Uma simulação baseada na estratégia de acumulação de ações mostra que um investidor poderia superar 130 mil ações da Caixa Seguridade depois de oito anos. Para isso, teria de comprar mil papéis mensalmente e reinvestir integralmente todos os proventos recebidos.
O exercício considera uma estratégia inspirada no princípio de que a renda gerada por dividendos depende não apenas da valorização da empresa, mas principalmente da quantidade de ações acumuladas ao longo do tempo.
O resultado chama atenção, mas exige cautela: trata-se de uma projeção, não de uma promessa de rentabilidade ou recomendação de investimento.
Simulação começa com CXSE3 a R$ 19,25
O cálculo utiliza como ponto de partida uma cotação hipotética de R$ 19,25 por ação, com valorização média de 5% ao ano. Ao final do oitavo ano, o preço projetado chegaria a aproximadamente R$ 28,44.
A estratégia determina a compra de mil ações todos os meses, independentemente das oscilações da Bolsa. Somente no primeiro ano, seriam adquiridos 12 mil papéis.
| Premissa | Valor utilizado |
|---|---|
| Preço inicial da ação | R$ 19,25 |
| Compra mensal | 1.000 ações |
| Período da simulação | 8 anos |
| Compras com dinheiro próprio | 96.000 ações |
| Reinvestimento dos dividendos | 100% |
| Dividend yield estimado | Cerca de 7% ao ano |
| Crescimento estimado da cotação | 5% ao ano |
| Ações projetadas no final | Aproximadamente 135.919 |
No primeiro ano, considerando preço médio próximo de R$ 19,74, o aporte necessário ficaria ao redor de R$ 236,88 mil.
Portanto, a estratégia não significa investir R$ 19 mil apenas uma vez. Esse desembolso aconteceria todos os meses e ainda aumentaria caso a cotação das ações subisse.
Dividendos comprariam milhares de ações adicionais
A principal força da simulação está no reinvestimento dos dividendos. No primeiro ano, os proventos estimados em aproximadamente R$ 18,20 mil permitiriam comprar cerca de 922 novas ações.
Ao longo dos oito anos, essa dinâmica faria o investidor terminar com aproximadamente 135.919 papéis, cerca de 42% acima das 96 mil ações adquiridas diretamente com dinheiro próprio.
A Caixa Seguridade mantém histórico frequente de distribuições. Em 2025, a companhia destinou R$ 3,93 bilhões aos acionistas, equivalentes a um payout de 91,1% do lucro líquido ajustado. Para agosto de 2026, a empresa programou o pagamento de R$ 0,35 por ação, totalizando R$ 1,05 bilhão.
A companhia também registrou lucro de aproximadamente R$ 1,14 bilhão no primeiro trimestre de 2026, o maior resultado trimestral de sua história até então.
Renda poderia chegar a R$ 22 mil mensais?
Considerando aproximadamente 135.919 ações e um pagamento anual próximo de 7%, a projeção aponta para uma renda média superior a R$ 22 mil por mês no oitavo ano.
Esse valor, porém, não seria necessariamente depositado mensalmente. Os dividendos da Caixa Seguridade são distribuídos em datas específicas, geralmente ao longo de diferentes trimestres.
Além disso, o patrimônio projetado poderia se aproximar de R$ 3,87 milhões, caso a ação alcançasse R$ 28,44. Uma parte significativa desse montante, entretanto, viria dos próprios aportes realizados pelo investidor.
Principais riscos da estratégia
O maior problema da simulação é a concentração. Aplicar durante oito anos exclusivamente em CXSE3 deixaria o patrimônio e a renda passiva dependentes de uma única companhia.
Entre os riscos estão:
- redução ou suspensão dos dividendos;
- resultados financeiros abaixo das expectativas;
- mudanças regulatórias no setor de seguros;
- oscilação da cotação;
- alteração na política de distribuição;
- concentração excessiva da carteira.
Dividendos anteriores não garantem pagamentos futuros. Mesmo empresas lucrativas podem reduzir proventos para preservar caixa, financiar investimentos ou enfrentar períodos econômicos mais difíceis.
Estratégia pode ser adaptada para aportes menores
Poucos investidores conseguem comprar mil ações por mês. Com CXSE3 perto de R$ 20, isso exigiria aproximadamente R$ 20 mil mensais.
A mesma lógica pode ser aplicada com 10, 50 ou 100 ações por mês. Nesse caso, o tempo necessário para alcançar uma renda relevante seria maior.
O ponto central não é atingir exatamente 100 mil ações, mas estabelecer uma meta compatível com a renda, manter regularidade nos aportes, reinvestir os proventos e evitar comprometer a reserva de emergência.
A construção de renda passiva pode levar 10, 20 ou até 30 anos. O resultado dependerá dos aportes, do preço médio, do desempenho da empresa e dos dividendos efetivamente distribuídos.
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