As ações da Braskem (BRKM5) voltaram a ganhar força na Bolsa em maio de 2026, impulsionadas por uma melhora na percepção do mercado sobre o setor petroquímico e pela elevação da recomendação do JPMorgan para os papéis. O banco passou a recomendar a ação como “overweight”, equivalente a uma visão mais positiva, e elevou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15. A reação foi imediata: no dia 12 de maio, BRKM5 chegou a subir mais de 17% durante o pregão, renovando máxima intradiária desde o fim de março.
Apesar do salto recente, a tese de investimento na Braskem ainda exige cautela. A companhia segue em um momento delicado, marcado por prejuízo bilionário, dívida elevada, pressão sobre margens e baixa previsibilidade operacional. O esboço inicial da análise já apontava esse contraste: a ação pode parecer descontada depois de quedas fortes no passado, mas o risco financeiro e operacional continua relevante.
Por que BRKM5 subiu tanto?
A alta recente da Braskem foi puxada principalmente pela expectativa de que 2026 possa ser um ano melhor para o setor petroquímico. Segundo a leitura do JPMorgan citada pela Reuters, desafios no mercado global e restrições logísticas no Oriente Médio ajudaram a apertar a oferta de petroquímicos, o que pode sustentar margens melhores no curto prazo.
Esse movimento reacendeu o interesse por empresas cíclicas, como a Braskem. Em companhias desse perfil, os resultados podem piorar muito em ciclos negativos, mas também podem reagir com força quando os spreads melhoram. No caso da Braskem, o mercado passou a precificar a possibilidade de recuperação gradual das margens, especialmente se a demanda e os preços dos produtos petroquímicos mostrarem reação nos próximos trimestres.
O problema é que essa expectativa ainda precisa aparecer de forma consistente nos balanços. Até agora, os dados financeiros mais recentes mostram uma empresa pressionada, com geração de caixa fraca e estrutura de capital considerada pesada.
Resultado de 2025 mostra tamanho do desafio
A Braskem encerrou 2025 com números ainda difíceis. No acumulado do ano, a companhia registrou receita líquida de R$ 70,717 bilhões, queda de 9% em relação a 2024. O Ebitda recorrente somou R$ 3,156 bilhões, recuo de 45%, enquanto o prejuízo líquido anual ficou em R$ 9,879 bilhões.
No quarto trimestre de 2025, o prejuízo líquido foi de R$ 10,284 bilhões, pressionado principalmente por baixa contábil de ativos fiscais diferidos. Embora esse efeito não tenha impacto direto relevante no caixa, o número reforçou a fragilidade do resultado final da companhia.
| Indicador da Braskem | Resultado recente | Leitura para BRKM5 |
|---|---|---|
| Receita líquida em 2025 | R$ 70,717 bilhões | Queda de 9% no ano |
| Ebitda recorrente em 2025 | R$ 3,156 bilhões | Recuo de 45% |
| Prejuízo líquido em 2025 | R$ 9,879 bilhões | Resultado ainda muito negativo |
| Prejuízo líquido no 4T25 | R$ 10,284 bilhões | Impactado por baixa contábil |
| Receita líquida no 4T25 | R$ 16,101 bilhões | Queda de 16% anual |
| Ebitda recorrente no 4T25 | R$ 589 milhões | Alta de 6% anual, mas em patamar baixo |
A leitura dos números mostra que a Braskem ainda não vive uma recuperação consolidada. Houve pontos positivos pontuais, como Ebitda trimestral acima de algumas estimativas, mas o patamar absoluto segue fraco diante do porte da empresa.
Dívida alta segue como maior sinal de alerta
O principal risco para BRKM5 continua sendo a alavancagem. Ao fim do quarto trimestre de 2025, o endividamento bruto corporativo da Braskem era de US$ 9,4 bilhões. A dívida líquida ajustada terminou o período em US$ 7,5 bilhões, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2024. A alavancagem corporativa ficou em 14,74 vezes, quase o dobro das 7,42 vezes registradas um ano antes.
Esse nível de endividamento limita a margem de manobra da empresa. Mesmo que o setor comece a melhorar, parte importante da geração operacional pode ser consumida por despesas financeiras, necessidade de capital de giro e compromissos de dívida.
O mercado também observou com preocupação a geração de caixa. Segundo análise publicada pelo Estadão E-Investidor, a Braskem reportou queima de caixa de US$ 140 milhões no 4T25, ainda que menor que no trimestre anterior. A empresa tinha cerca de US$ 2 bilhões em caixa, contra vencimentos estimados em aproximadamente US$ 1,5 bilhão em 2026.
Relatório operacional do 1T26 veio fraco
Antes da divulgação completa dos resultados do primeiro trimestre, o relatório operacional do 1T26 já trouxe sinais mistos. As ações tiveram comportamento volátil após os dados mostrarem queda nas vendas de resinas e químicos no Brasil, além de compressão de spreads. No exterior, houve alguma melhora operacional em Estados Unidos e Europa, mas o México pesou negativamente por causa da forte queda na taxa de utilização e nos volumes.
Segundo o Citi, os números operacionais do 1T26 reforçam que a companhia ainda atravessa um momento delicado. O banco destacou a deterioração no México, explicada por menor disponibilidade de etano, redução nas importações e menor oferta da Pemex. Ainda assim, o Citi também apontou melhora geral nos spreads na comparação trimestral, o que pode ser um primeiro sinal positivo para os próximos resultados.
Resultado do 1T26 é ponto-chave para o investidor
A própria área de Relações com Investidores da Braskem informa que a divulgação dos resultados do 1T26 está marcada para 13 de maio de 2026, após o fechamento do mercado, com webcast no dia 14 de maio.
Esse balanço será importante porque pode confirmar, ou frustrar, a tese de recuperação que ganhou força após a recomendação do JPMorgan. O investidor deve observar especialmente quatro pontos: evolução do Ebitda, geração de caixa, nível de alavancagem e comentários da administração sobre spreads petroquímicos.
Braskem é oportunidade ou risco?
A Braskem pode ser vista como uma ação de recuperação, mas não como uma tese tranquila. O papel tem potencial de valorização se o ciclo petroquímico melhorar, se os spreads avançarem e se a empresa conseguir reduzir a pressão financeira. Porém, a companhia ainda carrega riscos altos.
A ação BRKM5 costuma reagir com força a mudanças de percepção sobre o ciclo. Isso explica parte da disparada recente. Mas, do ponto de vista fundamentalista, a empresa ainda precisa provar que consegue transformar melhora operacional em caixa, reduzir alavancagem e estabilizar os resultados.
O que pesa contra BRKM5 agora
Entre os principais pontos negativos estão o prejuízo bilionário, a dívida elevada, a baixa previsibilidade dos resultados e a dependência de fatores externos. A Braskem não controla o preço internacional das resinas nem o custo de várias matérias-primas relevantes. Por isso, mesmo uma empresa com grande escala pode sofrer quando o ciclo global vira contra o setor.
Outro ponto de atenção é que a companhia ainda não é uma tese de dividendos. Com prejuízo elevado e alavancagem pressionada, a prioridade tende a ser preservação de caixa e reorganização financeira, não distribuição de proventos.
O que pode ajudar a ação
O lado positivo está na possibilidade de melhora dos spreads petroquímicos e na percepção de que 2026 pode ser menos ruim para o setor. A recomendação mais otimista do JPMorgan reforçou essa leitura e colocou BRKM5 novamente no radar dos investidores.
Além disso, qualquer avanço em governança, estrutura de capital ou mudança de controle pode mexer com a percepção de risco da companhia. A eleição de um novo conselho de administração no fim de abril, com Magda Chambriard na presidência do colegiado, também entrou no radar do mercado.
BRKM5 exige cautela, mesmo após a alta
A alta recente de BRKM5 mostra que o mercado voltou a enxergar potencial de recuperação na Braskem. No entanto, os dados mais recentes ainda revelam uma empresa em situação financeira desafiadora. A ação pode continuar reagindo bem se o ciclo petroquímico melhorar, mas o risco permanece elevado.
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