A CVC Brasil (CVCB3), uma das maiores companhias do setor de turismo da América Latina, atravessa 2026 em um cenário de recuperação operacional, mas ainda cercada por dúvidas estruturais. Após anos impactada pela pandemia e reestruturações internas, a empresa apresenta melhora consistente em receita, Ebitda e geração de caixa. No entanto, o lucro líquido efetivo ainda não se consolidou de forma recorrente.
Com valor de mercado na casa de aproximadamente R$ 300 milhões e listada no Novo Mercado da B3, a companhia tenta provar que o processo de turnaround é sustentável.
Receita supera R$ 1 bilhão e reservas crescem
Os dados mais recentes mostram avanço operacional relevante:
Reservas confirmadas cresceram cerca de 20% no acumulado.
Reservas consumidas acompanharam a expansão.
Receita líquida acumulada já ultrapassa R$ 1 bilhão.
Receita no Brasil cresceu aproximadamente 9%, alcançando R$ 880 milhões.
Receita na Argentina avançou 20%.
Em volume financeiro, o Brasil continua sendo o principal mercado, com cerca de R$ 9 bilhões em reservas confirmadas, enquanto a Argentina registra aproximadamente R$ 900 milhões.
O crescimento internacional chama atenção, mas a concentração no mercado brasileiro ainda é determinante para o desempenho da companhia.
Ebitda recorde e margem acima de 30%
O grande destaque da recuperação é o desempenho operacional.
No 3T25, a companhia registrou:
Ebitda ajustado de R$ 130,5 milhões
Margem Ebitda de 34,6%, o maior nível desde 2019
Crescimento de aproximadamente 28% no Ebitda anualizado
Esse avanço demonstra maior eficiência operacional e controle de custos, refletindo um ambiente mais favorável para o turismo e melhora na execução estratégica.
Lucro ajustado sobe, mas prejuízo contábil permanece
Um ponto central da análise está na diferença entre lucro ajustado e lucro líquido efetivo.
A empresa divulgou:
Lucro líquido ajustado de R$ 62,5 milhões no 3T25
Alta de 35,6% em relação ao mesmo período do ano anterior
Contudo, ao considerar o lucro líquido contábil, a companhia ainda apresenta prejuízo no acumulado recente, embora em ritmo menor:
Prejuízo de aproximadamente R$ 13 milhões, contra R$ 42 milhões no ano anterior
Prejuízo acumulado histórico superior a R$ 2,3 bilhões
Esse volume de prejuízos acumulados ainda pesa no patrimônio e mantém o indicador P/L negativo.
Endividamento sob controle, mas risco ainda existe
Um dos pontos positivos da nova fase da CVC é a redução da alavancagem.
Dívida líquida/Ebitda ajustado: cerca de 0,5 vez
Considerando antecipação de recebíveis: aproximadamente 2 vezes
O nível atual é considerado administrável e muito inferior ao período mais crítico da companhia.
Além disso, a empresa registrou geração de caixa operacional próxima de R$ 70 milhões, indicando melhora na estrutura financeira.
Indicadores de mercado e percepção dos analistas
A saída do Ibovespa no início de 2026 impactou a liquidez das ações, aumentando a volatilidade. O mercado segue dividido:
Apenas uma recomendação de compra
Três recomendações de manutenção
Preço-alvo médio próximo de R$ 3
Em termos de valuation:
P/L: negativo
P/VP: aproximadamente 2,5
Para uma empresa ainda deficitária no lucro líquido, o múltiplo patrimonial elevado aumenta a percepção de risco.
Resumo financeiro da CVCB3
| Indicador | Situação Atual |
|---|---|
| Receita líquida acumulada | > R$ 1 bilhão |
| Ebitda ajustado (3T25) | R$ 130,5 mi |
| Margem Ebitda | 34,6% |
| Lucro líquido ajustado (3T25) | R$ 62,5 mi |
| Lucro líquido contábil | Prejuízo |
| Prejuízo acumulado histórico | ~ R$ 2,3 bi |
| Dívida líquida / Ebitda | 0,5x |
| P/L | Negativo |
| P/VP | 2,5 |
Afinal, CVCB3 é lucrativa?
A resposta exige cautela.
Operacionalmente, a companhia demonstra recuperação clara: crescimento de reservas, receita em expansão, Ebitda robusto e endividamento controlado. No entanto, o lucro líquido recorrente ainda não se consolidou plenamente, e o histórico de prejuízos acumulados permanece elevado.
CVCB3 não pode ser classificada como uma empresa estruturalmente lucrativa em 2026, mas sim como uma empresa em processo de recuperação. O principal ponto de debate é a sustentabilidade da lucratividade ajustada e a capacidade de transformar eficiência operacional em lucro contábil consistente.
Diante desse cenário, trata-se de um ativo com potencial de recuperação, mas com risco elevado e forte volatilidade — perfil típico de empresas em turnaround.
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