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Início » Últimas Notícias » Bolsa 2026 pode cair em janeiro? Juros, Fed e dividendos expõem risco real
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Bolsa 2026 pode cair em janeiro? Juros, Fed e dividendos expõem risco real

Apesar do tom mais duro do Copom e do adiamento na queda da Selic, brasileiros e estrangeiros seguem impulsionando a Bolsa com o corte de juros nos EUA, enquanto eleições e antecipação de dividendos devem elevar a volatilidade em 2026.
Mariana DuartePor Mariana Duarte11 de dezembro de 20254 minutos lidos
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A grande dúvida que domina o mercado é: a Bolsa vai começar 2026 em queda? Com incertezas envolvendo juros, dólar, eleições e empresas antecipando dividendos devido à nova tributação, o investidor inicia dezembro avaliando se janeiro marcará uma virada negativa — ou se ainda há força para novas altas.

A análise mais recente indica que a resposta não é simples. O comportamento do mercado brasileiro nos próximos meses dependerá de três blocos principais: Selic, Fed e fluxos provocados pelos dividendos antecipados.

Inflação dentro do limite reacende esperança, mas Copom endurece o discurso

O primeiro sinal positivo veio da inflação: o índice surpreendeu ao ficar abaixo do esperado, fechando em 4,46%, dentro do limite de tolerância do regime de metas — cujo teto é 4,5%. Essa leitura abriu espaço para um alívio nos juros, mas o Copom surpreendeu ao manter a Selic em 15% e, principalmente, ao adotar um tom mais duro, o que esfriou a aposta em cortes já em janeiro.

Segundo estimativas da XP, a queda pode ser empurrada para março, com projeção de seis cortes consecutivos de 0,50 ponto, levando a Selic a 12% ao final do ciclo. Mesmo assim, o juro real permaneceria elevado, próximo a 7,5%, refletindo a deterioração fiscal prevista para o próximo mandato presidencial — independentemente do vencedor.

O Banco Central também destacou riscos altistas para a inflação, como:

  • desancoragem das expectativas;

  • resiliência da inflação de serviços;

  • possibilidade de pressão cambial;

  • efeitos de políticas internas e externas.

Entre os riscos baixistas, citou:

  • desaceleração doméstica mais intensa;

  • desaceleração global;

  • queda adicional nas commodities.

Por que a Bolsa não caiu mesmo com frustração nos juros?

Mesmo com a postergação da queda da Selic, o mercado acionário não desabou. O motivo está fora do Brasil: o Federal Reserve cortou juros pela terceira vez consecutiva, reduzindo a taxa para 3,75% ao ano.

Historicamente, quando o Fed corta juros sem recessão, o S&P 500 sobe, em média, 15% ao ano — um movimento que tende a contaminar bolsas emergentes, como a brasileira. Com títulos americanos rendendo menos, investidores globais passam a buscar ativos de maior risco em busca de retorno.

Para 2026, projeções de Wall Street indicam que o juro americano pode ficar entre 3% e 3,25%, indicando espaço limitado para mais cortes, mas ainda suficiente para sustentar fluxo positivo.

Apostas para janeiro: manutenção dos juros sobe para quase 60%

O mercado futuro mostra que, há poucos dias, a chance de manutenção da Selic em janeiro era de 38%. Agora, saltou para cerca de 58% — e análises indicam que pode chegar a 80% após assimilação completa do comunicado do Copom.

A queda de 0,25 ponto, antes favorita, perdeu força. E a de 0,50 ponto praticamente desapareceu do radar.

Dividendos antecipados podem derrubar a Bolsa em 2026

Com a nova taxação de dividendos entrando em vigor, muitas empresas estão antecipando distribuições ainda em 2025, o que pode gerar:

  1. Esvaziamento dos cofres corporativos, reduzindo dividendos no início de 2026;

  2. Alta volatilidade durante o ano eleitoral;

  3. Redução no fluxo de caixa disponível para operações estratégicas.

Entretanto, empresas com estruturas mais flexíveis — como Eletrobras e ISA Cteep — devem conseguir manter pagamentos robustos em 2026.

Ritmo de aportes: caixa em dólar cresce e abre espaço para compras

O investidor do estudo segue acumulando reserva em dólar na corretora CoinFury, passando de US$ 1.774 para US$ 1.826, mesmo com oscilação dos juros americanos. A estratégia é manter liquidez internacional para aproveitar uma eventual correção do mercado dos EUA, especialmente em ETFs como o SCHD.

No Brasil, o foco permanece em dividendos, com aportes mensais de R$ 1.000 e reforços semestrais — modelo considerado mais realista para o investidor médio.

A carteira segue majoritariamente em renda fixa, como planejado, utilizando parte da reserva de oportunidade apenas quando o mercado oferece desconto relevante.

E janeiro? A Bolsa pode cair?

Com base nos sinais atuais, o cenário é o seguinte:

  • Não há pânico no mercado, pois a queda dos juros americanos compensa o atraso brasileiro;

  • A Selic deve continuar caindo, embora mais tarde;

  • Eleições + dividendos antecipados podem gerar forte volatilidade;

  • Janeiro pode marcar correções, mas não um movimento estrutural de baixa caso o fluxo estrangeiro permaneça positivo.

A chance de uma queda no início de 2026 existe — mas não é consenso, pois muitos fatores ainda jogam a favor da Bolsa.

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Mariana Duarte
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Mariana Duarte é jornalista formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com mais de 10 anos de experiência em redações de portais nacionais e especialização em jornalismo digital. Na A Revista, acompanha economia, empresas, mercados e tecnologia ligada a negócios. Trabalha com linguagem acessível, atribuição de fontes e verificação de dados e documentos.

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