As ações do Banco do Brasil (BBAS3) seguem operando em zona técnica de atratividade, mesmo diante da expectativa de um resultado operacional mais fraco no 3º trimestre de 2025. A cotação atual, próxima de R$ 20,45, representa um desconto de aproximadamente 35% em relação ao valor patrimonial por ação (VPA), consolidando o ativo como subavaliado em múltiplos de mercado.
Atualmente, o papel negocia a 0,65x o valor patrimonial, patamar inferior à média histórica de 0,9x dos últimos cinco anos e compatível com períodos de estresse setorial. Historicamente, níveis abaixo de 0,7x indicam forte margem de segurança para entrada no ativo.
Indicadores fundamentais e múltiplos de valuation
O valor patrimonial por ação do Banco do Brasil é de R$ 31,76, com projeções do BTG Pactual indicando avanço para R$ 33 em 2025 e R$ 36 em 2026. Mantida a cotação atual, a ação é precificada a apenas 0,62x o VPA projetado para 2025 e 0,56x para 2026, o que reforça o potencial de valorização.
No campo dos múltiplos comparativos:
P/L (Preço/Lucro): 4,5x, abaixo da média setorial de 6,2x;
ROE (Retorno sobre Patrimônio): 20,4%, nível elevado para um banco estatal;
Dividend Yield (12M): 8,5%, superior à média dos pares privados;
P/VPA: 0,65x, evidenciando subprecificação estrutural.
Esses indicadores sugerem uma distorção relevante entre preço de mercado e valor intrínseco, especialmente considerando o histórico de lucratividade e distribuição de dividendos da instituição.
Análise do preço-teto e metodologia de cálculo
Com base nos dividendos pagos entre 2019 e 2024 — excluindo o atípico exercício de 2020 — o Banco do Brasil distribuiu um total de R$ 9,34, equivalente a uma média anual de R$ 1,86 por ação.
Adotando um dividend yield-alvo de 8%, o preço-teto calculado é de R$ 23,35 (R$ 1,86 ÷ 0,08). Como a cotação atual permanece abaixo desse limite, o papel oferece margem de compra com segurança e potencial de retorno superior à média da renda variável.
Modelos quantitativos de valuation reforçam esse diagnóstico. Segundo o InvestingPro, o valor justo estimado é de R$ 24,76, enquanto a fórmula de Benjamin Graham — que pondera lucro por ação e valor patrimonial — aponta um valor intrínseco de aproximadamente R$ 44,00, implicando upside superior a 110%.
Expectativa para resultados e dividendos
O Banco do Brasil divulgará seus resultados do 3º trimestre em 12 de novembro, e deve anunciar novos proventos na mesma data. Um segundo anúncio, referente ao quarto trimestre, é aguardado até 19 de novembro, conforme o cronograma histórico da companhia.
Considerando um lucro projetado de R$ 18 bilhões para 2025, o total estimado de dividendos no exercício é de R$ 0,94 por ação, dos quais R$ 0,57 já foram pagos no primeiro semestre. Restariam cerca de R$ 0,35 líquidos para o segundo semestre, ou R$ 0,17 por trimestre, configurando dividend yield anualizado próximo de 9%.
Mesmo em cenário de compressão de margens e aumento da inadimplência no segmento agro, o banco deve manter o payout entre 40% e 45%, garantindo fluxo de dividendos robusto e previsível.
Sob a ótica fundamentalista, BBAS3 combina valuation atrativo, alto retorno sobre patrimônio e consistência operacional, com métricas que sugerem potencial de valorização relevante no médio prazo.
A análise de múltiplos indica desconto frente ao valor contábil e peers privados, enquanto o histórico de rentabilidade reforça o perfil de empresa sólida, eficiente e com política de dividendos estável.
Com preço-teto de R$ 23,35, valor justo superior a R$ 24 e upside técnico acima de 100%, o Banco do Brasil se consolida como um dos ativos mais descontados da Bolsa, combinando segurança institucional, geração de caixa e retorno ao acionista acima da média do setor.
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