O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025, resultado superior ao trimestre anterior e acima do que parte do mercado projetava.
Apesar da recuperação no período, o banco encerrou o ano com lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões, representando queda relevante frente ao desempenho recorde observado no ciclo anterior.
O resultado trimestral indicou:
Crescimento superior a 50% em relação ao 3T25
Recuperação sequencial após dois trimestres pressionados
Melhora na margem financeira bruta
Mesmo assim, o ano foi marcado por forte aumento do custo de crédito e da inadimplência, principalmente no agronegócio.
Principais números consolidados de 2025
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido ajustado | R$ 35,7 bi | R$ 20,7 bi | -42% |
| Margem financeira bruta | R$ 98,4 bi | R$ 103,1 bi | +4,8% |
| Custo de crédito | R$ 32 bi | R$ 61,9 bi | +93% |
| Inadimplência > 90 dias | 3,16% | 5,17% | +2,01 p.p |
| Índice de Basileia | 13,75% | 15,13% | +1,38 p.p |
O salto do custo de crédito foi o principal fator de compressão da rentabilidade. A carteira de crédito expandida permanece próxima de R$ 1,3 trilhão, o que amplia o impacto da inadimplência sobre o resultado.
Pressão no agronegócio e aumento da inadimplência
O banco possui grande exposição ao crédito rural, setor que enfrentou dificuldades ao longo de 2025. A inadimplência no agronegócio superou 6%, pressionando provisões e reduzindo o retorno sobre o patrimônio.
O ROE, que já superou 20% em ciclos anteriores, ficou próximo de 12% no encerramento do ano.
Apesar disso, o índice de Basileia avançou para acima de 15%, fortalecendo a posição de capital da instituição.
Dividendos e payout em 2026
Mesmo com a melhora no quarto trimestre, a administração manteve postura conservadora.
Payout atual: 30% do lucro
Dividendos pagos em 2025: R$ 5,2 bilhões
Dividendos por ação (DPA): aproximadamente R$ 1,17
Dividend yield recente: próximo de 4,5%
O banco sinalizou que o foco será fortalecer o balanço e estabilizar a inadimplência antes de considerar pagamentos extraordinários.
Guidance para 2026
Para 2026, o Banco do Brasil projeta:
Lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões
Crescimento da carteira total entre 0,5% e 4,5%
Margem financeira bruta em expansão
Redução gradual do custo de crédito
A estratégia prioriza qualidade da carteira e eficiência operacional.
Indicadores atuais de BBAS3
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação | R$ 25 a R$ 27 |
| P/L | 10 a 11 vezes |
| P/VP | 0,75 a 0,80 |
| Dividend Yield | 4% a 5% |
| ROE | ~12% |
O desconto sobre o valor patrimonial continua sendo um dos principais atrativos da ação.
Análise técnica
No gráfico semanal, BBAS3 encontra resistência próxima a R$ 27. A região entre R$ 24 e R$ 25 funciona como suporte relevante.
Cenários prováveis:
Lateralização no curto prazo
Teste da faixa de R$ 29 em caso de melhora operacional
Correção caso os próximos resultados voltem a pressionar
Vale a pena investir em BBAS3 agora?
O papel apresenta valuation descontado e fundamentos ainda sólidos, mas passa por um ciclo de ajuste.
Perfil ideal para o momento:
Investidor com foco em médio e longo prazo
Disposto a acompanhar a recuperação do crédito rural
Que busca potencial de valorização mais do que dividendos elevados imediatos
O primeiro trimestre de 2026 será decisivo para confirmar se o movimento de recuperação observado no 4T25 marca o início de um novo ciclo para BBAS3 ou apenas um alívio pontual dentro de um cenário ainda desafiador.
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