A mineradora Vale (VALE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões. À primeira vista, o número assusta. No entanto, ao destrinchar o balanço, o cenário revela uma companhia com forte desempenho operacional, geração robusta de caixa e redução consistente da dívida.
O resultado negativo foi majoritariamente contábil, influenciado por baixas (impairments), ajustes tributários ligados a operações no Canadá e efeitos relacionados ao acordo de Brumadinho. No caixa, a realidade foi diferente.
Desempenho operacional sólido em 2025
Apesar do prejuízo líquido no trimestre, a Vale apresentou crescimento relevante nas vendas e eficiência operacional.
Crescimento nas vendas – 4T25
Minério de ferro: +4,5%
Cobre: +8%
Níquel: +5%
No acumulado de 2025:
Minério de ferro: +13%
Cobre: +12%
Níquel: +11%
O preço médio realizado do minério de ferro ficou em aproximadamente US$ 95,40 por tonelada, com leve alta trimestral. Já o cobre registrou valorização expressiva, alcançando cerca de US$ 11 mil por tonelada, enquanto o níquel ficou próximo de US$ 15 mil.
O destaque estratégico foi a divisão de metais básicos, que ganhou relevância na composição do EBITDA, reduzindo a dependência exclusiva do minério de ferro.
Custos em queda e eficiência operacional
A companhia registrou o segundo ano consecutivo de redução de custos no minério de ferro. O custo caixa (C1) ficou em torno de US$ 21,30 por tonelada, em linha com o guidance.
No cobre, o custo all-in apresentou números extremamente competitivos, impulsionados por receitas de subprodutos, como ouro e prata. Isso elevou significativamente a rentabilidade da divisão de metais básicos.
O EBITDA proforma atingiu US$ 4,8 bilhões no trimestre, crescimento de 17% na comparação anual.
Geração de caixa e redução da dívida
O fluxo de caixa livre recorrente somou US$ 1,7 bilhão no trimestre, praticamente dobrando na comparação anual.
A dívida líquida foi reduzida para US$ 15,6 bilhões, queda de US$ 1 bilhão em relação ao trimestre anterior. A alavancagem permaneceu confortável, próxima de 0,7x EBITDA.
Mesmo com o prejuízo contábil, a empresa reduziu endividamento e preservou liquidez, reforçando a solidez financeira.
Dividendos seguem robustos
Em 2025, a Vale distribuiu R$ 7,62 por ação em dividendos, um dos maiores valores da última década, desconsiderando o pico atípico de 2021.
Em dezembro de 2025, a companhia anunciou R$ 3,58 por ação, equivalente a um dividend yield aproximado de 5,3% apenas nessa distribuição.
Atualmente, o dividend yield acumulado em 12 meses gira em torno de 8% a 9%, mesmo após forte valorização das ações.
Histórico recente de dividendos (R$/ação)
| Ano | Dividendos pagos |
|---|---|
| 2021 | 14,65 |
| 2022 | 7,58 |
| 2025 | 7,62 |
Para 2026, o cenário base projeta payout próximo de 65%, com expectativa de dividendos recorrentes robustos, embora sem garantia de pagamentos extraordinários, dependendo do ciclo das commodities.
Análise fundamentalista
Com as ações próximas de R$ 87, após valorização superior a 70% em 12 meses:
Dividend Yield: ~8,7%
P/VPA: acima de 1,1x
EV/EBITDA: cerca de 5x
O P/L foi distorcido pelo prejuízo contábil, não refletindo necessariamente deterioração estrutural da geração de caixa.
Comparativamente aos pares globais como BHP e Rio Tinto, os múltiplos permanecem competitivos.
Preço teto projetado para 2026
Considerando lucro líquido projetado de aproximadamente R$ 38 a R$ 40 bilhões e payout de 65%, o dividendo estimado por ação pode girar em torno de R$ 5,50 a R$ 5,70.
Com base em diferentes exigências de retorno:
| Retorno esperado | Preço teto estimado |
|---|---|
| 4% ao ano | R$ 139 |
| 6% ao ano | R$ 92 |
| 8% ao ano | R$ 69 |
| 10% ao ano | R$ 55 |
Com a ação na faixa dos R$ 87, o valuation se aproxima do preço teto para um investidor que busca retorno anual próximo de 6%.
Análise técnica
No gráfico semanal, VALE3 mantém tendência de alta no médio prazo após superar resistências históricas entre R$ 62 e R$ 74.
A faixa entre R$ 82 e R$ 91 tornou-se zona decisiva. A perda consistente de R$ 82 poderia abrir espaço para correção até R$ 74. Já o rompimento sustentado de R$ 91 pode destravar novo ciclo de valorização.
Perspectivas para 2026
Os principais vetores para o ano incluem:
Preço do minério de ferro
Demanda chinesa
Possível IPO da divisão de metais básicos
Continuidade da disciplina de capital
O consenso de mercado aponta predominância de recomendações de compra, destacando geração de caixa sólida e eficiência operacional, apesar do prejuízo contábil.
O prejuízo de US$ 3,8 bilhões no 4T25 foi majoritariamente contábil e não refletiu deterioração estrutural da operação. A Vale encerrou 2025 com:
Crescimento operacional
Redução de dívida
Forte geração de caixa
Dividendos elevados
Para 2026, o cenário indica manutenção de rentabilidade atrativa, ainda que com menor probabilidade de dividendos extraordinários.
A decisão de investimento depende do perfil do investidor: foco em dividendos recorrentes ou potencial de valorização adicional em um ciclo favorável das commodities.
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