O Banrisul (BRSR6) voltou ao centro das atenções após divulgar um balanço considerado fraco pelo mercado no primeiro trimestre de 2026. O banco registrou lucro líquido de R$ 221,6 milhões, queda de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, em um trimestre marcado por rentabilidade baixa, aumento do custo de crédito e piora nos indicadores de inadimplência.
Embora o banco ainda negocie com múltiplos aparentemente descontados, como preço sobre valor patrimonial baixo e dividend yield elevado, os números mostram que parte desse desconto reflete preocupações reais com a qualidade da carteira, a eficiência operacional e a capacidade de entregar retorno consistente ao acionista.
Principais números do Banrisul no 1T26
| Indicador | Resultado no 1T26 | Leitura para o investidor |
| Lucro líquido | R$ 221,6 milhões | Queda anual e forte recuo ante o 4T25 |
| Queda do lucro | -8,2% em 12 meses | Mostra perda de força no resultado |
| ROE/ROAE | 7,9% | Rentabilidade baixa para o setor bancário |
| Carteira de crédito | Cerca de R$ 64 bilhões | Crescimento ainda limitado |
| Inadimplência | 4,8% | Forte deterioração da qualidade do crédito |
| PDD líquida de recuperações | R$ 542 milhões | Pressão relevante sobre o lucro |
| Receita de crédito | R$ 2,85 bilhões | Alta de 12,6% em um ano |
| Recomendação da Genial | Rebaixada para manter | Cautela com rentabilidade e ativos |
O ponto positivo do trimestre foi o avanço das receitas de operações de crédito, que somaram R$ 2,85 bilhões, alta de 12,6% frente ao primeiro trimestre de 2025. Ainda assim, esse crescimento não foi suficiente para compensar a pressão das provisões, da inadimplência e da baixa rentabilidade.
ROE baixo mostra que o desconto da ação tem explicação
Um dos dados que mais chamaram atenção foi o ROE de 7,9%. Para um banco listado em Bolsa, esse patamar é considerado baixo, especialmente quando comparado a instituições privadas mais rentáveis e eficientes.
Na prática, o ROE mede quanto o banco consegue gerar de lucro sobre o patrimônio líquido. Quando esse retorno fica abaixo do custo de capital ou muito próximo de alternativas conservadoras de renda fixa, o mercado tende a pagar menos pela ação. Por isso, o Banrisul negocia com forte desconto em relação ao valor patrimonial.
Esse ponto é essencial para o investidor: uma ação barata no P/VPA não significa necessariamente uma barganha. Em bancos com baixa rentabilidade, inadimplência em alta e lucro pressionado, o desconto pode ser uma forma de o mercado precificar riscos maiores.
Lucro dos últimos 12 meses exige cautela
Outro ponto de atenção está no indicador preço/lucro. À primeira vista, o múltiplo pode parecer extremamente baixo. No entanto, parte do lucro acumulado em 12 meses foi influenciada por efeitos extraordinários no quarto trimestre de 2025.
Segundo análise da Genial Investimentos, o 4T25 teve lucro líquido de R$ 657 milhões, beneficiado por reversão relevante de provisões fiscais. Já no 1T26, o lucro recuou para R$ 221,6 milhões, uma queda sequencial expressiva. Isso significa que o múltiplo olhando apenas os últimos 12 meses pode passar uma impressão mais otimista do que a realidade recorrente do banco.
Para 2026, o ponto central será observar se o Banrisul conseguirá recuperar lucro de forma operacional, e não apenas por eventos pontuais.
Inadimplência preocupa e pressiona provisões
O avanço da inadimplência é um dos principais riscos para o Banrisul neste momento. O índice chegou a 4,8%, com deterioração relevante da qualidade do crédito. Esse movimento exige aumento de provisões, o que reduz diretamente o lucro do banco.
No trimestre, as despesas de provisão líquidas de recuperações somaram R$ 542 milhões, alta de 62,1% em relação ao ano anterior, conforme análise da Genial. Esse dado reforça que o custo do crédito se tornou um dos principais fatores de pressão sobre o resultado.
A preocupação é que, se a inadimplência continuar elevada, o banco pode precisar reforçar ainda mais suas provisões nos próximos trimestres. Isso limitaria a recuperação do lucro, reduziria o ROE e poderia afetar a previsibilidade dos dividendos.
Crédito rural também entra no radar
O Banrisul tem forte presença regional no Rio Grande do Sul e exposição relevante a segmentos ligados à economia local. O crédito rural ganhou atenção especial porque bancos com carteiras expostas ao agro vêm sofrendo com piora de inadimplência e aumento de provisões em 2026.
Esse cenário também apareceu nos resultados do Banco do Brasil, que registrou forte queda no lucro no 1T26, pressionado pelo avanço da inadimplência no crédito rural. O paralelo ajuda a explicar por que o mercado tem olhado com mais cautela para bancos com exposição maior a esse tipo de carteira.
Dividendos seguem atrativos, mas podem perder força
O Banrisul costuma atrair investidores interessados em dividendos. O banco historicamente realiza pagamentos ao longo do ano, incluindo juros sobre capital próprio e dividendos.
No entanto, o investidor precisa diferenciar dividend yield passado de capacidade futura de distribuição. Se o lucro recorrente continuar pressionado por inadimplência, provisões e baixa eficiência, o espaço para manter dividendos elevados pode diminuir.
A análise do cenário sugere que a rentabilidade com dividendos ainda pode ser relevante, mas tende a depender diretamente da normalização do custo de crédito e da recuperação do ROE. Por isso, uma expectativa mais conservadora para 2026 parece mais prudente do que considerar apenas o yield recente.
Por que a ação caiu tanto?
A queda recente das ações do Banrisul reflete uma combinação de fatores: balanço fraco, ROE baixo, piora na qualidade do crédito e percepção de que o lucro dos últimos 12 meses não representa totalmente a geração recorrente do banco.
Além disso, analistas passaram a adotar postura mais cautelosa. A Genial rebaixou a recomendação para manter e revisou o preço-alvo para R$ 16,20, citando deterioração dos ativos, baixa rentabilidade e crescimento limitado da carteira.
Isso não significa que a ação não possa se recuperar em momentos de melhora do humor do mercado. Mas, para o longo prazo, o papel ainda precisa mostrar sinais mais claros de recuperação operacional.
Perspectivas para 2026: o que acompanhar em BRSR6
Para 2026, o Banrisul terá alguns desafios decisivos. O primeiro será controlar a inadimplência. Sem melhora na qualidade da carteira, o banco continuará pressionado por provisões elevadas.
O segundo ponto será recuperar rentabilidade. Um ROE abaixo de 8% limita a atratividade da ação, principalmente em um ambiente no qual a renda fixa ainda oferece retornos elevados com menor risco.
O terceiro fator será crescimento de receitas. A margem financeira teve avanço, mas a receita de prestação de serviços e a eficiência operacional ainda precisam melhorar para sustentar uma tese mais positiva.
Vale a pena investir em Banrisul (BRSR6)?
O Banrisul continua sendo uma ação de perfil mais arriscado dentro do setor bancário. O papel pode chamar atenção pelo preço descontado e pelos dividendos, mas o balanço do 1T26 mostra que o desconto tem fundamentos.
Para investidores de longo prazo, a tese depende de uma melhora clara em quatro pontos: queda da inadimplência, redução do custo de crédito, recuperação do ROE e crescimento mais consistente do lucro recorrente.
Enquanto esses sinais não aparecem, BRSR6 tende a ser vista com cautela. A ação pode até oferecer oportunidades em momentos de forte queda, mas ainda exige atenção redobrada, especialmente de quem busca dividendos previsíveis e valorização sustentável.
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