A Ferbasa (FESA4) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um balanço de leitura cautelosa. A companhia, uma das principais fornecedoras de ferroligas do Brasil e única produtora integrada de ferrocromo das Américas, registrou prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões entre janeiro e março, revertendo o lucro líquido de R$ 24,2 milhões apurado no mesmo período de 2025. Os dados constam no release de resultados do 1T26 divulgado pela própria empresa em sua área de Relações com Investidores.
O resultado negativo veio em meio à queda da receita, ao recuo no volume vendido e à pressão dos custos de produção. Ainda assim, a companhia manteve uma posição financeira considerada robusta, com caixa líquido de R$ 731 milhões ao fim de março, valor superior em R$ 12,6 milhões ao registrado no quarto trimestre de 2025.
Principais números da Ferbasa no 1T26
| Indicador | 1T26 | 4T25 | 1T25 | Variação anual |
|---|---|---|---|---|
| Receita líquida | R$ 506,4 milhões | R$ 602,6 milhões | R$ 549,8 milhões | -7,9% |
| CPV | R$ 458,6 milhões | R$ 540,5 milhões | R$ 475,6 milhões | -3,6% |
| Custo sobre receita | 90,6% | 89,7% | 86,5% | Alta de 4,1 p.p. |
| Ebitda ajustado | R$ 44,1 milhões | R$ 4,3 milhões | R$ 61,1 milhões | -27,8% |
| Margem Ebitda | 8,7% | 0,7% | 11,1% | -2,4 p.p. |
| Lucro/prejuízo líquido | -R$ 2,4 milhões | R$ 99,8 milhões | R$ 24,2 milhões | Reversão para prejuízo |
| Caixa líquido | R$ 731 milhões | R$ 718,4 milhões | — | +R$ 12,6 milhões ante 4T25 |
Receita cai com menor volume de vendas
A receita líquida consolidada da Ferbasa somou R$ 506,4 milhões no 1T26. O número representa queda de 16% em relação ao 4T25 e recuo de 7,9% na comparação com o 1T25. Segundo a companhia, a retração foi explicada principalmente pela queda de 13,5% no volume de vendas de ferroligas e pela desvalorização de 1,5% no dólar médio praticado frente ao trimestre anterior.
No período, foram comercializadas 63,9 mil toneladas de ferroligas. A redução ocorreu tanto no mercado externo, com queda de 18,8%, quanto no mercado interno, com baixa de 8,6% em relação ao 4T25. Na comparação anual, o volume vendido recuou 8%.
Esse movimento é relevante porque a Ferbasa depende fortemente do desempenho das ferroligas, especialmente em um ambiente de commodities sensível ao câmbio, à demanda industrial e aos custos globais de energia e insumos.
Produção também recua no trimestre
A produção de ferroligas somou 72,6 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, queda de 2,9% frente ao 4T25. O desempenho refletiu uma combinação entre recuo de 5,3% nas ligas de cromo e aumento de 3,3% nas ligas de silício. Em relação ao 1T25, a produção caiu 4,3%.
Esse recuo na produção reforça o cenário de menor ritmo operacional, embora a empresa ainda mantenha posição estratégica no setor por sua integração produtiva, que envolve mineração, metalurgia, recursos florestais e energia renovável.
Custos seguem pressionando a margem
O custo dos produtos vendidos atingiu R$ 458,6 milhões no 1T26. Apesar da queda de 15,2% em relação ao trimestre anterior, o custo sobre a receita subiu para 90,6%, acima dos 89,7% do 4T25 e dos 86,5% do 1T25.
Na prática, isso mostra que a queda das vendas não foi acompanhada por uma melhora suficiente na estrutura de custos. A própria companhia apontou maiores custos de produção com minério de cromo, FeSiCr e quartzo, além do efeito da redução na produção de algumas ligas entre os períodos analisados.
Esse é o ponto central do balanço: a Ferbasa conseguiu reduzir custos em termos nominais frente ao 4T25, mas a relação entre custo e receita continuou elevada, comprimindo a rentabilidade.
Ebitda melhora no trimestre, mas cai no ano
O Ebitda ajustado da Ferbasa foi de R$ 44,1 milhões no 1T26, com margem Ebitda de 8,7%. Em relação ao 4T25, quando o indicador havia sido de apenas R$ 4,3 milhões, houve salto de 925,6%.
A leitura, porém, exige cautela. Na comparação com o 1T25, o Ebitda ajustado caiu 27,8%. A empresa atribuiu essa retração anual à redução do dólar, ao menor volume de vendas e ao aumento dos custos de produção.
Ou seja, o dado mostra uma recuperação relevante contra o trimestre imediatamente anterior, mas ainda não confirma uma retomada plena quando comparado ao mesmo período do ano passado.
Prejuízo líquido acende alerta
A Ferbasa fechou o 1T26 com prejuízo líquido de R$ 2,4 milhões, margem negativa de 0,5%. No 4T25, a empresa havia registrado lucro líquido de R$ 99,8 milhões, mas esse resultado foi impactado positivamente por efeitos não recorrentes, como o cálculo do valor justo do ativo biológico, de R$ 50,1 milhões, e receita com recuperação de créditos tributários, de R$ 37,6 milhões.
Na comparação anual, a reversão também chama atenção: no 1T25, a Ferbasa havia lucrado R$ 24,2 milhões. Agora, o prejuízo evidencia uma operação mais pressionada pela combinação de menor receita, volume mais fraco e margens apertadas.
Caixa líquido é o ponto mais forte do balanço
Mesmo com prejuízo, a Ferbasa manteve uma estrutura financeira sólida. A reserva financeira consolidada encerrou o trimestre em R$ 1,092 bilhão. Após a dedução do endividamento consolidado de R$ 361,4 milhões, a posição de caixa líquido ficou em R$ 731 milhões.
Esse dado é importante porque dá fôlego à companhia em um momento de maior pressão operacional. Para uma empresa industrial exposta a ciclos de commodities, câmbio e custos energéticos, uma posição de caixa líquido elevada funciona como proteção em períodos de menor rentabilidade.
Capex cai e mostra postura mais conservadora
Os investimentos da Ferbasa somaram R$ 40,6 milhões no 1T26, queda de 63,7% frente ao 4T25 e recuo de 4,5% na comparação com o 1T25. Os principais aportes foram direcionados à aquisição de máquinas e equipamentos, principalmente nas áreas de metalurgia e mineração.
A redução do Capex indica uma postura mais seletiva na alocação de capital, com foco em preservar caixa e manter investimentos essenciais em um momento de menor previsibilidade operacional.
Resultado financeiro ajuda, mas não muda a pressão operacional
O resultado financeiro da Ferbasa foi positivo em R$ 18,5 milhões no trimestre, mas ficou 52,9% abaixo do registrado no 4T25. A empresa explicou que o desempenho refletiu redução da receita financeira e oscilação negativa da variação cambial líquida.
Apesar de positivo, esse resultado não foi suficiente para compensar a pressão nas margens operacionais e evitar o prejuízo líquido.
Análise: o balanço da FESA4 foi bom ou ruim?
O balanço da Ferbasa no 1T26 pode ser classificado como neutro com viés de cautela.
O lado positivo está na recuperação sequencial do Ebitda ajustado, na preservação de caixa e na posição financeira confortável. A companhia segue com caixa líquido relevante, baixa pressão financeira e capacidade de atravessar um ciclo mais difícil.
O lado negativo aparece na queda da receita, no recuo do volume vendido, na alta do custo sobre receita e na reversão para prejuízo líquido. A melhora frente ao 4T25 existe, mas ainda não foi suficiente para recolocar a empresa em um ritmo mais forte de rentabilidade recorrente.
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