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Início » Últimas Notícias » 3 ações ignoradas que podem pagar até 10% ao ano em 2026
Ações

3 ações ignoradas que podem pagar até 10% ao ano em 2026

Mesmo com a Bolsa em forte alta, empresas como Odontoprev, Marcopolo e Vulcabras apresentam múltiplos baixos, caixa sólido e projeções atrativas para o investidor de longo prazo.
Eduardo MartinsPor Eduardo Martins11 de fevereiro de 20264 minutos lidos
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3 ações ignoradas que podem pagar até 10% ao ano em 2026
3 ações ignoradas que podem pagar até 10% ao ano em 2026

Com diversas ações acumulando valorizações de 60%, 70% e até mais de 100% nos últimos ciclos, muitos investidores ficam com a sensação de que “chegaram tarde à festa”.

Mas será que, em meio à euforia, ainda existem ações esquecidas, negociando a preços atrativos e com potencial de dividendos relevantes para 2026?

Uma análise detalhada identificou três empresas com características em comum:

  • Múltiplos historicamente baixos

  • Baixo endividamento ou caixa líquido

  • Potencial de se beneficiar de queda da Selic

  • Projeções de dividendos consistentes até 2026

A seguir, destrinchamos os números sempre lembrando que se trata de análise informativa, não recomendação de investimento.

1. Odontoprev: a gigante defensiva que ficou para trás?

A Odontoprev é líder absoluta no setor de planos odontológicos no Brasil, com modelo de negócio baseado em assinaturas o que tende a gerar previsibilidade de receitas.

Principais números atuais:

  • Cotação: ~R$ 11,40

  • Dividend yield últimos 12 meses: ~8,5%

  • Valorização no período: apenas 12%

  • P/L abaixo de 11 (mínima histórica desde 2016)

  • ROE próximo de 44%

  • Dívida líquida negativa (mais caixa do que dívida)

O ponto que chama atenção é o P/L abaixo de 11, enquanto a média histórica gira em torno de 17. Isso sugere desconto relevante em relação ao próprio histórico.

Além disso:

  • EV/EBITDA em mínima histórica

  • Empresa altamente rentável

  • Estrutura financeira extremamente sólida

 Projeção para 2026

  • Dividendo estimado: ~R$ 1,04 por ação

  • Yield projetado: ~9%

  • Preço-teto estimado (8% de retorno alvo): R$ 12,96

  • Margem de segurança aproximada: 14%

A tese aqui é clara: empresa defensiva, rentável e com caixa forte negociando nos menores múltiplos da década.

Mas o ceticismo permanece: estaria o mercado antecipando crescimento menor ou maior competição?

2. Marcopolo: armadilha de dividendos ou oportunidade industrial?

A Marcopolo atua no setor de ônibus e veículos comerciais um segmento cíclico, fortemente dependente da economia.

Números recentes:

  • Cotação: ~R$ 6,40

  • P/L abaixo de 7

  • Dividend yield últimos 12 meses: quase 20%

Alerta importante: o dividendo recente foi extraordinário e não recorrente.

Quando ajustamos para um cenário sustentável:

Projeção realista para 2026

  • Dividendo estimado: R$ 0,53

  • Yield projetado: ~8,3%

  • Preço-teto estimado: R$ 6,65

  • Margem de segurança: apenas ~4%

Apesar dos múltiplos baixos e dívida controlada, a margem de segurança é estreita.

A lição aqui é clara: dividendos extraordinários podem inflar a percepção de oportunidade. Sem análise profunda, o investidor pode cair numa armadilha.

3. Vulcabras: o paradoxo da ação que já subiu 30%

A Vulcabras apresenta o caso mais intrigante.

Mesmo após subir cerca de 30% no último ano:

  • P/L abaixo de 5

  • P/VPA próximo das mínimas históricas

  • EV/EBITDA em patamar baixo

  • ROE de impressionantes 47%

  • Margem líquida de 34%

  • Endividamento controlado

Ou seja, mesmo com forte valorização, os fundamentos melhoraram ainda mais.

 Projeção para 2026

  • Payout estimado: 70%

  • Dividendo projetado: R$ 1,80

  • Yield estimado: ~10,2%

  • Preço-teto projetado: R$ 22,56

  • Margem de segurança: quase 28%

Entre as três, é a que apresenta maior potencial segundo essa metodologia.

Mas há risco: payout elevado pode reduzir capacidade de reinvestimento no futuro.

O grande debate: valor real ou armadilha?

Os dados mostram:

Múltiplos historicamente baixos
Empresas pouco endividadas
Potencial cenário macro favorável com queda da Selic
Projeções atrativas para 2026

Mas o outro lado do debate pondera:

  • Dividendos passados foram extraordinários e não recorrentes

  • Projeções são estimativas

  • O mercado pode estar precificando riscos ainda não totalmente visíveis

  • Setores diferentes respondem de formas distintas ao cenário macro

Oportunidade ou preço justo pelo risco?

A análise evidencia que ainda existem ações esquecidas negociando próximas das mínimas históricas, mesmo com o Ibovespa em patamares elevados.

A combinação de:

  • Múltiplos baixos

  • Alta rentabilidade

  • Balanços sólidos

  • Dividendos projetados entre 8% e 10%

forma uma tese atraente para investidores de longo prazo.

Por outro lado, confiar apenas no histórico pode ser perigoso. O mercado pode estar precificando mudanças estruturais, novos desafios competitivos ou menor crescimento futuro.

No fim, a grande provocação permanece:

Estamos diante de oportunidades ocultas que o mercado ignorou — ou de armadilhas de valor disfarçadas de barganha?

Como sempre, em renda variável, risco é parte do jogo. A análise profunda de cada negócio continua sendo indispensável antes de qualquer decisão.

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Eduardo Martins
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Eduardo Martins é planejador financeiro certificado (CFP®) e consultor de investimentos, com mais de 10 anos de experiência no mercado financeiro. Na A Revista, explica renda fixa, fundos imobiliários, dividendos, simulações de quanto rende e planejamento financeiro. Apresenta premissas, custos, tributação e riscos, sem converter cenários em promessa de retorno.

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