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Início » Últimas Notícias » As 5 ações mais baratas da Bolsa que quase ninguém quer comprar
Ações

As 5 ações mais baratas da Bolsa que quase ninguém quer comprar

Varejo, petróleo e tecnologia pressionados por resultados fracos e desconfiança, mas com múltiplos historicamente baixos e potencial de reprecificação.
Rafael CostaPor Rafael Costa20 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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Em um cenário de juros ainda elevados, crédito restrito e crescimento econômico moderado, parte relevante da Bolsa brasileira segue pressionada. Setores considerados arriscados, como varejo e empresas de turnaround operacional, tornaram-se o “patinho feio” do mercado.

Mesmo assim, algumas dessas companhias aparecem hoje entre as ações mais baratas da Bolsa, com múltiplos comprimidos, EV/EBIT em mínimas históricas e relação entre valor de mercado e patrimônio líquido próxima de 1.

A análise considera principalmente indicadores como EV/EBIT, geração de caixa operacional e book-to-market — métricas que historicamente sinalizam assimetria positiva quando bem combinadas.

A seguir, cinco empresas que o mercado praticamente desistiu, mas que aparecem entre as mais descontadas de 2026.

O varejo: o setor mais temido da Bolsa

O setor de varejo carrega um histórico de forte volatilidade e casos emblemáticos de destruição de valor, como:

  • Lojas Americanas

  • Ricardo Eletro

  • Mappin

O problema estrutural do setor envolve dois fatores centrais:

1. Margens líquidas extremamente apertadas

Pequenas oscilações de receita podem transformar lucro em prejuízo rapidamente.

2. Alta necessidade de capital

Parcelamentos longos pressionam o fluxo de caixa e expõem as empresas à inflação e ao custo do crédito.

Ainda assim, o próprio histórico mostra que o varejo pode gerar retornos extraordinários quando comprado nos momentos certos. A Magazine Luiza já acumulou valorização superior a 57.000% na década passada em seu ciclo de expansão.

Hoje, três empresas do setor aparecem entre as mais descontadas do mercado.

1. Lojas Renner (LREN3)

A Lojas Renner negocia atualmente com um dos menores níveis históricos de EV/EBIT desde que há série disponível.

Pontos relevantes:

  • EV/EBIT em mínima de múltiplos recentes

  • Forte geração de caixa operacional

  • Estrutura de capital mais sólida que concorrentes

  • Baixa alavancagem relativa ao setor

A compressão do múltiplo indica que o mercado precifica crescimento modesto ou risco elevado, abrindo espaço para reprecificação caso a rentabilidade normalize.

2. C&A Brasil (CEAB3)

A C&A negocia próxima ao seu patrimônio líquido, com relação valor de mercado x patrimônio bastante comprimida.

Destaques:

  • EV/EBIT abaixo da média dos últimos 4–5 anos

  • Book-to-market próximo de 1

  • Estrutura operacional em ajuste

Esse tipo de precificação indica que o mercado praticamente não atribui prêmio à operação futura.

3. Grupo Mateus (GMAT3)

Desde o IPO em 2020, o Grupo Mateus atravessa seu menor patamar de EV/EBIT.

Números relevantes:

  • Desvalorização superior a 30% desde os picos

  • Cotação próxima de R$ 5,60

  • EV/EBIT no menor nível desde abertura de capital

O mercado precifica desaceleração de crescimento, mas a companhia segue com expansão regional relevante no Norte e Nordeste.

Estratégia das ações mais baratas da Bolsa

Historicamente, carteiras compostas pelas empresas com menores múltiplos apresentaram retornos expressivos.

Entre 2004 e 2026:

  • Retorno acumulado superior a 3.200%

  • Ibovespa no mesmo período: aproximadamente 620%

  • Retorno médio anual estimado: 17% ao ano vs. 9% do índice

A estratégia não acerta todas as empresas, mas estatisticamente:

  • Erra metade

  • Quando acerta, os ganhos superam amplamente as perdas

4. Brava Energia (BRAV3)

Criada a partir da fusão entre Enauta e 3R Petroleum em 2024, a Brava Energia enfrenta desafios operacionais em campos offshore.

Cenário recente:

  • Queda superior a 60% desde a máxima histórica de 2022

  • Pressões operacionais em Papa Terra (Bacia de Campos)

  • EV/EBIT atrativo com earning yield estimado acima de 13%

Apesar das dificuldades pós-fusão, os múltiplos indicam precificação bastante descontada frente à geração potencial de caixa.

5. Valid (VLID3)

A Valid sofreu com:

  • Queda de lucro de aproximadamente 30%

  • Pressão na unidade de meios de pagamento

  • Redução nas renovações de CNHs após ampliação da validade para 10 anos

Ainda assim:

Indicadores atuais:

  • Book-to-market próximo de 1

  • Earning yield atrativo

  • Negociação próxima ao valor patrimonial

O mercado precifica estagnação estrutural, mas a diversificação da companhia pode suavizar os impactos.

Risco elevado, potencial elevado

Empresas em setores mal vistos tendem a negociar com desconto estrutural. A diferença entre prejuízo e oportunidade costuma estar na análise fria dos números.

O varejo exige precisão. Petróleo exige execução operacional. Tecnologia exige adaptação estrutural.

Mas quando múltiplos atingem mínimas históricas e o valor de mercado se aproxima do patrimônio líquido, o potencial de reprecificação aumenta.

 

Em 2026, parte das ações mais baratas da Bolsa está justamente onde o medo é maior — e é nesse tipo de ambiente que assimetrias costumam nascer.

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Rafael Costa
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Rafael Costa é editor de Tecnologia e Inovação, especialista em Blockchain e Web3, com pós-graduação em Finanças. Na A Revista, acompanha criptomoedas, tecnologia financeira, inovação e os efeitos dessas mudanças sobre empresas e mercados. Distingue uso efetivo, anúncios, projeções e riscos dos ativos digitais.

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