O Banco BMG voltou a chamar a atenção dos investidores após divulgar crescimento do lucro, avanço da rentabilidade e manutenção de uma política consistente de remuneração aos acionistas. Negociada na B3 pelo ticker BMGB4, a ação também continua sendo avaliada abaixo do valor patrimonial do banco, fator que costuma despertar interesse de quem procura empresas potencialmente descontadas.
O preço baixo, entretanto, não deve ser analisado isoladamente. Apesar da melhora dos resultados, o Banco BMG ainda apresenta desafios relacionados à eficiência operacional, ao custo do crédito, ao nível de capital regulatório e às despesas com provisões.
Diante desse cenário, a questão não é apenas saber se BMGB4 está barata, mas entender se o desconto atual compensa os riscos envolvidos.
Banco BMG registra lucro de R$ 147 milhões
O Banco BMG encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 147 milhões. O resultado representa crescimento de 28% na comparação com o mesmo período de 2025.
A rentabilidade medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio, o ROAE, alcançou 15,3% ao ano. Um ano antes, esse indicador estava em 12,1%, demonstrando uma evolução na capacidade do banco de transformar seu patrimônio em lucro.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, porém, o lucro recuou 14,6%. Essa queda sequencial mostra que, embora o avanço anual seja relevante, os resultados ainda podem apresentar oscilações entre os trimestres.
Entre os fatores positivos do período estão a melhora do mix de produtos, o aumento da digitalização e a expansão do crédito consignado privado.

Carteira de crédito volta a crescer no trimestre
A carteira total de crédito do Banco BMG terminou março de 2026 em aproximadamente R$ 24,1 bilhões.
O volume representa uma retração de 10,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Na comparação com dezembro, no entanto, a carteira cresceu 3,9%, interrompendo a trajetória de redução observada ao longo do ano anterior.
O principal motor dessa retomada foi o consignado privado. A carteira dessa modalidade avançou de R$ 283 milhões no quarto trimestre de 2025 para R$ 875 milhões no primeiro trimestre de 2026.
O crescimento trimestral ficou próximo de 209%. A originação do produto, por sua vez, chegou a R$ 570 milhões, com alta de 180% no trimestre.
Esse movimento pode abrir uma nova frente de expansão para o banco, especialmente após as mudanças no crédito consignado destinado aos trabalhadores do setor privado. Entretanto, o crescimento acelerado também exige acompanhamento da qualidade das novas safras de crédito.
Inadimplência apresenta melhora anual
O índice de inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias terminou o primeiro trimestre em 3,7%.
O número representa uma redução de 0,4 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação trimestral, entretanto, houve aumento de 0,2 ponto percentual.
Portanto, a qualidade da carteira apresentou melhora na base anual, mas registrou uma pequena deterioração em relação ao trimestre anterior.
A margem financeira após o custo do crédito chegou a R$ 853 milhões, crescimento anual de 10,1%. O indicador mostra que o banco conseguiu ampliar o resultado de suas operações mesmo diante do aumento das provisões.
O custo de crédito, contudo, permanece como um dos principais pontos de atenção. A despesa líquida com provisões correspondeu a aproximadamente 6,4% da carteira média no trimestre.
Parte dessa pressão está relacionada ao reconhecimento antecipado de perdas esperadas nas novas operações, conforme as regras da Resolução nº 4.966.
Eficiência ainda está distante dos grandes bancos
O índice de eficiência do Banco BMG terminou março em 52,5%. Quanto menor esse indicador, melhor tende a ser a estrutura de custos da instituição financeira.
O resultado permanece acima dos níveis encontrados nos maiores bancos brasileiros, que geralmente operam com índices mais baixos.
As despesas administrativas e operacionais somaram cerca de R$ 608 milhões no trimestre, crescimento de 10,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Entre as pressões estão as provisões relacionadas a processos judiciais de natureza cível, que atingiram aproximadamente R$ 161 milhões.
Embora o Banco BMG tenha melhorado a rentabilidade, o controle das despesas será fundamental para sustentar o crescimento dos lucros nos próximos períodos.

Índice de Basileia merece acompanhamento
O Índice de Basileia do Banco BMG ficou em 12,9% ao final do primeiro trimestre de 2026.
O indicador permanece acima do mínimo regulatório, mas oferece uma margem de segurança menor do que a apresentada por algumas instituições financeiras de maior porte.
O Índice de Basileia mede a relação entre o capital disponível do banco e os riscos assumidos em suas operações. Quanto maior o índice, maior tende a ser a capacidade de absorver perdas inesperadas.
Uma expansão acelerada da carteira pode consumir capital. Por isso, o crescimento do consignado privado precisará ser acompanhado pela geração de resultados e pela manutenção de níveis adequados de capital regulatório.
BMGB4 está abaixo do valor patrimonial
Em junho de 2026, BMGB4 era negociada perto de R$ 5,15 por ação, após acumular forte valorização nos últimos 12 meses.
Mesmo depois da alta, os indicadores apontavam um múltiplo preço sobre lucro, o P/L, próximo de 5,5 vezes. Já o preço sobre valor patrimonial, o P/VP, permanecia ao redor de 0,66 vez.
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| Cotação de BMGB4 | R$ 5,15 |
| P/L | 5,5 vezes |
| P/VP | 0,66 vez |
| Dividend yield em 2025 | 11,0% |
| ROAE no 1T26 | 15,3% |
| Índice de Basileia | 12,9% |
| Inadimplência acima de 90 dias | 3,7% |
| Índice de eficiência | 52,5% |
Um P/VP inferior a 1 indica que a ação está sendo negociada abaixo do valor contábil correspondente à participação do acionista no patrimônio líquido.
Isso não significa necessariamente que a ação esteja barata. O desconto também pode refletir a percepção do mercado sobre riscos, qualidade dos ativos, necessidade de capital, concentração em determinados produtos e capacidade de crescimento.
Banco BMG mantém histórico de dividendos
O Banco BMG distribuiu R$ 323,6 milhões em juros sobre capital próprio referentes ao exercício de 2025.
O valor bruto chegou a R$ 0,55 por ação, proporcionando dividend yield de 11% com base na cotação de encerramento daquele ano.
Em maio de 2026, o banco também pagou R$ 0,10 bruto por ação em juros sobre capital próprio referentes ao primeiro trimestre. Após a retenção de Imposto de Renda, o valor líquido ficou em R$ 0,08 por papel.
| Exercício | Provento bruto por ação | Dividend yield |
| 2021 | R$ 0,32 | 10,1% |
| 2022 | R$ 0,37 | 16,6% |
| 2023 | R$ 0,38 | 11,5% |
| 2024 | R$ 0,37 | 9,9% |
| 2025 | R$ 0,55 | 11,0% |
| 1T26 | R$ 0,10 | Não disponível |
O histórico recente mostra uma distribuição frequente de proventos. Ainda assim, pagamentos passados não garantem que os mesmos valores serão mantidos no futuro.
A remuneração dependerá da geração de lucro, das necessidades de capital e das decisões do conselho de administração.
Simulações indicam diferentes preços-teto
Considerando apenas simulações matemáticas de dividendos, é possível estimar quanto um investidor poderia pagar para buscar determinados dividend yields.
Os cálculos não representam garantia de retorno nem projeção oficial do Banco BMG.
Cenário baseado na média histórica
Com provento anual de R$ 0,39 por ação:
| Dividend yield desejado | Preço-teto estimado |
| 6% | R$ 6,50 |
| 8% | R$ 4,88 |
| 10% | R$ 3,90 |
Cenário conservador
Com provento anual simulado de R$ 0,44:
| Dividend yield desejado | Preço-teto estimado |
| 6% | R$ 7,33 |
| 8% | R$ 5,50 |
| 10% | R$ 4,40 |
Cenário otimista
Com provento anual simulado de R$ 0,82:
| Dividend yield desejado | Preço-teto estimado |
| 6% | R$ 13,67 |
| 8% | R$ 10,25 |
| 10% | R$ 8,20 |
O cenário otimista exige crescimento elevado do lucro e manutenção de um payout próximo das médias mais altas do histórico. Por esse motivo, deve ser analisado com maior cautela.
A aplicação da Fórmula de Graham pode indicar um valor teórico superior ao preço de mercado. Entretanto, esse método utiliza informações contábeis passadas e não incorpora adequadamente riscos específicos de bancos, mudanças regulatórias, qualidade da carteira ou necessidade de capital.
Analistas enxergam potencial mais limitado
O BB Investimentos manteve recomendação de compra para BMGB4 após os resultados do primeiro trimestre de 2026, com preço-alvo de R$ 5,60.
Em relação a uma cotação próxima de R$ 5,15, o potencial teórico seria inferior a 10%, sem considerar os proventos eventualmente pagos no período.
A estimativa é mais conservadora do que valores obtidos por fórmulas baseadas exclusivamente em patrimônio, lucro ou dividendos.
Essa diferença mostra por que o investidor não deve utilizar apenas uma fórmula de preço justo. Relatórios profissionais geralmente incluem projeções de crédito, provisões, despesas, capital regulatório e custo de oportunidade.
BMGB4 vale a pena?
O Banco BMG apresentou uma evolução relevante no lucro e na rentabilidade. O banco também preserva um histórico atrativo de proventos e negocia abaixo do valor patrimonial.
Por outro lado, o índice de eficiência continua elevado, o custo de crédito permanece pressionado e o Índice de Basileia precisa ser acompanhado diante da retomada da carteira.
Entre os pontos positivos estão o lucro recorrente de R$ 147 milhões, o ROAE de 15,3%, a expansão do consignado privado, a melhora anual da inadimplência e o dividend yield de 11% registrado em 2025.
Entre os riscos estão a margem de capital mais limitada, o aumento das provisões, as despesas judiciais, a concentração no crédito consignado e a possibilidade de os dividendos futuros ficarem abaixo das médias históricas.
BMGB4 pode continuar atraente para investidores que buscam renda e aceitam maior volatilidade. Entretanto, o desconto sobre o patrimônio não elimina os riscos operacionais e regulatórios do banco.
A decisão deve considerar o preço de entrada, a margem de segurança, a diversificação da carteira e o perfil de risco de cada investidor.
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