Com diversas ações acumulando valorizações de 60%, 70% e até mais de 100% nos últimos ciclos, muitos investidores ficam com a sensação de que “chegaram tarde à festa”.
Mas será que, em meio à euforia, ainda existem ações esquecidas, negociando a preços atrativos e com potencial de dividendos relevantes para 2026?
Uma análise detalhada identificou três empresas com características em comum:
- Múltiplos historicamente baixos
- Baixo endividamento ou caixa líquido
- Potencial de se beneficiar de queda da Selic
- Projeções de dividendos consistentes até 2026
A seguir, destrinchamos os números sempre lembrando que se trata de análise informativa, não recomendação de investimento.
1. Odontoprev: a gigante defensiva que ficou para trás?
A Odontoprev é líder absoluta no setor de planos odontológicos no Brasil, com modelo de negócio baseado em assinaturas o que tende a gerar previsibilidade de receitas.
Principais números atuais:
- Cotação: ~R$ 11,40
- Dividend yield últimos 12 meses: ~8,5%
- Valorização no período: apenas 12%
- P/L abaixo de 11 (mínima histórica desde 2016)
- ROE próximo de 44%
- Dívida líquida negativa (mais caixa do que dívida)
O ponto que chama atenção é o P/L abaixo de 11, enquanto a média histórica gira em torno de 17. Isso sugere desconto relevante em relação ao próprio histórico.
Além disso:
- EV/EBITDA em mínima histórica
- Empresa altamente rentável
- Estrutura financeira extremamente sólida
Projeção para 2026
- Dividendo estimado: ~R$ 1,04 por ação
- Yield projetado: ~9%
- Preço-teto estimado (8% de retorno alvo): R$ 12,96
- Margem de segurança aproximada: 14%
A tese aqui é clara: empresa defensiva, rentável e com caixa forte negociando nos menores múltiplos da década.
Mas o ceticismo permanece: estaria o mercado antecipando crescimento menor ou maior competição?
2. Marcopolo: armadilha de dividendos ou oportunidade industrial?
A Marcopolo atua no setor de ônibus e veículos comerciais um segmento cíclico, fortemente dependente da economia.
Números recentes:
- Cotação: ~R$ 6,40
- P/L abaixo de 7
- Dividend yield últimos 12 meses: quase 20%
Alerta importante: o dividendo recente foi extraordinário e não recorrente.
Quando ajustamos para um cenário sustentável:
Projeção realista para 2026
- Dividendo estimado: R$ 0,53
- Yield projetado: ~8,3%
- Preço-teto estimado: R$ 6,65
- Margem de segurança: apenas ~4%
Apesar dos múltiplos baixos e dívida controlada, a margem de segurança é estreita.
A lição aqui é clara: dividendos extraordinários podem inflar a percepção de oportunidade. Sem análise profunda, o investidor pode cair numa armadilha.
3. Vulcabras: o paradoxo da ação que já subiu 30%
A Vulcabras apresenta o caso mais intrigante.
Mesmo após subir cerca de 30% no último ano:
- P/L abaixo de 5
- P/VPA próximo das mínimas históricas
- EV/EBITDA em patamar baixo
- ROE de impressionantes 47%
- Margem líquida de 34%
- Endividamento controlado
Ou seja, mesmo com forte valorização, os fundamentos melhoraram ainda mais.
Projeção para 2026
- Payout estimado: 70%
- Dividendo projetado: R$ 1,80
- Yield estimado: ~10,2%
- Preço-teto projetado: R$ 22,56
- Margem de segurança: quase 28%
Entre as três, é a que apresenta maior potencial segundo essa metodologia.
Mas há risco: payout elevado pode reduzir capacidade de reinvestimento no futuro.
O grande debate: valor real ou armadilha?
Os dados mostram:
Múltiplos historicamente baixos
Empresas pouco endividadas
Potencial cenário macro favorável com queda da Selic
Projeções atrativas para 2026
Mas o outro lado do debate pondera:
- Dividendos passados foram extraordinários e não recorrentes
- Projeções são estimativas
- O mercado pode estar precificando riscos ainda não totalmente visíveis
- Setores diferentes respondem de formas distintas ao cenário macro
Oportunidade ou preço justo pelo risco?
A análise evidencia que ainda existem ações esquecidas negociando próximas das mínimas históricas, mesmo com o Ibovespa em patamares elevados.
A combinação de:
- Múltiplos baixos
- Alta rentabilidade
- Balanços sólidos
- Dividendos projetados entre 8% e 10%
forma uma tese atraente para investidores de longo prazo.
Por outro lado, confiar apenas no histórico pode ser perigoso. O mercado pode estar precificando mudanças estruturais, novos desafios competitivos ou menor crescimento futuro.
No fim, a grande provocação permanece:
Estamos diante de oportunidades ocultas que o mercado ignorou — ou de armadilhas de valor disfarçadas de barganha?
Como sempre, em renda variável, risco é parte do jogo. A análise profunda de cada negócio continua sendo indispensável antes de qualquer decisão.
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