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Início » Últimas Notícias » Dividendos, prejuízo e virada verde: o trimestre que colocou a Axia à prova
Ações

Dividendos, prejuízo e virada verde: o trimestre que colocou a Axia à prova

Após vender ativos problemáticos e apostar pesado em transmissão, empresa exibe caixa forte e prejuízo contábil que divide o mercado
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins16 de janeiro de 20265 minutos lidos
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A Axia Energia, antiga Eletrobras, divulgou os resultados do terceiro trimestre de 2025 mostrando uma companhia em plena transformação estrutural. O período foi marcado por forte geração operacional de caixa, distribuição expressiva de dividendos e avanço na estratégia de foco em geração renovável e transmissão. Em contrapartida, eventos contábeis extraordinários e fatores operacionais levaram a um prejuízo líquido relevante no acumulado do ano, reacendendo discussões sobre riscos e execução da nova estratégia.

Indicador3T25Variação anual
Receita operacional líquidaR$ 9,9 bilhões-4,8%
EBITDA ajustadoR$ 6,4 bilhões-5,8%
Lucro líquido ajustadoR$ 2,2 bilhões-68%
Prejuízo líquido contábil (9M25)R$ 5,4 bilhões—
Dividendos anunciados no trimestreR$ 4,3 bilhões—
Dividendos pagos em 2025R$ 8,3 bilhões—
Investimentos (Capex)R$ 2,7 bilhões+57%
Dívida bruta consolidadaR$ 70,8 bilhões-6,3%
Alavancagem (Dívida/Capital Total)28%+4 p.p.

Virada para energia 100% renovável marca nova fase

O principal marco estratégico do trimestre foi a conclusão da venda da última usina termelétrica do portfólio, encerrando de vez a exposição da companhia a ativos fósseis. Com isso, a Axia passa a operar exclusivamente com fontes renováveis, reforçando o alinhamento com metas ambientais e reduzindo riscos regulatórios e de volatilidade de custos energéticos.

A mudança não é apenas simbólica. Ela redefine o perfil de risco da empresa e fortalece sua posição no debate sobre transição energética no Brasil.

Faxina corporativa reduz riscos e simplifica estrutura

A transformação do portfólio veio acompanhada de uma ampla reorganização societária. A empresa se desfez de participações consideradas complexas e de alto risco, incluindo ativos com obrigações futuras relevantes. Mais do que levantar caixa, a estratégia teve como foco eliminar passivos e incertezas que pressionavam o balanço e dificultavam a previsibilidade de resultados.

Como efeito direto dessa simplificação, a companhia passou a operar com menos participações minoritárias, menor complexidade administrativa e foco absoluto em geração renovável e transmissão.

Eficiência operacional começa a aparecer

Os efeitos da reestruturação já surgem nas despesas operacionais. Houve redução relevante nos custos com pessoal, materiais e serviços, mesmo após ajustes para excluir ativos vendidos. A leitura do trimestre indica uma estrutura mais enxuta e eficiente, com potencial de ganhos recorrentes de margem nos próximos períodos.

Transmissão se consolida como motor de crescimento

Se por um lado a Axia reduziu seu escopo operacional, por outro acelerou fortemente o crescimento em transmissão. A companhia foi destaque em leilões recentes, arrematando novos lotes que ampliam sua base de receitas reguladas.

O plano de expansão prevê R$ 17,4 bilhões em investimentos nos próximos anos, com potencial de adicionar R$ 2,4 bilhões em receita anual previsível após a conclusão dos projetos. Esse movimento posiciona a transmissão como o principal vetor de crescimento de longo prazo da empresa.

Dividendos bilionários reforçam atratividade ao acionista

Mesmo em meio à reorganização, a política de remuneração ao acionista foi agressiva. Apenas no terceiro trimestre, a empresa anunciou R$ 4,3 bilhões em dividendos, elevando o total distribuído em 2025 para R$ 8,3 bilhões.

O volume expressivo indica confiança da gestão na geração de caixa operacional e na sustentabilidade financeira do novo modelo de negócios.

Prejuízo contábil distorce leitura do resultado

Apesar do forte desempenho operacional, o balanço mostra um prejuízo líquido contábil de R$ 5,4 bilhões no acumulado de nove meses. O resultado negativo não reflete deterioração do core business, mas sim ajustes extraordinários.

O principal impacto veio do reconhecimento de perdas contábeis relacionadas à venda de ativos complexos, refletindo a diferença entre valores registrados e preços efetivos de transação. Além disso, a base de comparação com 2024 foi prejudicada pela ausência de ganhos regulatórios extraordinários que haviam inflado o resultado no ano anterior.

Receita pressionada e cenário hidrológico desfavorável

A receita operacional líquida recuou em relação ao ano anterior, principalmente pela saída de ativos vendidos e por fatores não recorrentes. Outro ponto relevante foi o cenário hidrológico adverso.

Com um GSF próximo de 69%, a empresa precisou adquirir energia no mercado para honrar contratos, pressionando margens e resultados no curto prazo. Trata-se de um risco estrutural do setor hidrelétrico, que permanece no radar.

Dívida menor, mas alavancagem maior

A dívida bruta consolidada apresentou queda, evidenciando disciplina financeira. No entanto, o índice de alavancagem aumentou, reflexo direto da redução do capital contábil após os ajustes extraordinários. Embora não indique problema imediato de solvência, o indicador exige acompanhamento.

Alerta operacional com ativo recém-adquirido

Entre os pontos de atenção do trimestre, destaca-se um problema estrutural identificado na usina de Colíder, adquirida recentemente. Falhas na estrutura exigiram medidas emergenciais, redução do nível do reservatório e operação parcial do ativo.

Apesar de a empresa afirmar que a situação está sob controle, o episódio levanta dúvidas sobre custos adicionais e riscos operacionais futuros.

Desafios que definirão a próxima fase

Com a reestruturação praticamente concluída, a Axia entra agora na fase de entrega. Os principais desafios passam pela execução do plano bilionário de transmissão, integração de ativos adquiridos, controle de custos e adaptação a um ambiente regulatório em transformação.

O 3T25 deixa claro que a empresa saiu de um modelo complexo e arriscado para outro mais focado, previsível e alinhado à transição energética. O sucesso dessa estratégia dependerá, daqui para frente, menos de ajustes contábeis e mais da capacidade de execução consistente.

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Axia Energia dividendos resultados 3T25 setor elétrico transmissão de energia
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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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