As ações da KLBN11 seguem enfrentando um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos na Bolsa brasileira. A combinação entre preços deprimidos da celulose, dólar mais fraco e forte ciclo de investimentos pressionou os resultados da companhia e ajudou a ampliar a cautela dos investidores em relação ao papel.
Mesmo sendo considerada uma das empresas mais sólidas do setor de papel e celulose, a Klabin vem acumulando desempenho abaixo do esperado, enquanto parte do mercado começa a enxergar justamente nesse momento de fraqueza uma possível janela de oportunidade.
Segundo análise comentada pelo gestor Otávio Paranhos, da Guepardo Investimentos, a companhia atravessa uma fase operacional difícil, mas que pode abrir espaço para uma forte melhora estrutural nos próximos anos.
Por que a Klabin está sofrendo na Bolsa?
A principal pressão sobre a Klabin vem do cenário internacional da celulose. O produto segue negociado em patamares considerados baixos historicamente, reduzindo margens e afetando diretamente a rentabilidade da companhia.
Além disso, o câmbio também passou a jogar contra a empresa. Durante boa parte do período pós-pandemia, o dólar operou acima da faixa de R$ 5,30. Agora, com a moeda americana mais próxima de R$ 5, a receita dolarizada da Klabin perdeu força.
Esse movimento tem impacto direto nos resultados porque grande parte das receitas da companhia está atrelada ao mercado externo.
Por outro lado, existe um efeito compensatório importante: a dívida da empresa também é majoritariamente dolarizada. Assim, quando o dólar cai, o passivo em moeda estrangeira diminui em reais, funcionando como uma espécie de amortecedor financeiro.
Ainda assim, o mercado continua preocupado com o nível de alavancagem da companhia.
Dívida elevada continua no radar dos investidores
A Klabin passou os últimos anos executando um dos maiores ciclos de investimento de sua história. Foram bilhões de reais destinados à expansão industrial, aquisição de terras, ampliação florestal e construção de novas fábricas.
Esse processo elevou significativamente a alavancagem da empresa, que hoje opera acima de três vezes dívida líquida sobre EBITDA — patamar considerado elevado para muitos investidores.
No entanto, a tese otimista defendida por parte do mercado está justamente ligada ao fim desse ciclo pesado de investimentos.
O que pode mudar na Klabin nos próximos anos?
O ponto central da tese positiva é a forte redução do CAPEX da companhia.
Nos últimos anos, a Klabin consumiu volumes bilionários de caixa para financiar projetos de expansão. Agora, boa parte desses investimentos começa a entrar em operação e avançar na fase de ramp-up produtivo.
Com isso, o CAPEX de expansão tende a cair drasticamente.
A expectativa é que a companhia deixe para trás investimentos bilionários recorrentes e passe a operar predominantemente com CAPEX de manutenção — aquele necessário apenas para preservar as operações atuais.
Segundo as projeções comentadas no mercado, os investimentos podem cair gradualmente para algo próximo de R$ 2 bilhões anuais nos próximos anos, um volume muito inferior ao observado recentemente.
Esse movimento pode transformar completamente a geração de caixa da empresa.
Geração de caixa pode destravar valorização das ações
Com menos dinheiro sendo destinado a novos projetos, a Klabin tende a aumentar significativamente seu fluxo de caixa livre.
Na prática, isso pode permitir três movimentos simultâneos:
- manutenção dos dividendos;
- redução acelerada da dívida;
- fortalecimento operacional da companhia.
Hoje, boa parte da geração de caixa acaba sendo consumida pelo CAPEX elevado. Com a queda dos investimentos, sobra mais capital disponível para desalavancagem.
Esse é justamente o gatilho que muitos investidores esperam para uma possível reprecificação das ações na Bolsa.
O mercado entende que, quando a empresa começar a mostrar redução consistente da dívida e melhora do fluxo de caixa, o sentimento negativo atual pode mudar rapidamente.
Celulose segue sendo o principal risco para KLBN11
Apesar da visão positiva para o longo prazo, o cenário ainda depende de uma recuperação importante da celulose no mercado internacional.
Atualmente, os preços seguem pressionados por excesso de oferta global e desaceleração econômica em alguns mercados consumidores.
Como cerca de um terço das operações da Klabin está ligado diretamente à celulose, esse fator continua sendo determinante para os resultados trimestrais da empresa.
Ao mesmo tempo, a companhia possui uma vantagem relevante frente a concorrentes: a diversificação.
Enquanto várias empresas do setor dependem quase exclusivamente da celulose, a Klabin possui aproximadamente dois terços de suas operações concentradas em papel, embalagens e papelão ondulado, segmentos considerados mais resilientes.
Mercado vê ação “amassada” após sequência de decepções
Outro ponto destacado por investidores é que a Klabin passou a entregar resultados abaixo das expectativas do mercado.
Segundo a análise apresentada no podcast, os números da companhia vieram cerca de 10% abaixo das projeções em 2025, o que ampliou o pessimismo dos investidores.
Esse movimento ajudou a pressionar ainda mais as ações da empresa na B3.
Ainda assim, gestores enxergam que o mercado pode ter exagerado na penalização do papel, criando um cenário de desconto relevante frente ao valor considerado justo para a companhia.
KLBN11 pode viver nova fase na Bolsa?
A visão mais otimista para a Klabin parte da ideia de que empresas cíclicas costumam atravessar períodos longos de pressão antes de recuperações expressivas.
Se o cenário de redução do CAPEX realmente se confirmar, combinado com melhora gradual da celulose e eventual recuperação do dólar, a companhia pode entrar em uma fase de forte expansão de caixa e redução acelerada da alavancagem.
Nesse contexto, parte do mercado acredita que a Klabin pode voltar a ganhar protagonismo entre investidores focados em valor, dividendos e geração de caixa de longo prazo.
Por enquanto, porém, o mercado continua monitorando de perto três fatores principais:
| Indicador | Situação atual | Impacto na Klabin |
| Preço da celulose | Baixo | Pressiona receitas |
| Dólar | Próximo de R$ 5 | Reduz competitividade |
| CAPEX | Em queda gradual | Pode aumentar geração de caixa |
A expectativa agora gira em torno dos próximos balanços da companhia, que devem mostrar se o processo de desalavancagem e melhora operacional realmente começará a aparecer nos números.
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