O Bradesco encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões, resultado ligeiramente acima das expectativas do mercado. Na comparação anual, o avanço foi de 26%, enquanto na base trimestral o banco manteve trajetória consistente de crescimento, reforçando a leitura de recuperação gradual.
O desempenho ganha relevância após anos marcados por rentabilidade pressionada, aumento da inadimplência e deterioração do retorno sobre o capital. Os números do 4T25 indicam que esse ciclo ficou para trás.
ROE volta a superar o custo de capital e muda leitura de valuation
Um dos dados mais relevantes do balanço foi o ROE de 15,2%, acima do intervalo esperado pelo mercado, que girava em torno de 14,5% a 15%. Esse nível de rentabilidade recoloca o banco em um patamar mais saudável, especialmente por voltar a superar o custo de capital, ponto central para avaliação de bancos.
Quando o ROE fica abaixo do custo de capital, o desconto no preço sobre valor patrimonial é justificável. Com a rentabilidade atual, o mercado passa a reavaliar se esse desconto ainda faz sentido no médio prazo.
Carteira de crédito cresce com foco em qualidade
A carteira de crédito expandida atingiu aproximadamente R$ 1,09 trilhão, com crescimento anual próximo de 11%. O avanço ocorreu de forma mais equilibrada, com maior peso em pequenas e médias empresas, segmento considerado mais rentável e com melhor relação risco-retorno no atual ciclo.
Após um período de forte exposição ao crédito de maior risco, especialmente para pessoa física, o Bradesco ajustou sua estratégia, priorizando qualidade da carteira e controle de perdas antes de acelerar crescimento.
Inadimplência estabilizada sinaliza gestão mais eficiente
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 4,1%, praticamente estável em relação ao trimestre anterior. O dado é considerado positivo, sobretudo em um ambiente ainda desafiador para o crédito no Brasil.
O controle da inadimplência foi um dos principais fatores que pressionaram os resultados do banco no passado. A estabilização indica que os ajustes feitos na concessão e no acompanhamento do crédito estão surtindo efeito.
Margem financeira cresce em ritmo sólido
A margem financeira total alcançou R$ 19,2 bilhões, com crescimento anual de 13,2%. O número ficou em linha com o esperado e mostra que o banco conseguiu expandir receitas financeiras sem deteriorar a qualidade dos ativos.
Esse avanço contribuiu diretamente para a melhora do lucro e da rentabilidade, mesmo em um cenário de maior competição no setor bancário.
Seguros seguem como principal motor de rentabilidade
A vertical de seguros voltou a se destacar no balanço, com ROE de 24,3% e crescimento de 16% no resultado operacional. Historicamente, essa área sempre foi uma das principais fontes de geração de valor do Bradesco, e os números do 4T25 confirmam essa relevância.
Capital se recompõe e abre espaço para dividendos
O capital principal apresentou melhora na comparação anual, apesar de pequenas oscilações trimestrais. Esse movimento é fundamental para a política de dividendos, já que bancos com capital pressionado tendem a reduzir payout por exigências regulatórias.
Com a recomposição gradual do capital e a melhora consistente dos resultados, cresce a expectativa de elevação gradual dos dividendos nos próximos anos, ainda que de forma conservadora.
Principais números do Bradesco no 4T25
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Lucro líquido recorrente | R$ 6,5 bilhões |
| Crescimento do lucro (A/A) | +26% |
| ROE | 15,2% |
| Carteira de crédito | R$ 1,09 trilhão |
| Crescimento da carteira (A/A) | +11% |
| Margem financeira total | R$ 19,2 bilhões |
| Crescimento da margem (A/A) | +13,2% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 4,1% |
| ROE da área de seguros | 24,3% |
Mercado reage com cautela apesar dos números
Mesmo com resultados sólidos, as ações do Bradesco registraram volatilidade após a divulgação do balanço. No início do pregão, os papéis chegaram a recuar perto de 5%, reduzindo a queda ao longo do dia.
A reação indica que parte da recuperação já estava precificada, além de expectativas mais conservadoras em relação ao ritmo de crescimento em 2026.
BBDC4 ainda vale a pena?
Os números do 4T25 mostram que o Bradesco cumpre a tese de recuperação gradual, com melhora clara em rentabilidade, controle de riscos e recomposição de capital. A ação deixou de ser apenas uma aposta de virada e passou a ser analisada como um banco em recuperação mais avançada.
A partir daqui, o potencial de retorno dependerá menos da normalização dos resultados e mais da execução contínua, crescimento eficiente do crédito e evolução dos dividendos. Para o investidor, BBDC4 segue no radar, mas exige atenção redobrada ao valuation e ao cenário macroeconômico em 2026.
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