terça-feira, 22 de setembro de 2026
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BBAS3 sobe, mas novos números mudam a leitura sobre as ações do Banco do Brasil

Revisões de lucro, crédito mais pressionado e cautela dos bancos de análise colocam a recente valorização das ações do BB sob observação.

3 min de leitura

As ações do Banco do Brasil voltaram a ganhar atenção dos investidores após uma recuperação recente na Bolsa, mas a melhora das cotações ocorre enquanto analistas ainda enxergam obstáculos importantes para uma recuperação mais consistente dos resultados.

Na quarta-feira, 16 de setembro, o JPMorgan reduziu suas estimativas para o banco e manteve recomendação neutra para BBAS3. O preço-alvo para dezembro de 2027 passou de R$ 24 para R$ 22.

O movimento reforça uma diferença importante para o investidor: valorização da ação no curto prazo e melhora operacional do banco não necessariamente acontecem ao mesmo tempo.

JPMorgan corta projeção de lucro do Banco do Brasil

Para 2026, o JPMorgan passou a projetar lucro recorrente de R$ 16,879 bilhões, com retorno sobre o patrimônio, o ROE, próximo de 9%.

Para 2027, a estimativa ficou em R$ 23,524 bilhões, aproximadamente 12% abaixo da projeção anterior do banco, embora represente uma recuperação em relação ao resultado esperado para 2026.

IndicadorProjeção
Lucro recorrente 2026R$ 16,879 bilhões
ROE estimado 20269%
Lucro estimado 2027R$ 23,524 bilhões
ROE estimado 2027Cerca de 12%
Preço-alvo BBAS3R$ 22
RecomendaçãoNeutra

A leitura dos analistas considera principalmente a necessidade de provisões maiores, a pressão sobre a qualidade do crédito e resultados mais fracos em algumas linhas de receita.

Inadimplência continua no centro das atenções

Os números oficiais do Banco do Brasil ajudam a explicar a cautela.

No segundo trimestre de 2026, o BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 13,9% diante do trimestre anterior. A margem financeira bruta alcançou R$ 27,5 bilhões e a carteira ampliada de crédito superou R$ 1,3 trilhão.

Ao mesmo tempo, o índice de inadimplência acima de 90 dias terminou junho em 5,61%, enquanto o custo do crédito chegou a R$ 18,5 bilhões no trimestre.

O agronegócio permanece como uma das principais áreas monitoradas pelo mercado. A carteira do segmento alcançou R$ 421,6 bilhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,1% em 12 meses, mas a qualidade desses ativos continua entre as principais incertezas consideradas nas projeções dos analistas.

Outros analistas também mantêm cautela com BBAS3

A postura não está restrita ao JPMorgan.

Análises recentes de Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI mantiveram avaliação neutra para BBAS3, mesmo após a recuperação das ações.

Parte da movimentação recente também tem sido associada por casas de análise a fluxos de curto prazo e à volatilidade esperada no período eleitoral. Essa interpretação, porém, representa uma avaliação dos analistas e não significa necessariamente uma mudança nos fundamentos econômicos do banco.

O que observar nas ações do Banco do Brasil agora

Para quem acompanha BBAS3, os próximos balanços ganham ainda mais importância.

A evolução da inadimplência, especialmente nas carteiras do agronegócio e de pessoas físicas, o custo das provisões, a margem financeira e a velocidade de recuperação do ROE devem ajudar a mostrar se a melhora operacional conseguirá acompanhar o movimento recente das ações.

Por enquanto, a combinação entre recuperação da cotação e revisões mais conservadoras para o lucro deixa BBAS3 em uma situação diferente daquela em que uma alta da Bolsa é acompanhada imediatamente por melhora equivalente nos resultados da companhia.

Felipe Andrade

Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha empresas, ações, commodities, câmbio, resultados corporativos e movimentos internacionais que influenciam a economia e as decisões dos investidores.

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