ISAE4 surpreende com lucro 27% maior, JCP antecipado de R$ 445 milhões e projeções fortes: ação ainda está barata?
A ISA Energia (ISAE4) voltou a dominar o noticiário financeiro após divulgar um terceiro trimestre muito acima das expectativas do mercado. Em um cenário de juros altos, incertezas regulatórias e pressão sobre transmissoras, a empresa registrou alta de 27% no lucro líquido, pagou R$ 445 milhões em JCP referentes ao primeiro semestre e manteve um payout de 75%, surpreendendo analistas que esperavam números mais conservadores.
A aceleração dos lucros aconteceu mesmo com queda na receita e no EBITDA, evidenciando forte controle de custos, menor carga tributária e impacto positivo da entrada de novas linhas em operação. Enquanto isso, as ações ISAE4 acumulam valorização superior a 22% em 12 meses e testam máximas históricas, o que tem levantado a pergunta-chave dos investidores: a ação ainda está barata ou começa a perder atratividade?
Lucro avança, mesmo com receita menor
A receita operacional da companhia caiu cerca de 9% na comparação anual, afetada principalmente pela redução gradual da RBSE, indenização bilionária que será encerrada em 2028. O EBITDA também recuou 7%.
Mesmo assim, o lucro líquido subiu 27% por três motivos:
Eficiência operacional e redução de custos
Despesas financeiras controladas
Impostos menores devido a efeitos contábeis específicos
Essa combinação reforça que a empresa continua entregando resultados acima da média do setor, apesar da pressão sobre a RBSE.
Pagamento antecipado de JCP e dividendos robustos
A companhia anunciou R$ 445 milhões em JCP, equivalentes a R$ 0,67 por ação (tanto para IZ3 quanto para IZ4), mantendo a política de distribuir 75% do lucro. Somente em 2025, considerando pagamentos referentes a 2024, já foram anunciadas seis distribuições, o que reforça a consistência da política da empresa.
A diretora financeira confirmou que a ISA Energia estuda voltar a pagar dividendos com maior frequência, possivelmente de forma trimestral ou semestral, para agradar acionistas pessoas físicas. No entanto, ressaltou que a distribuição anual mínima segue inalterada em 75% até 2028, sem expectativa de proventos extraordinários devido ao projeto de tributação de dividendos.
Expansão bilionária para substituir a RBSE
O ponto mais sensível do modelo de negócios da ISA Energia é a queda progressiva da RBSE, que representa cerca de 33% da receita da companhia e será zerada em 2028. Porém, a direção da empresa destacou um plano agressivo para compensar integralmente o impacto:
R$ 7 bilhões em novos projetos e melhorias
Capex regulatório de R$ 3,2 bilhões em Greenfields
RAP potencial de R$ 322 milhões adicionais
Expansão de novas concessões e reforços na transmissão
Os investimentos — especialmente os projetos Serra Dourada e concessões licitadas — estão avançando, com parte já em fase de obra. A estratégia, segundo o presidente Rui Chammas, é substituir integralmente a receita perdida com a RBSE e aumentar a geração de valor no longo prazo.
Sinal de alerta: dívida cresce 35%
A execução do plano exige endividamento elevado. A companhia registrou aumento de 35% na dívida líquida, com alavancagem em 3,4 vezes o EBITDA. Embora ainda administrável para o setor de transmissão, o patamar exige monitoramento, principalmente em um ambiente de juros altos no Brasil.
Segundo a direção, o perfil da dívida é confortável e ajustado ao ciclo de investimentos, com contratos reajustados por inflação — o que mitiga parte do risco.
Ação está cara ou barata após bater máxima histórica?
Apesar da forte valorização recente, múltiplos seguem atrativos:
P/L de 6,17 – muito abaixo da média do setor (7,67), do mercado brasileiro (10 a 12) e do benchmark internacional.
Desconto de 14% sobre o valor patrimonial (P/VPA)
Dividend yield de 9,58%
Preço justo de R$ 56,30 pela fórmula de Benjamin Graham – upside superior a 105%
Potencial de valorização de 25% segundo analistas do Banco do Brasil (alvo de R$ 31,30)
Historicamente, a ação ainda está mais barata que sua média de P/L dos últimos dez anos.
Análise técnica: máxima histórica acende alerta
O gráfico semanal mostra que ISAE4 saiu de uma longa lateralização desde janeiro de 2024 e atingiu máxima histórica em R$ 27,65. Apesar do movimento de alta, há dois sinais de atenção:
Perda dos R$ 26,36 pode abrir espaço para correção até R$ 25,30
Resistência forte em máximas históricas torna difícil projetar continuidade da alta
Até o momento, o movimento é de força, mas sem garantias de continuidade — típico comportamento em topos históricos.
Projeções atualizadas: preço teto e dividendos esperados
As estimativas conservadoras mantêm o lucro projetado em R$ 1,65 bilhão para 2025, com payout de 75%. Assim, o dividendo estimado (DPA) fica em R$ 1,87 por ação.
Preço teto por dividend yield alvo:
4%: R$ 46,91
6%: R$ 31,27
8%: R$ 23,46
10%: R$ 17,76
A faixa atual segue atrativa para quem mira dividendos elevados com risco moderado.
Recomendações de mercado
O Invest Talk do Banco do Brasil classificou o resultado como positivo, apesar da queda da RBSE, destacando:
Crescimento do lucro
Custos menores
Impostos reduzidos
Entrada de novas linhas
JCP robusto
A recomendação passou de neutra para compra, reforçando potencial de valorização.
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