A Gerdau, uma das maiores produtoras de aço das Américas, atravessa um momento de transição no ciclo da siderurgia. Após o pico de rentabilidade observado em 2021, as margens foram pressionadas por maior competição internacional e desaceleração global. Ainda assim, os números mostram uma companhia financeiramente sólida e com valuation considerado descontado.
A ação preferencial GGBR4 negocia atualmente na faixa de R$ 22 a R$ 23, após ter oscilado entre aproximadamente R$ 13,70 e R$ 24,00 nos últimos 12 meses.
Principais indicadores financeiros atualizados
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação GGBR4 | R$ 22–23 |
| Valor de mercado | ~R$ 41 bilhões |
| Patrimônio líquido | ~R$ 54 bilhões |
| Receita líquida trimestral | ~R$ 17 bilhões |
| EBITDA trimestral ajustado | ~R$ 2,6 a 2,7 bilhões |
| Dívida bruta | ~R$ 18 bilhões |
| Caixa e equivalentes | ~R$ 9 a 10 bilhões |
| Dívida líquida | ~R$ 5 a 6 bilhões |
| Dívida líquida / EBITDA | ~0,8x |
| ROE (TTM) | ~5% |
| P/VPA | ~0,6x |
Os dados reforçam uma estrutura de capital conservadora. A relação dívida líquida/EBITDA abaixo de 1 vez indica alavancagem confortável, especialmente para um setor cíclico como siderurgia.
Margens pressionadas, mas operação resiliente
O grande desafio atual da Gerdau está na rentabilidade. Após margens líquidas próximas de 20% no auge do ciclo do aço, a empresa viu esse indicador recuar para patamares significativamente menores.
O ROE, que já superou 30% em 2021, hoje gira ao redor de 5%. Essa retração reflete:
Redução dos preços do aço em relação ao pico do ciclo
Maior concorrência internacional
Dificuldade de repasse integral de custos
Mesmo assim, o EBITDA trimestral permanece acima de R$ 2,6 bilhões, mostrando capacidade consistente de geração operacional.
Estrutura financeira: um dos principais diferenciais
Se por um lado as margens diminuíram, por outro a disciplina financeira da Gerdau segue como destaque.
A empresa apresenta:
Patrimônio líquido superior a R$ 50 bilhões
Caixa próximo de R$ 10 bilhões
Dívida líquida moderada
Alavancagem controlada
Essa combinação garante flexibilidade para atravessar ciclos mais desafiadores e manter investimentos estratégicos, inclusive em eficiência operacional e expansão seletiva.
Dividendos e retorno ao acionista
A Gerdau mantém histórico de distribuição de dividendos, embora os valores tenham sido ajustados ao novo patamar de lucro.
Nos últimos trimestres, os pagamentos variaram entre R$ 0,12 e R$ 0,28 por ação, com dividend yield anualizado girando entre aproximadamente 3% e 4%, dependendo da cotação.
Embora abaixo dos níveis extraordinários do ciclo anterior, os dividendos continuam representando uma fonte adicional de retorno.
Valuation: ação descontada?
Um dos pontos que mais chama atenção é o múltiplo P/VPA ao redor de 0,6 vez. Isso significa que o mercado está precificando a empresa abaixo do seu valor patrimonial contábil.
Em termos práticos:
Valor patrimonial por ação superior ao preço atual
Forte base de ativos industriais
Baixa alavancagem
Esse cenário sugere que o mercado ainda embute cautela quanto à recuperação das margens e do ciclo do aço.
O que pode mudar o jogo para GGBR4?
Dois fatores são determinantes para uma possível reprecificação da ação:
Recuperação das margens com melhora nos preços do aço
Aumento da demanda industrial, especialmente nos Estados Unidos
A Gerdau tem cerca de 42% da sua receita concentrada na América do Norte e aproximadamente 49% no Brasil. Portanto, políticas de incentivo industrial e infraestrutura nesses mercados podem impulsionar volumes e rentabilidade.
GGBR4 vale acompanhar em 2026?
A Gerdau combina:
Balanço forte
Baixa alavancagem
Geração consistente de caixa
Ação negociada abaixo do valor patrimonial
O principal risco segue sendo o ciclo da siderurgia e a pressão sobre margens. Já o principal potencial está na normalização do setor e eventual retomada da rentabilidade.
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