O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,81 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 4,5% sobre os três últimos meses do ano passado.
O resultado marcou o nono trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente e reforçou a recuperação operacional do banco. O retorno sobre o patrimônio líquido médio, conhecido como ROE, alcançou 15,8%, contra 14,4% um ano antes.
A margem financeira total somou aproximadamente R$ 20,1 bilhões, alta anual de 16,4%. A margem com clientes chegou a R$ 19,5 bilhões, enquanto a margem obtida com operações de mercado ficou em R$ 553 milhões.
A carteira de crédito expandida encerrou março em R$ 1,09 trilhão, com crescimento de 8,4% em 12 meses. O avanço foi puxado por operações com pessoas físicas e por empréstimos destinados às micro, pequenas e médias empresas.
Provisões aumentam e acendem sinal de atenção
Apesar da expansão do lucro, a qualidade da carteira de crédito continua entre os principais pontos acompanhados pelos investidores.
A inadimplência das operações vencidas há mais de 90 dias ficou em 4,2%, com leve avanço anual. As despesas relacionadas às perdas esperadas com crédito cresceram 24,1%.
Essas provisões são valores reservados pelo banco para cobrir possíveis calotes. O aumento foi influenciado por casos específicos no segmento de grandes empresas, operações antigas de crédito rural e programas emergenciais com dinâmica própria de recebimento.
O crescimento das provisões não anulou a melhora do lucro, mas indica que o Bradesco ainda precisa equilibrar a expansão da carteira com o controle do risco de crédito.
BBDC3 e BBDC4 mantêm JCP mensal
O Bradesco mantém um calendário de juros sobre capital próprio para suas ações ordinárias BBDC3 e preferenciais BBDC4.
Os valores mensais brutos são de R$ 0,0172 por BBDC3 e R$ 0,0190 por BBDC4. A ação preferencial recebe um valor 10% superior ao destinado à ação ordinária.
Os pagamentos de JCP sofrem retenção de 15% de Imposto de Renda, exceto para acionistas legalmente isentos.
| Pagamento | Data | BBDC3 bruto | BBDC4 bruto |
|---|---|---|---|
| JCP mensal de junho | 1º de julho | R$ 0,0172 | R$ 0,0190 |
| JCP complementar declarado em 2025 | 31 de julho | R$ 0,3512 | R$ 0,3863 |
| JCP mensal de julho | 3 de agosto | R$ 0,0172 | R$ 0,0190 |
| JCP intermediário | 30 de outubro | R$ 0,2703 | R$ 0,2973 |
O pagamento de 1º de julho será destinado aos investidores posicionados nas ações na data-base de 1º de junho.
Já o JCP complementar previsto para 31 de julho foi declarado em dezembro de 2025. Portanto, a distribuição será recebida somente por quem possuía os papéis na data-base de 29 de dezembro de 2025.
Para receber o pagamento mensal programado para 3 de agosto, o investidor deverá estar posicionado ao fim do pregão de 1º de julho.
Próximo grande anúncio ainda não está confirmado
O Bradesco já confirmou os pagamentos mensais de 2026 e o JCP intermediário previsto para outubro. Entretanto, não há confirmação oficial de uma nova distribuição extraordinária entre R$ 0,28 e R$ 0,32 por ação.
Esse intervalo citado em projeções de mercado se baseia no histórico do banco, mas não deve ser tratado como provento garantido. Uma nova remuneração dependerá da geração de lucro, das necessidades de capital e da aprovação do conselho de administração.
BBDC4 ainda oferece oportunidade?
Os resultados mostram que o Bradesco continua avançando em sua recuperação. O crescimento do lucro, a melhora da rentabilidade e a expansão da margem financeira fortalecem a avaliação do banco.
Por outro lado, a elevação das provisões e a inadimplência ainda elevada exigem cautela. Para o investidor de longo prazo, a decisão não deve considerar apenas os proventos, mas também a qualidade do crédito, a evolução do lucro e o preço pago pelas ações.
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