As ações do Banco do Brasil voltaram a ganhar atenção dos investidores após uma recuperação recente na Bolsa, mas a melhora das cotações ocorre enquanto analistas ainda enxergam obstáculos importantes para uma recuperação mais consistente dos resultados.
Na quarta-feira, 16 de setembro, o JPMorgan reduziu suas estimativas para o banco e manteve recomendação neutra para BBAS3. O preço-alvo para dezembro de 2027 passou de R$ 24 para R$ 22.

O movimento reforça uma diferença importante para o investidor: valorização da ação no curto prazo e melhora operacional do banco não necessariamente acontecem ao mesmo tempo.
JPMorgan corta projeção de lucro do Banco do Brasil
Para 2026, o JPMorgan passou a projetar lucro recorrente de R$ 16,879 bilhões, com retorno sobre o patrimônio, o ROE, próximo de 9%.
Para 2027, a estimativa ficou em R$ 23,524 bilhões, aproximadamente 12% abaixo da projeção anterior do banco, embora represente uma recuperação em relação ao resultado esperado para 2026.
| Indicador | Projeção |
| Lucro recorrente 2026 | R$ 16,879 bilhões |
| ROE estimado 2026 | 9% |
| Lucro estimado 2027 | R$ 23,524 bilhões |
| ROE estimado 2027 | Cerca de 12% |
| Preço-alvo BBAS3 | R$ 22 |
| Recomendação | Neutra |
A leitura dos analistas considera principalmente a necessidade de provisões maiores, a pressão sobre a qualidade do crédito e resultados mais fracos em algumas linhas de receita.
Inadimplência continua no centro das atenções
Os números oficiais do Banco do Brasil ajudam a explicar a cautela.
No segundo trimestre de 2026, o BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 13,9% diante do trimestre anterior. A margem financeira bruta alcançou R$ 27,5 bilhões e a carteira ampliada de crédito superou R$ 1,3 trilhão.
Ao mesmo tempo, o índice de inadimplência acima de 90 dias terminou junho em 5,61%, enquanto o custo do crédito chegou a R$ 18,5 bilhões no trimestre.
O agronegócio permanece como uma das principais áreas monitoradas pelo mercado. A carteira do segmento alcançou R$ 421,6 bilhões no segundo trimestre, com crescimento de 4,1% em 12 meses, mas a qualidade desses ativos continua entre as principais incertezas consideradas nas projeções dos analistas.
Outros analistas também mantêm cautela com BBAS3
A postura não está restrita ao JPMorgan.
Análises recentes de Itaú BBA, JPMorgan e Bradesco BBI mantiveram avaliação neutra para BBAS3, mesmo após a recuperação das ações.
Parte da movimentação recente também tem sido associada por casas de análise a fluxos de curto prazo e à volatilidade esperada no período eleitoral. Essa interpretação, porém, representa uma avaliação dos analistas e não significa necessariamente uma mudança nos fundamentos econômicos do banco.
O que observar nas ações do Banco do Brasil agora
Para quem acompanha BBAS3, os próximos balanços ganham ainda mais importância.
A evolução da inadimplência, especialmente nas carteiras do agronegócio e de pessoas físicas, o custo das provisões, a margem financeira e a velocidade de recuperação do ROE devem ajudar a mostrar se a melhora operacional conseguirá acompanhar o movimento recente das ações.
Por enquanto, a combinação entre recuperação da cotação e revisões mais conservadoras para o lucro deixa BBAS3 em uma situação diferente daquela em que uma alta da Bolsa é acompanhada imediatamente por melhora equivalente nos resultados da companhia.

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