O ano de 2025 foi marcado por uma distribuição histórica de proventos na Bolsa brasileira. Grandes empresas anteciparam pagamentos, elevaram payout e aproveitaram ciclos favoráveis de lucro, resultando em bilhões repassados aos acionistas.
No entanto, nem todos os dividendos pagos em 2025 devem se repetir com a mesma intensidade em 2026. Em vários casos, houve componentes extraordinários, enquanto outras companhias seguem com fundamentos sólidos e espaço para manter remuneração elevada.
Top 10 das maiores pagadoras de dividendos em 2025
| Posição | Empresa | Proventos pagos em 2025 (R$ bilhões) | Variação vs. ano anterior |
|---|---|---|---|
| 1 | Petrobras | 60,0 | -40% |
| 2 | Itaú Unibanco | 55,0 | +100% |
| 3 | Itaúsa | 21,7 | +70% |
| 4 | Vale | 20,7 | -6% |
| 5 | Ambev | 20,0 | Estável |
| 6 | Auren Energia | 12,6 | +800% |
| 7 | Bradesco | 9,0 | +50% |
| 8 | JBS | 8,9 | +100% |
| 9 | BB Seguridade | 8,55 | +60% |
| 10 | Rede D’Or | 7,6 | +416% |
Rede D’Or (Top 10): pagamento elevado, mas pouco recorrente
Apesar do forte crescimento no volume distribuído, grande parte dos dividendos da Rede D’Or em 2025 teve caráter extraordinário. O histórico recente mostra pagamentos modestos entre 2022 e 2024, o que reduz a expectativa de manutenção desse patamar em 2026. A leitura dominante é de um evento pontual, sem recorrência estrutural.
BB Seguridade: uma das maiores apostas em dividendos para 2026
A BB Seguridade se consolidou como uma das empresas mais consistentes em geração de caixa e distribuição de proventos.
Mesmo em um período de desempenho mais fraco do banco controlador, os lucros da seguradora cresceram trimestre após trimestre. Para o exercício de 2025, estão previstos:
R$ 8,77 bilhões em dividendos já anunciados
Aproximadamente R$ 5 bilhões ainda em aberto
Valor estimado de R$ 2,60 por ação, já considerando correção pela Selic
Na cotação atual, isso representa dividend yield de cerca de 7,3% em apenas um pagamento semestral. No acumulado de 2026, o mercado projeta:
| Período | Dividendos estimados (R$/ação) | Dividend Yield aproximado |
|---|---|---|
| Até agosto/2026 | 4,35 | ~12% |
| Até fevereiro/2027 | 6,40 | ~18% |
Esse perfil coloca a BB Seguridade entre as principais pagadoras recorrentes da Bolsa.
Bradesco: lucros em recuperação sustentam dividendos
O Banco Bradesco apresentou crescimento de lucro pelo terceiro ano consecutivo. Com expansão mais contida da carteira de crédito e melhora na eficiência operacional, o banco tende a sustentar payout entre 50% e 60%.
A combinação de lucro por ação em alta e reprecificação gradual das ações reforça a perspectiva de dividendos estáveis em 2026.
Auren Energia: gigante elétrica pouco comentada, mas estratégica
A Auren Energia chamou atenção pelo salto expressivo nos dividendos em 2025. A empresa possui:
Forte presença em geração (cerca de 60% da receita)
Participação relevante em transmissão
Ativos não controlados avaliados em mais de R$ 6 bilhões
Ativos ilíquidos com valor patrimonial próximo de R$ 26 bilhões
Nos últimos 12 meses, o dividend yield ficou próximo de 9%, com projeções entre 8% e 9% para 2026. A sinalização de uma possível nova política de dividendos, inclusive com pagamentos mais frequentes, pode destravar valor adicional.
Vale: custos baixos e menos desembolsos elevam potencial de caixa
A Vale segue entre as maiores pagadoras, mesmo com leve retração nos dividendos.
Pontos que reforçam a tese para 2026:
Redução de custos fixos nominais
Um dos menores custos de produção de minério do mundo
Queda relevante nos desembolsos com acordos e passivos
Alavancagem controlada, próxima de 1x dívida líquida/Ebitda
Além disso, a valorização do cobre e do níquel, que já representam parcela relevante do resultado, tende a fortalecer o caixa e abrir espaço para dividendos adicionais ou recompras.
Itaú e Itaúsa: dividendos elevados, mas com ajuste de expectativa
O Itaú Unibanco liderou o ranking bancário com folga, enquanto a Itaúsa repassou integralmente os proventos recebidos.
Apesar de alguns indicadores apontarem dividend yield acima de dois dígitos, parte desse número reflete antecipações e pagamentos concentrados. O cenário mais realista para 2026 indica:
Dividend yield recorrente entre 8% e 9%
Lucros em crescimento
Retorno sobre patrimônio elevado
Política conservadora de capital
Petrobras: dividendos mais modestos, porém ainda atrativos
A Petrobras liderou o ranking absoluto, mas com queda expressiva frente a 2024.
A redução ocorreu principalmente por:
Aumento dos investimentos
Queda no preço do petróleo
Menor geração de caixa extraordinária
Com o petróleo em torno de US$ 60 o barril, a estimativa mais conservadora aponta para:
| Cenário | Dividend Yield estimado |
|---|---|
| Curto prazo | 8% a 9% |
| Médio prazo | 10% a 11% |
| Cenário favorável | até 15% |
O patamar acima de 20% observado no passado não deve se repetir, exigindo uma leitura mais realista do papel.
O que o ranking de 2025 revela para 2026
O levantamento mostra que:
Dividendos extraordinários não garantem recorrência
Empresas com lucro previsível tendem a manter pagamentos elevados
Setores financeiro, elétrico e de commodities seguem dominando o ranking
O investidor precisa separar eventos pontuais de fundamentos estruturais
Diversas companhias do top 10 seguem bem posicionadas para continuar remunerando o acionista em 2026, com destaque para BB Seguridade, Itaú, Itaúsa, Bradesco e parte do setor elétrico.
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