A CSN Mineração (CMIN3) entrou em 2025 como uma das empresas mais comentadas da bolsa. A companhia apresentou lucro forte no terceiro trimestre, autorizou a venda de ações em tesouraria e iniciou negociações que podem levá-la a adquirir participação na MRS Logística. Todos esses movimentos, somados, mudam significativamente o cenário para quem acompanha a mineradora.
Lucro forte em 2025 reforça a resiliência da CMIN3
No terceiro trimestre de 2025, a CSN Mineração registrou:
Lucro líquido de R$ 696 milhões
EBITDA próximo de R$ 2 bilhões
Margem EBITDA em torno de 45%
Receita superior a R$ 4,4 bilhões
O resultado veio impulsionado por:
maior volume de vendas de minério,
preços médios mais altos,
disciplina na gestão de custos e
melhoria operacional.
Com esse desempenho, a empresa aprovou a distribuição de mais de R$ 900 milhões em dividendos e JCP, reforçando o histórico de forte geração de caixa e retorno ao acionista.
Venda de até 53,3 milhões de ações em tesouraria preocupa minoritários
A CMIN3 aprovou a venda de 53,3 milhões de ações em tesouraria, com prazo de até 18 meses para execução.
A decisão chama atenção porque:
normalmente ações em tesouraria são canceladas para fortalecer o valor por ação;
vender essas ações gera caixa — mas também aumenta o número de papéis em circulação;
a medida sugere necessidade estratégica de liquidez ou realocação de capital;
a venda ocorre às vésperas da possível compra da MRS.
Para investidores, o movimento indica que a companhia pretende levantar recursos relevantes, mesmo sendo uma mineradora com forte caixa operacional.
CMIN3 estuda comprar parte da MRS Logística
O ponto mais sensível para o mercado, porém, é o estudo para que a CMIN3 compre parte das ações da MRS Logística, atualmente detidas pela controladora.
A operação ainda não tem valor declarado e não está formalizada, mas a negociação está em andamento.
A MRS é responsável pelo transporte ferroviário que atende siderurgia, mineração, contêineres, celulose, carvão e grãos. A integração logística pode trazer ganhos importantes para a operação da CMIN3 no longo prazo.
Por outro lado:
o setor ferroviário exige investimentos contínuos e altos gastos de CAPEX;
a MRS tem endividamento elevado, com dívida bruta acima de R$ 9 bilhões;
parte dessa dívida pode ser incorporada pela CMIN3;
o caixa da mineradora pode diminuir de forma significativa caso a aquisição seja confirmada.
A empresa já comunicou que a operação depende de avaliação interna, aprovação do controlador e análise regulatória.
O impacto real no caixa e no risco da CMIN3
A CMIN3 vive atualmente um dos momentos mais intensos de decisões estratégicas dos últimos anos.
Entre os pontos críticos que o mercado monitora:
1. Caixa atual é forte, mas pode mudar rapidamente
A mineradora acumula caixa superior a R$ 10 bilhões, resultado da disciplina financeira e forte geração operacional.
Uma eventual aquisição da MRS pode reduzir esse montante de forma relevante.
2. Endividamento da MRS pode afetar o perfil financeiro da CMIN3
Entrar em um negócio ferroviário significa assumir parte das obrigações da MRS, o que altera a estrutura de risco da mineradora.
3. Dividendos podem ser impactados
Com a necessidade de caixa para a compra e para investimentos futuros, dividendos podem sofrer alteração na periodicidade ou no montante.
4. Decisões da controladora são determinantes
A CSN detém cerca de 69% da CMIN3 e tem poder decisório sobre a operação.
Isso coloca o minoritário em posição de dependência das estratégias do grupo.
Como está a CMIN3 hoje? (Resumo atualizado)
| Indicador (2025) | Situação |
|---|---|
| Lucro líquido | R$ 696 milhões |
| EBITDA | ~R$ 2 bilhões |
| Margem EBITDA | ~45% |
| Receita | ~R$ 4,4 bilhões |
| Caixa | > R$ 10 bilhões |
| Dívida da MRS | > R$ 9 bilhões |
| Dividendos aprovados | > R$ 900 milhões |
Vale a pena investir em CMIN3 agora?
Pontos positivos
Resultado operacional muito forte em 2025
Caixa elevado
Dividendos expressivos
Possível ganho logístico com integração da MRS
Potencial de valorização caso o minério continue firme
Pontos de atenção
Venda das ações em tesouraria sugere busca ativa por caixa
Possível aquisição da MRS pode reduzir liquidez e elevar dívida
Risco mais alto para o minoritário devido ao controle da CSN
Incerteza sobre impacto nos dividendos após operação
Ação sensível a decisões políticas e corporativas dentro do grupo
O momento exige cautela — mas há oportunidade
A CMIN3 tem fundamentos fortes, geração de caixa robusta e resultados expressivos em 2025. Porém, as decisões estratégicas recentes podem alterar de forma significativa o perfil de risco da empresa.
Para investidores conservadores, o momento é de observar.
Para perfis moderados e agressivos, o preço pode se tornar atrativo — desde que os desdobramentos da negociação com a MRS sejam acompanhados de perto.
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