As ações do Banco do Brasil entraram em 2026 cercadas de incertezas após um período de forte deterioração nos resultados.
O banco encerrou 2025 com lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 20,7 bilhões, representando uma queda de cerca de 45% em relação ao ano anterior .
Esse movimento mudou completamente a percepção do mercado sobre o papel, que até então era visto como uma das melhores pagadoras de dividendos da Bolsa.
Lucros pressionados e queda na rentabilidade
O desempenho mais fraco ficou evidente também no resultado mais recente:
- Lucro do 4º trimestre de 2025: R$ 5,7 bilhões
- Queda de aproximadamente 40% na comparação anual
Apesar de ter vindo acima das expectativas, o resultado foi impactado por fatores pontuais e não representa uma recuperação estrutural.
Outro indicador importante também caiu:
- ROE (retorno sobre patrimônio): saiu de níveis acima de 20% para cerca de 12,4%
Isso mostra que o banco ficou menos eficiente em gerar lucro.
O grande vilão: inadimplência no agronegócio
O principal problema do Banco do Brasil em 2025 foi o aumento do risco de crédito, especialmente no setor rural.
- A inadimplência no agro subiu de forma relevante
- O banco elevou fortemente o custo do crédito
- O provisionamento chegou próximo de R$ 62 bilhões
Esse aumento nas provisões reduz diretamente o lucro — e, consequentemente, os dividendos.
Dividendos mais baixos: o novo cenário
Outro ponto que decepcionou investidores foi a mudança na política de distribuição.
- Payout caiu de cerca de 40%–45% para 30%
- Dividend yield atual gira próximo de 3% a 6%, dependendo do cenário
Ou seja, o Banco do Brasil deixou de ser, pelo menos temporariamente, uma máquina de dividendos de dois dígitos.
O que esperar de 2026?
Apesar do cenário desafiador, há sinais de possível recuperação.
Projeções oficiais do banco:
- Lucro estimado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões
- Crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%
- Redução do custo de crédito para faixa de R$ 53 a R$ 58 bilhões
Esses números indicam que o banco pode voltar a crescer — ainda que de forma moderada.
BBAS3 está barata? Indicadores chamam atenção
Mesmo com os problemas, os múltiplos continuam atrativos:
- P/L próximo de 9x
- P/VP em torno de 0,7 (abaixo do valor patrimonial)
Isso mostra que o mercado já precificou boa parte dos riscos.
O que fazer com BBAS3 agora?
O momento exige análise mais estratégica.
Cenário negativo:
- Lucros ainda pressionados
- Dividendos menores
- Riscos ligados ao agro e ao cenário econômico
Cenário positivo:
- Ação negociando com desconto
- Possível recuperação dos lucros em 2026
- Banco com forte posição de mercado
O Banco do Brasil pode dar a volta por cima?
A queda da BBAS3 não aconteceu por acaso — ela reflete um momento mais desafiador para o banco.
Mas os dados mais recentes mostram que o Banco do Brasil já projeta melhora para 2026, com crescimento de lucros e redução dos riscos.
O investidor agora está diante de um dilema clássico:
- Quem busca renda imediata pode se frustrar
- Quem pensa no longo prazo pode enxergar oportunidade
A resposta final depende de uma única pergunta:
o pior já ficou para trás — ou ainda está no caminho?
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