A computação quântica está deixando de ser apenas um projeto experimental para ocupar espaço nas estratégias de empresas, governos e investidores. A expectativa é que a tecnologia ajude a resolver cálculos complexos relacionados à descoberta de medicamentos, desenvolvimento de materiais, logística, segurança digital e modelagem financeira.
Estimativas divulgadas pela McKinsey indicam que a computação quântica poderá gerar até US$ 2,7 trilhões em valor econômico mundial até 2035. Isso não significa, porém, que as empresas do setor receberão todo esse dinheiro como receita.
A consultoria estima que as tecnologias quânticas poderão movimentar cerca de US$ 97 bilhões em receitas globais até 2035. Existe, portanto, um potencial expressivo, mas distante das projeções que tratam o setor como um mercado garantido de trilhões de dólares.
Nvidia, Microsoft e IBM oferecem exposição mais diversificada
As empresas de infraestrutura aparecem como uma alternativa menos concentrada para quem deseja acompanhar o avanço da computação quântica.
A Nvidia desenvolve o CUDA-Q, plataforma que permite combinar processadores tradicionais, GPUs e unidades de processamento quântico. Essa integração é importante porque os computadores quânticos não devem substituir imediatamente os sistemas clássicos. A tendência é que as duas tecnologias trabalhem juntas.
A Microsoft oferece o Azure Quantum, serviço de nuvem que permite executar programas em diferentes hardwares quânticos, realizar simulações e estimar os recursos necessários para aplicações futuras.
A IBM também mantém uma posição relevante. A companhia planeja demonstrar exemplos de vantagem quântica ainda em 2026 e trabalha para desenvolver um computador tolerante a falhas em larga escala até 2029. Em junho de 2026, anunciou um investimento superior a US$ 10 bilhões na área durante os próximos cinco anos.
Essas empresas possuem negócios consolidados em inteligência artificial, computação em nuvem e serviços corporativos. Por isso, não dependem exclusivamente do sucesso comercial da computação quântica.

IonQ, Rigetti e D-Wave carregam maior potencial e risco
Entre as companhias especializadas, IonQ, Rigetti Computing e D-Wave Quantum estão entre os nomes mais acompanhados pelo mercado.
A IonQ utiliza a tecnologia de íons aprisionados e registrou receita de US$ 64,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 755% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também elevou sua projeção de receita anual para uma faixa entre US$ 260 milhões e US$ 270 milhões.
A Rigetti aposta em processadores quânticos supercondutores e em uma arquitetura modular. A companhia recebeu encomendas de aproximadamente US$ 5,7 milhões para dois sistemas Novera e participa de projetos financiados pelo governo dos Estados Unidos.
Já a D-Wave segue uma estratégia diferente. Sua tecnologia de recozimento quântico é voltada principalmente para problemas de otimização, como planejamento de rotas, produção industrial, alocação de recursos e gestão de portfólios.
Apesar dos avanços, essas companhias ainda enfrentam custos elevados, necessidade frequente de capital e incertezas sobre quando alcançarão lucros consistentes.
ETF permite diversificação, mas não elimina perdas
O Defiance Quantum ETF, negociado pelo código QTUM nos Estados Unidos, oferece exposição a dezenas de empresas ligadas à computação quântica, inteligência artificial, semicondutores e aprendizado de máquina.
A diversificação reduz a dependência do desempenho de uma única companhia. Entretanto, o fundo também dilui possíveis ganhos das ações que mais valorizarem e continua sujeito a quedas do setor de tecnologia.

Computação quântica pode transformar US$ 100 em milhares?
Não existe uma projeção confiável capaz de garantir que US$ 100 se transformarão em US$ 1 mil, US$ 2,6 mil ou qualquer outro valor. Resultados dessa magnitude dependeriam da valorização das ações, do prazo, da evolução tecnológica e da capacidade de cada empresa transformar pesquisas em receitas e lucros.
A computação quântica apresenta potencial relevante, mas continua sendo uma tese de longo prazo e alto risco. Empresas diversificadas oferecem maior proteção, enquanto companhias especializadas podem apresentar valorização superior, acompanhada de uma possibilidade igualmente maior de perdas.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






