucro, o faturamento da distribuidora e da área de geração e transmissão cresceu. A receita operacional apresentou avanço de 18% no trimestre e 13% no acumulado do ano, impulsionada pelo reajuste tarifário e pela consolidação de novos ativos no portfólio, como a compra da Mata de Santa Genebra.
Migração ao Novo Mercado: o que muda para o investidor de CPLE3
A Copel está em fase final de migração para o Novo Mercado da B3, nível máximo de governança corporativa da Bolsa. O processo envolve a unificação das ações, acabando com as classes preferenciais e mantendo apenas o ticker CPLE3, com direito a voto para todos os acionistas.
O processo inclui:
Cancelamento da CPLE6.
Conversão da CPLE5 (PN) em CPLE3 (ON).
Pagamento de um prêmio de R$ 0,77 por ação aos detentores das preferenciais.
O preço final estimado das ações pós conversão demonstra neutralidade para o investidor, já que o prêmio aproxima os preços de CPLE3 e CPLE5. O objetivo é ampliar a liquidez e atrair grandes fundos institucionais, que exigem maior governança e transparência.
Custos controlados, grande exposição a investimentos e dívida elevada
Mesmo com forte avanço nos custos operacionais, a Copel vem demonstrando eficiência administrativa. As despesas gerenciáveis tiveram redução relevante, incluindo queda de 16% em custos com pessoal em alguns setores, resultado associado a desligamentos e substituição gradual por mão de obra terceirizada.
Entretanto, o impacto negativo no lucro está diretamente ligado à estratégia agressiva de investimentos e aumento da alavancagem. Em 2025, a companhia já investiu R$ 2,6 bilhões até o terceiro trimestre, superando todo o valor aplicado em 2024. Entram nesse conjunto obras, aquisições e a conclusão da UHE Baixo Iguaçu, envolvendo desembolso acima de R$ 1,1 bilhão.
O endividamento subiu de 1,9 para 2,8 vezes Ebitda, considerado pela própria empresa como nível “ótimo” de capital. Com isso, as despesas financeiras saltaram 99% no trimestre, pressionando o resultado líquido.
Dividendos: projeções podem estar superestimadas?
A nova política de dividendos da Copel prevê distribuição mínima de 75% do lucro líquido, mas historicamente a companhia tem distribuído até 100%. Parte do mercado projeta dividend yields elevados, chegando a expectativas de 9,1% em 2026 e 7,2% em 2027.
Entretanto, levando em conta o atual preço/lucro estimado em 17,9, o dividend yield máximo sustentável seria próximo de 5,5%, caso não houvesse comprometimento de caixa. Dessa forma, as projeções acima desse patamar indicam risco de queima de caixa, colidindo com o momento de alto investimento e crescimento da dívida.
CPLE3 ainda vale a pena?
O cenário atual da Copel reúne elementos controversos para o investidor:
Positivos
Forte crescimento operacional.
Eficiência administrativa e controle de custos.
Migração para o Novo Mercado, aumentando governança e liquidez.
Investimentos capazes de elevar resultados futuros.
Negativos
Queda brusca no lucro líquido.
Endividamento crescente e pressão no resultado financeiro.
Possível superavaliação das projeções de dividendos.
Redução na atratividade de yield no curto prazo.
A Copel está em um ciclo de expansão que pode fortalecer o negócio no médio e longo prazo. No entanto, para investidores que buscam dividendos imediatos, o papel pode oferecer uma rentabilidade inferior à esperada nos próximos anos, diante do cenário de forte alavancagem e reinvestimentos.
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