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Início » Últimas Notícias » Ferbasa (FESA4) reverte lucro e fecha 1T26 no prejuízo: custos altos e queda nas vendas pressionam resultado
Ações

Ferbasa (FESA4) reverte lucro e fecha 1T26 no prejuízo: custos altos e queda nas vendas pressionam resultado

Companhia registrou prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, apesar da melhora sequencial do Ebitda ajustado e de caixa líquido de R$ 731 milhões
Luciana RibeiroPor Luciana Ribeiro13 de maio de 20266 minutos lidos
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A Ferbasa (FESA4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um balanço de leitura cautelosa. A companhia, uma das principais fornecedoras de ferroligas do Brasil e única produtora integrada de ferrocromo das Américas, registrou prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões entre janeiro e março, revertendo o lucro líquido de R$ 24,2 milhões apurado no mesmo período de 2025. Os dados constam no release de resultados do 1T26 divulgado pela própria empresa em sua área de Relações com Investidores.

O resultado negativo veio em meio à queda da receita, ao recuo no volume vendido e à pressão dos custos de produção. Ainda assim, a companhia manteve uma posição financeira considerada robusta, com caixa líquido de R$ 731 milhões ao fim de março, valor superior em R$ 12,6 milhões ao registrado no quarto trimestre de 2025.

Principais números da Ferbasa no 1T26

Indicador1T264T251T25Variação anual
Receita líquidaR$ 506,4 milhõesR$ 602,6 milhõesR$ 549,8 milhões-7,9%
CPVR$ 458,6 milhõesR$ 540,5 milhõesR$ 475,6 milhões-3,6%
Custo sobre receita90,6%89,7%86,5%Alta de 4,1 p.p.
Ebitda ajustadoR$ 44,1 milhõesR$ 4,3 milhõesR$ 61,1 milhões-27,8%
Margem Ebitda8,7%0,7%11,1%-2,4 p.p.
Lucro/prejuízo líquido-R$ 2,4 milhõesR$ 99,8 milhõesR$ 24,2 milhõesReversão para prejuízo
Caixa líquidoR$ 731 milhõesR$ 718,4 milhões—+R$ 12,6 milhões ante 4T25

Receita cai com menor volume de vendas

A receita líquida consolidada da Ferbasa somou R$ 506,4 milhões no 1T26. O número representa queda de 16% em relação ao 4T25 e recuo de 7,9% na comparação com o 1T25. Segundo a companhia, a retração foi explicada principalmente pela queda de 13,5% no volume de vendas de ferroligas e pela desvalorização de 1,5% no dólar médio praticado frente ao trimestre anterior.

No período, foram comercializadas 63,9 mil toneladas de ferroligas. A redução ocorreu tanto no mercado externo, com queda de 18,8%, quanto no mercado interno, com baixa de 8,6% em relação ao 4T25. Na comparação anual, o volume vendido recuou 8%.

Esse movimento é relevante porque a Ferbasa depende fortemente do desempenho das ferroligas, especialmente em um ambiente de commodities sensível ao câmbio, à demanda industrial e aos custos globais de energia e insumos.

Produção também recua no trimestre

A produção de ferroligas somou 72,6 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, queda de 2,9% frente ao 4T25. O desempenho refletiu uma combinação entre recuo de 5,3% nas ligas de cromo e aumento de 3,3% nas ligas de silício. Em relação ao 1T25, a produção caiu 4,3%.

Esse recuo na produção reforça o cenário de menor ritmo operacional, embora a empresa ainda mantenha posição estratégica no setor por sua integração produtiva, que envolve mineração, metalurgia, recursos florestais e energia renovável.

Custos seguem pressionando a margem

O custo dos produtos vendidos atingiu R$ 458,6 milhões no 1T26. Apesar da queda de 15,2% em relação ao trimestre anterior, o custo sobre a receita subiu para 90,6%, acima dos 89,7% do 4T25 e dos 86,5% do 1T25.

Na prática, isso mostra que a queda das vendas não foi acompanhada por uma melhora suficiente na estrutura de custos. A própria companhia apontou maiores custos de produção com minério de cromo, FeSiCr e quartzo, além do efeito da redução na produção de algumas ligas entre os períodos analisados.

Esse é o ponto central do balanço: a Ferbasa conseguiu reduzir custos em termos nominais frente ao 4T25, mas a relação entre custo e receita continuou elevada, comprimindo a rentabilidade.

Ebitda melhora no trimestre, mas cai no ano

O Ebitda ajustado da Ferbasa foi de R$ 44,1 milhões no 1T26, com margem Ebitda de 8,7%. Em relação ao 4T25, quando o indicador havia sido de apenas R$ 4,3 milhões, houve salto de 925,6%.

A leitura, porém, exige cautela. Na comparação com o 1T25, o Ebitda ajustado caiu 27,8%. A empresa atribuiu essa retração anual à redução do dólar, ao menor volume de vendas e ao aumento dos custos de produção.

Ou seja, o dado mostra uma recuperação relevante contra o trimestre imediatamente anterior, mas ainda não confirma uma retomada plena quando comparado ao mesmo período do ano passado.

Prejuízo líquido acende alerta

A Ferbasa fechou o 1T26 com prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões, margem negativa de 0,5%. No 4T25, a empresa havia registrado lucro líquido de R$ 99,8 milhões, mas esse resultado foi impactado positivamente por efeitos não recorrentes, como o cálculo do valor justo do ativo biológico, de R$ 50,1 milhões, e receita com recuperação de créditos tributários, de R$ 37,6 milhões.

Na comparação anual, a reversão também chama atenção: no 1T25, a Ferbasa havia lucrado R$ 24,2 milhões. Agora, o prejuízo evidencia uma operação mais pressionada pela combinação de menor receita, volume mais fraco e margens apertadas.

Caixa líquido é o ponto mais forte do balanço

Mesmo com prejuízo, a Ferbasa manteve uma estrutura financeira sólida. A reserva financeira consolidada encerrou o trimestre em R$ 1,092 bilhão. Após a dedução do endividamento consolidado de R$ 361,4 milhões, a posição de caixa líquido ficou em R$ 731 milhões.

Esse dado é importante porque dá fôlego à companhia em um momento de maior pressão operacional. Para uma empresa industrial exposta a ciclos de commodities, câmbio e custos energéticos, uma posição de caixa líquido elevada funciona como proteção em períodos de menor rentabilidade.

Capex cai e mostra postura mais conservadora

Os investimentos da Ferbasa somaram R$ 40,6 milhões no 1T26, queda de 63,7% frente ao 4T25 e recuo de 4,5% na comparação com o 1T25. Os principais aportes foram direcionados à aquisição de máquinas e equipamentos, principalmente nas áreas de metalurgia e mineração.

A redução do Capex indica uma postura mais seletiva na alocação de capital, com foco em preservar caixa e manter investimentos essenciais em um momento de menor previsibilidade operacional.

Resultado financeiro ajuda, mas não muda a pressão operacional

O resultado financeiro da Ferbasa foi positivo em R$ 18,5 milhões no trimestre, mas ficou 52,9% abaixo do registrado no 4T25. A empresa explicou que o desempenho refletiu redução da receita financeira e oscilação negativa da variação cambial líquida.

Apesar de positivo, esse resultado não foi suficiente para compensar a pressão nas margens operacionais e evitar o prejuízo líquido.

Análise: o balanço da FESA4 foi bom ou ruim?

O balanço da Ferbasa no 1T26 pode ser classificado como neutro com viés de cautela.

O lado positivo está na recuperação sequencial do Ebitda ajustado, na preservação de caixa e na posição financeira confortável. A companhia segue com caixa líquido relevante, baixa pressão financeira e capacidade de atravessar um ciclo mais difícil.

O lado negativo aparece na queda da receita, no recuo do volume vendido, na alta do custo sobre receita e na reversão para prejuízo líquido. A melhora frente ao 4T25 existe, mas ainda não foi suficiente para recolocar a empresa em um ritmo mais forte de rentabilidade recorrente.

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Luciana Ribeiro
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Luciana Ribeiro é contadora e consultora tributária, com mais de 12 anos de experiência no setor fiscal. Na A Revista, explica Imposto de Renda, tributação de investimentos, regras aplicáveis a pessoas e empresas e mudanças na legislação. Identifica o período de vigência das normas e ressalta quando casos individuais exigem orientação específica.

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