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Ações

As ações que mais encheram o bolso dos investidores em 2025 e que pode repetir os dividendos em 2026

Ranking revela empresas que distribuíram bilhões em proventos em 2025 e aponta quais ações seguem com fôlego para manter dividendos elevados em 2026
Carlos MenezesPor Carlos Menezes21 de janeiro de 20265 minutos lidos
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O ano de 2025 foi marcado por uma distribuição histórica de proventos na Bolsa brasileira. Grandes empresas anteciparam pagamentos, elevaram payout e aproveitaram ciclos favoráveis de lucro, resultando em bilhões repassados aos acionistas.

No entanto, nem todos os dividendos pagos em 2025 devem se repetir com a mesma intensidade em 2026. Em vários casos, houve componentes extraordinários, enquanto outras companhias seguem com fundamentos sólidos e espaço para manter remuneração elevada.

Top 10 das maiores pagadoras de dividendos em 2025

PosiçãoEmpresaProventos pagos em 2025 (R$ bilhões)Variação vs. ano anterior
1Petrobras60,0-40%
2Itaú Unibanco55,0+100%
3Itaúsa21,7+70%
4Vale20,7-6%
5Ambev20,0Estável
6Auren Energia12,6+800%
7Bradesco9,0+50%
8JBS8,9+100%
9BB Seguridade8,55+60%
10Rede D’Or7,6+416%

Rede D’Or (Top 10): pagamento elevado, mas pouco recorrente

Apesar do forte crescimento no volume distribuído, grande parte dos dividendos da Rede D’Or em 2025 teve caráter extraordinário. O histórico recente mostra pagamentos modestos entre 2022 e 2024, o que reduz a expectativa de manutenção desse patamar em 2026. A leitura dominante é de um evento pontual, sem recorrência estrutural.

BB Seguridade: uma das maiores apostas em dividendos para 2026

A BB Seguridade se consolidou como uma das empresas mais consistentes em geração de caixa e distribuição de proventos.

Mesmo em um período de desempenho mais fraco do banco controlador, os lucros da seguradora cresceram trimestre após trimestre. Para o exercício de 2025, estão previstos:

  • R$ 8,77 bilhões em dividendos já anunciados

  • Aproximadamente R$ 5 bilhões ainda em aberto

  • Valor estimado de R$ 2,60 por ação, já considerando correção pela Selic

Na cotação atual, isso representa dividend yield de cerca de 7,3% em apenas um pagamento semestral. No acumulado de 2026, o mercado projeta:

PeríodoDividendos estimados (R$/ação)Dividend Yield aproximado
Até agosto/20264,35~12%
Até fevereiro/20276,40~18%

Esse perfil coloca a BB Seguridade entre as principais pagadoras recorrentes da Bolsa.

Bradesco: lucros em recuperação sustentam dividendos

O Banco Bradesco apresentou crescimento de lucro pelo terceiro ano consecutivo. Com expansão mais contida da carteira de crédito e melhora na eficiência operacional, o banco tende a sustentar payout entre 50% e 60%.

A combinação de lucro por ação em alta e reprecificação gradual das ações reforça a perspectiva de dividendos estáveis em 2026.

Auren Energia: gigante elétrica pouco comentada, mas estratégica

A Auren Energia chamou atenção pelo salto expressivo nos dividendos em 2025. A empresa possui:

  • Forte presença em geração (cerca de 60% da receita)

  • Participação relevante em transmissão

  • Ativos não controlados avaliados em mais de R$ 6 bilhões

  • Ativos ilíquidos com valor patrimonial próximo de R$ 26 bilhões

Nos últimos 12 meses, o dividend yield ficou próximo de 9%, com projeções entre 8% e 9% para 2026. A sinalização de uma possível nova política de dividendos, inclusive com pagamentos mais frequentes, pode destravar valor adicional.

Vale: custos baixos e menos desembolsos elevam potencial de caixa

A Vale segue entre as maiores pagadoras, mesmo com leve retração nos dividendos.

Pontos que reforçam a tese para 2026:

  • Redução de custos fixos nominais

  • Um dos menores custos de produção de minério do mundo

  • Queda relevante nos desembolsos com acordos e passivos

  • Alavancagem controlada, próxima de 1x dívida líquida/Ebitda

Além disso, a valorização do cobre e do níquel, que já representam parcela relevante do resultado, tende a fortalecer o caixa e abrir espaço para dividendos adicionais ou recompras.

Itaú e Itaúsa: dividendos elevados, mas com ajuste de expectativa

O Itaú Unibanco liderou o ranking bancário com folga, enquanto a Itaúsa repassou integralmente os proventos recebidos.

Apesar de alguns indicadores apontarem dividend yield acima de dois dígitos, parte desse número reflete antecipações e pagamentos concentrados. O cenário mais realista para 2026 indica:

  • Dividend yield recorrente entre 8% e 9%

  • Lucros em crescimento

  • Retorno sobre patrimônio elevado

  • Política conservadora de capital

Petrobras: dividendos mais modestos, porém ainda atrativos

A Petrobras liderou o ranking absoluto, mas com queda expressiva frente a 2024.

A redução ocorreu principalmente por:

  • Aumento dos investimentos

  • Queda no preço do petróleo

  • Menor geração de caixa extraordinária

Com o petróleo em torno de US$ 60 o barril, a estimativa mais conservadora aponta para:

CenárioDividend Yield estimado
Curto prazo8% a 9%
Médio prazo10% a 11%
Cenário favorávelaté 15%

O patamar acima de 20% observado no passado não deve se repetir, exigindo uma leitura mais realista do papel.

O que o ranking de 2025 revela para 2026

O levantamento mostra que:

  • Dividendos extraordinários não garantem recorrência

  • Empresas com lucro previsível tendem a manter pagamentos elevados

  • Setores financeiro, elétrico e de commodities seguem dominando o ranking

  • O investidor precisa separar eventos pontuais de fundamentos estruturais

Diversas companhias do top 10 seguem bem posicionadas para continuar remunerando o acionista em 2026, com destaque para BB Seguridade, Itaú, Itaúsa, Bradesco e parte do setor elétrico.

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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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