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Início » Últimas Notícias » PRIO3: ainda vale a pena vender após alta? Produção dispara e empresa mira novos dividendos
Ações

PRIO3: ainda vale a pena vender após alta? Produção dispara e empresa mira novos dividendos

Mesmo com petróleo mais volátil, PRIO cresce forte em produção, reduz custos e prepara novos gatilhos para investidores
Carlos MenezesPor Carlos Menezes31 de março de 20264 minutos lidos
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A dúvida sobre vender ações da PRIO ganhou força entre investidores após a forte valorização recente do papel. Porém, os dados mais atualizados mostram que a tese da companhia segue em transformação — e com números relevantes que ajudam a entender o momento atual.

Produção dispara e muda o patamar da empresa

O principal motor da PRIO hoje é crescimento operacional.

  • Produção atingiu 155,6 mil barris/dia em janeiro de 2026, alta de 36% em relação ao ano anterior
  • Produção média de 2025 ficou em 106,4 mil barris/dia, recorde histórico
  • Apenas no 4T25, houve crescimento de até 46% na produção anual

Além disso, a empresa segue com projeções de ultrapassar:

200 mil barris/dia até 2026

Esse avanço é resultado principalmente da consolidação do campo de Peregrino e novos projetos em desenvolvimento.

Receita cresce mesmo com petróleo mais fraco

Outro ponto relevante: a PRIO conseguiu crescer mesmo com queda no preço do petróleo.

  • Receita no 4T25: US$ 642 milhões (+20% ano contra ano)
  • Vendas: 10,6 milhões de barris no trimestre (+53% a/a)
  • Preço médio do petróleo vendido: cerca de US$ 63 por barril

Isso reforça uma mudança importante:

 A empresa está menos dependente do preço do petróleo e mais focada em escala e eficiência.

Custos caem novamente e reforçam a tese

O custo de extração (lifting cost), um dos principais indicadores do setor, voltou a cair:

IndicadorValor recente
Lifting cost 3T25US$ 17,4/barril
Lifting cost 4T25US$ 12,5/barril
Variaçãoqueda de ~28%

Apesar da alta anterior por causa da incorporação de Peregrino, a tendência agora é de redução, o que aumenta a margem operacional.

EBITDA cresce, mas lucro sofre impacto contábil

Os resultados recentes mostram um cenário misto:

  • EBITDA 4T25: cerca de US$ 324 a 341 milhões
  • Margem EBITDA: aproximadamente 55%
  • Prejuízo contábil no trimestre: cerca de US$ 185 milhões

Importante destacar:

O prejuízo foi causado principalmente por fatores contábeis (depreciação e impostos), não por deterioração operacional.

O maior gatilho: dividendos e alocação de capital

Um dos pontos mais acompanhados agora pelo mercado é:

  • Definição de política de dividendos
  • Possibilidade de recompras de ações
  • Forte geração de caixa com produção crescente

Com o petróleo ainda em patamar relevante e a produção aumentando, a empresa tende a gerar caixa suficiente para:

 Distribuir dividendos relevantes ou continuar expandindo via aquisições

Dívida aumentou, mas cenário é controlado

A alavancagem subiu com as aquisições recentes, mas o cenário é considerado administrável:

  • Aumento de dívida ligado à expansão
  • Geração de caixa deve reduzir rapidamente esse indicador
  • Produção maior tende a acelerar desalavancagem

Além disso, o mercado acompanha a relação dívida/EBITDA como principal indicador de risco.

O erro mais comum: vender só porque subiu

Um ponto reforçado por especialistas é o comportamento típico do investidor:

  • Vende ativos que subiram
  • Compra ativos que caíram sem análise

No caso da PRIO, os números mostram que:

 A empresa de hoje é estruturalmente mais forte do que no passado

Ou seja, a valorização pode estar acompanhando fundamentos — e não apenas especulação.

PRIO3 vale a pena vender agora?

Com base nos dados mais recentes, o cenário é o seguinte:

Pontos positivos

  • Produção em forte crescimento (+36% a/a)
  • Receita crescente mesmo com petróleo mais baixo
  • Redução relevante de custos
  • EBITDA sólido
  • Possível política de dividendos

Pontos de atenção

  • Dependência do preço do petróleo
  • Volatilidade no curto prazo
  • Impactos contábeis no lucro
  • Aumento temporário da dívida

Decisão exige olhar para o futuro, não para o preço atual

Os números mais atualizados mostram que a PRIO está em um ciclo de expansão relevante, com aumento de produção, melhora de eficiência e novos gatilhos no radar.

Vender apenas porque a ação subiu pode ser uma decisão precipitada — especialmente em um momento em que:

  • A empresa está crescendo
  • Os custos estão caindo
  • E o fluxo de caixa tende a aumentar

Para o investidor, a análise mais importante deixa de ser “subiu ou caiu” e passa a ser:

a empresa está melhor do que antes?

E, pelos dados atuais, a resposta tende a ser sim.

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Carlos Menezes é economista e analista de mercado, com MBA em Finanças pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mais de 15 anos de experiência acompanhando indicadores econômicos e políticas públicas. Na A Revista, analisa juros, inflação, câmbio, economia e mercados, com atenção às fontes dos dados, ao período de referência e aos efeitos para empresas e investimentos.

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