O setor elétrico costuma ocupar espaço relevante nas carteiras voltadas para renda porque reúne negócios regulados, receitas relativamente previsíveis e empresas com histórico de distribuição de dividendos. Mas colocar todas as elétricas no mesmo grupo pode esconder diferenças importantes.
Uma comparação recente envolvendo 12 companhias listadas analisou rentabilidade, eficiência, dividendos, crescimento dos lucros e preço relativo à média histórica. Na metodologia apresentada, Taesa, ENGIE Brasil e ISA Energia ficaram entre os destaques, embora cada uma tenha características bastante diferentes.
TAEE11 combina margens elevadas e foco em transmissão
A Taesa atua essencialmente em transmissão, segmento conhecido pela previsibilidade da Receita Anual Permitida, a RAP.

No segundo trimestre, a companhia registrou receita líquida regulatória de aproximadamente R$ 679 milhões, alta de 9,3% em um ano. O EBITDA regulatório alcançou cerca de R$ 577 milhões, enquanto o lucro líquido regulatório ficou em R$ 206,8 milhões.
A política de remuneração também merece atenção. Desde 2025, a intenção da companhia é propor distribuição equivalente a 90% a 100% do lucro líquido regulatório, embora a decisão definitiva dependa dos órgãos societários. O dividend yield registrado em 2025 foi de 7%.
O outro lado dessa estratégia está no balanço. Considerando participações proporcionalmente consolidadas, a relação dívida líquida/EBITDA chegou a 4,2 vezes no 2T26.
EGIE3 mostra força operacional, mas lucro exige atenção
A ENGIE Brasil possui um perfil mais diversificado, com geração, comercialização e transmissão.
No 2T26, a receita operacional líquida atingiu R$ 3,51 bilhões, crescimento de 13,8%. O EBITDA ajustado avançou 16,8%, para R$ 2,18 bilhões, enquanto o lucro líquido ajustado foi de R$ 694 milhões, alta de 23%.
O lucro contábil foi bem maior, chegando a aproximadamente R$ 1,96 bilhão. Entretanto, houve efeito extraordinário ligado à repactuação do Uso do Bem Público. Por isso, para avaliar a evolução recorrente do negócio, o resultado ajustado oferece uma comparação mais adequada com períodos anteriores.
ISAE4 acelera com novos projetos de transmissão
A ISA Energia também concentra suas operações em transmissão, mas atravessa uma fase de expansão.
A empresa encerrou o 2T26 com R$ 1,24 bilhão de receita líquida, avanço de 21%. O EBITDA chegou a R$ 966,9 milhões, 22% superior ao registrado um ano antes.
O crescimento foi impulsionado principalmente pela entrada em operação de projetos greenfield e reforços e melhorias na rede. Em julho, a empresa ainda concluiu um follow-on primário de R$ 1,2 bilhão, movimento destinado a fortalecer sua estrutura de capital.
O lucro líquido do trimestre, entretanto, ficou em aproximadamente R$ 174 milhões, pressionado por despesas financeiras e itens não recorrentes.
Os números mostram negócios com propostas diferentes
| Companhia | Receita 2T26 | EBITDA 2T26 | Lucro usado na análise |
| Taesa | R$ 679 mi | R$ 577 mi | R$ 207 mi |
| ENGIE Brasil | R$ 3,51 bi | R$ 2,18 bi | R$ 694 mi |
| ISA Energia | R$ 1,24 bi | R$ 967 mi | R$ 174 mi |
Os dados usam métricas divulgadas por cada companhia e não possuem exatamente a mesma base contábil.
Para o investidor, portanto, a comparação não termina no dividend yield. TAEE11 apresenta forte característica de distribuição e previsibilidade; EGIE3 combina geração e transmissão com maior diversificação; e ISAE4 atravessa um ciclo relevante de expansão da infraestrutura.
A própria análise que originou a comparação reconhece que alterar o peso atribuído a dividendos, crescimento, preço ou rentabilidade pode modificar a conclusão.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






