As ações da PRIO3 voltaram ao radar dos investidores em 2026 após forte valorização impulsionada pelo petróleo em alta e expansão operacional da companhia.
Os papéis chegaram a subir com força recente, operando próximos de R$ 68 em março após notícias positivas sobre produção, enquanto iniciaram o ano perto de R$ 41, evidenciando uma valorização relevante no período .
O movimento foi favorecido por:
- Alta do petróleo no cenário global
- Tensões geopolíticas no Oriente Médio
- Crescimento da produção da companhia
- Avanços operacionais em novos campos
No entanto, os dados mais recentes mostram que o cenário ficou mais complexo.
Resultados recentes: crescimento operacional, mas pressão no lucro
No 4º trimestre de 2025, a PRIO apresentou números mistos:
- Receita: US$ 642 milhões (+20% ano contra ano)
- EBITDA: cerca de US$ 324 milhões (+7%)
- Produção: aproximadamente 128 mil barris/dia
- Prejuízo líquido: US$ 185 milhões
O principal destaque foi o crescimento operacional, com produção subindo até 46% após aquisição de participação no campo de Peregrino .
Por outro lado, o lucro sofreu impacto relevante, principalmente por:
- Maior depreciação
- Efeitos contábeis
- Queda no preço médio realizado do petróleo
Produção segue forte, mas já enfrenta oscilações
Os dados operacionais continuam robustos, mas já mostram sinais de volatilidade:
- Produção média em fevereiro de 2026: 148,5 mil barris/dia
- Queda em relação a janeiro (155,5 mil barris/dia)
Apesar disso, a empresa segue com crescimento relevante na produção nos últimos trimestres, sustentando a tese de expansão.
Indicadores mostram ação mais cara e sem dividendos
Os fundamentos atuais indicam um ativo mais esticado:
| Indicador | Valor aproximado |
|---|---|
| P/L | ~25 |
| P/VP | ~2,2 |
| Margem EBITDA | ~49% |
| Dividend Yield | 0% |
Além disso:
- A empresa praticamente não distribui dividendos
- O foco segue sendo reinvestimento e crescimento
- O valuation já embute expectativas elevadas
Petróleo é o principal gatilho — e também o maior risco
A PRIO é uma das empresas mais sensíveis ao preço do petróleo no Brasil.
Segundo análises de mercado, a companhia é uma das mais expostas à commodity, podendo gerar alto fluxo de caixa em cenários favoráveis .
Por outro lado, isso cria um risco claro:
- Se o petróleo cair, o impacto na ação pode ser imediato
- Pressões globais podem reduzir preços da commodity
- Aumento da oferta pode limitar novas altas
Mercado já discute fim do “ciclo dourado”
Alguns dados mais recentes indicam mudança de tendência:
- Queda de até 93% no lucro por ação no último trimestre
- Margens mais pressionadas
- Receita anual em leve retração
Esse movimento não indica crise, mas sugere que o melhor momento do ciclo pode ter ficado para trás.
PRIO3 ainda pode subir?
Sim — principalmente se o petróleo continuar forte.
A ação ainda pode se beneficiar de:
- Novos projetos como Wahoo
- Aumento de produção
- Cenário global favorável para commodities
Mas agora o investidor precisa lidar com um ponto crucial:
O risco aumentou.
O que fazer com PRIO3 agora?
Diante dos dados atualizados, o cenário pode ser resumido assim:
Pontos positivos
- Forte crescimento operacional
- Aumento consistente da produção
- Alta exposição ao petróleo
Pontos de atenção
- Prejuízo recente no trimestre
- Queda no lucro por ação
- Valuation mais esticado
- Alta dependência do petróleo
Não é mais uma compra óbvia
A PRIO3 continua sendo uma das principais apostas do setor de petróleo na Bolsa brasileira, mas o momento atual exige mais cautela do investidor.
Depois de uma forte valorização:
- O risco de correção aumentou
- O mercado já precificou boa parte das expectativas
- A decisão deixa de ser simples
Para quem entrou antes, a realização parcial passa a ser uma estratégia cada vez mais considerada.
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