Apesar da queda pontual registrada na última sexta-feira, o Ibovespa acumula uma valorização expressiva de 16% nos últimos seis meses e 23% no acumulado de um ano. Porém, essa alta não foi acompanhada por todas as ações da bolsa. Diversos papéis permaneceram estagnados ou recuaram, mesmo sendo empresas de qualidade cenário que abre espaço para oportunidades assimétricas em 2026.
Entre as ações que ficaram para trás, chamam atenção empresas como Kepler Weber, PetroRecôncavo, Klabin e BB Seguridade, que apresentam fundamentos consistentes, ciclos favoráveis ou valuations atrativos. A análise a seguir aprofunda o momento de cada uma delas e os riscos e gatilhos que podem destravar valor.
Kepler Weber: virada à vista em meio ao ciclo do agronegócio
Mesmo com o avanço do Ibovespa, a Kepler Weber passou praticamente lateralizada em 2025. A companhia, altamente ligada ao agronegócio, depende diretamente da demanda por silos e estruturas de armazenagem ponto crítico no Brasil, que ainda apresenta déficit relevante de capacidade de estocagem de grãos.
A Kepler se beneficia de cinco verticais de negócios:
- Fazendas
- Agroindústrias
- Projetos internacionais
- Portos e terminais
- Serviços e reposição
Nos últimos trimestres, segmentos menores compensaram parcialmente a retração das agroindústrias, que registraram queda de 31% na receita devido ao cenário desafiador do agro. Destaque para:
- Negócios internacionais: +24%
- Portos e terminais: receita praticamente dobrada
A empresa, que roda praticamente sem dívidas, ainda assim é profundamente influenciada pelo preço da soja que permanece pressionado, mesmo com leve retomada no fim de 2025.
Entretanto, o 3T25 trouxe sinais de virada, com forte recuperação em relação ao trimestre anterior:
- Receita líquida: +36%
- EBITDA: +93%
- Retomada de margens operacionais
Se o ciclo do agronegócio voltar a se aquecer, Kepler é uma small cap que pode explodir em valorização, graças ao seu perfil cíclico e à alavancagem operacional elevada.
PetroRecôncavo: risco elevado, valuation barato e potencial explosivo
Entre as ações mais buscadas entre small caps, a PetroRecôncavo chama atenção pela queda de 31% no ano, contrastando com a alta do Ibovespa. O valuation está entre os mais baratos da bolsa:
- P/L de 5x
- P/VP de 0,7x
No entanto, o mercado reagiu à piora operacional temporária, com quedas na produtividade decorrentes de:
- Paradas simultâneas para manutenção
- Falhas no poço TIE 001
- Redução de produção de petróleo e gás nos ativos da Bahia e Potiguar
O cenário macro também pressiona: projeções apontam para o barril do petróleo na faixa dos US$ 60–70 até 2027, o que reduz a margem das pequenas petroleiras.
Por outro lado, há fatores positivos importantes:
- 50% do resultado vem do gás natural, menos volátil
- A empresa investiu fortemente em logística para ganhar eficiência
- OPEP promete conter produção para evitar queda excessiva no barril
O risco existe mas está precificado. Em um cenário de retomada do petróleo, a ação pode entregar valorizações fortes e dividendos elevados.
Klabin: empresa de qualidade que pode surpreender no ciclo da celulose
Enquanto o Ibovespa subiu 23% em 12 meses, as ações da Klabin derreteram cerca de 20%. Mas os fundamentos contam outra história.
A companhia tem vantagens competitivas duráveis:
- Florestas próprias altamente produtivas
- Mais de um século de expertise em modulação de portfólio
- Capacidade de migrar produção entre celulose, papel cartão, kraftliner e papelão conforme o ciclo
Mesmo com a celulose em “fundo do poço”, a Klabin conseguiu:
- Manter a receita líquida estável
- Expandir EBITDA
- Melhorar margens (EBITDA ajustado saiu de 36% para 39%)
- Avançar no ramp-up da Puma II
- Reduzir alavancagem gradualmente
Se a celulose retomar sua tendência (algo esperado para 2026–2027), a Klabin pode caminhar rumo aos R$ 5,00 – R$ 6,00 por ação, com dividendos crescentes nos próximos anos.
Um case sólido, previsível e subavaliado.
BB Seguridade: o “zagueiro” defensivo que continua barato
Mesmo com características defensivas, a BB Seguridade recuou 3% no ano, enquanto o Ibovespa disparou. Porém, os resultados seguem fortes:
- Lucro líquido do 3T25: R$ 2,6 bilhões
- Crescimento anual de 13%
- Resultado financeiro turbinado pela Selic elevada (+55%)
É uma empresa que se beneficia tanto de cenários adversos (Selic alta) quanto de ciclos de maior demanda por seguros (economia aquecida).
Valuation atrativo:
- P/L de 7,6x (abaixo da média histórica)
- Preço justo estimado: ~R$ 40,00
- Dividend yield projetado para 2026: 10% a 12%
Riscos no radar:
- Queda do agro pode reduzir contratação de seguro rural
- Renovação do contrato com Banco do Brasil deve acontecer pós-eleições de 2026, possivelmente com termos menos favoráveis
Ainda assim, é um ativo claro para investidores que desejam previsibilidade, resiliência e dividendos robustos.
BB Seguridade x Banco do Brasil: qual é a opção mais segura hoje?
Na comparação final, a BB Seguridade leva vantagem pela previsibilidade, menor exposição à inadimplência e modelo mais perene.
O Banco do Brasil depende mais do ciclo econômico e da qualidade de crédito, enquanto a seguradora transforma juros altos e estabilidade operacional em dividendos consistentes.
Para quem busca segurança e geração de renda, a BB Seguridade é hoje a opção mais óbvia.
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