A Vale S.A. encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo líquido contábil de US$ 3,8 bilhões, número que chamou atenção nas manchetes. No entanto, a leitura detalhada do balanço mostra um cenário operacional bastante diferente.
O prejuízo foi impactado principalmente por:
Impairments contábeis
Reconhecimento de despesas judiciais e fiscais
Ajustes relacionados a Brumadinho
Apesar disso, os indicadores operacionais avançaram:
EBITDA proforma: US$ 4,8 bilhões no 4T25
Alta anual do EBITDA: +17%
Fluxo de caixa livre recorrente: US$ 1,7 bilhão (+107% a/a)
Capex anual: US$ 5,5 bilhões
Dívida líquida: US$ 15,6 bilhões (queda de US$ 1 bilhão no trimestre)
Alavancagem: cerca de 0,7x EBITDA
A empresa reduziu dívida, fortaleceu caixa e cumpriu integralmente seus guidances de produção e custos para 2025.
Produção e preços: minério, cobre e níquel impulsionam o resultado
A Vale continua altamente dependente do minério de ferro, mas os metais básicos ganharam protagonismo.
Crescimento nas vendas em 2025
Minério de ferro: +13% no acumulado do ano
Cobre: +12%
Níquel: +11%
No 4T25:
Minério: +5%
Cobre: +8%
Níquel: +5%
Preços realizados
Minério de ferro: US$ 95,40 por tonelada
Cobre: US$ 11.000 por tonelada (+20% a/a)
Níquel: US$ 15.015 por tonelada
O destaque ficou para o cobre, cujo custo all-in ficou negativo no trimestre devido à receita com subprodutos como ouro. O EBITDA da divisão de metais básicos atingiu US$ 1,39 bilhão, consolidando essa área como novo motor de crescimento.
Eficiência operacional: segundo ano de queda nos custos
O custo caixa C1 do minério de ferro ficou em:
US$ 21,30 por tonelada
Segundo ano consecutivo de redução
Custo all-in do minério: US$ 54,20 por tonelada (-3% a/a)
A estratégia de “fazer mais com menos” elevou a eficiência mesmo em um cenário global instável.
Dividendos da Vale: histórico forte e projeção para 2026
Em 2025, a Vale pagou R$ 7,62 por ação, segundo maior patamar da última década (desconsiderando 2021).
Dividend yield atual: 8,76%
Média de dividendos em 5 anos: 11,12%
A valorização de mais de 75% em 12 meses reduziu o yield percentual, mas o valor pago em reais foi expressivo.
Projeção para 2026
Estimativas apontam:
Lucro projetado: cerca de US$ 8,9 bilhões
Payout estimado: 65%
Dividendo por ação projetado (DPA): R$ 5,57
Preço-teto estimado (modelo por dividend yield)
| Dividend Yield Exigido | Preço-Teto |
|---|---|
| 4% | R$ 139,27 |
| 6% | R$ 92,84 |
| 8% | R$ 69,63 |
| 10% | R$ 55,71 |
Com cotação próxima de R$ 87, a ação estaria próxima do preço-teto para um investidor que exige 6% ao ano em dividendos.
Análise técnica de VALE3: tendência de alta, mas com resistência
As ações VALE3 romperam máximas anteriores e acumulam valorização relevante. Tecnicamente:
Região de resistência: R$ 82,16 a R$ 91,61
Suporte importante: R$ 74,38
Cotação recente: aproximadamente R$ 87
O ativo permanece em tendência de alta no médio prazo, mas enfrenta zona técnica relevante que pode gerar consolidação lateral.
Consenso do mercado
Entre grandes instituições financeiras:
Maioria das recomendações: Compra
Preço-alvo médio: cerca de R$ 85,50
Faixa estimada: R$ 71 a R$ 100
A divergência mostra diferença de 41% entre a projeção mais conservadora e a mais otimista.
Vale (VALE3) em 2026: comprar ou esperar?
O prejuízo de US$ 3,8 bilhões foi essencialmente contábil. Operacionalmente, a empresa:
Elevou geração de caixa
Reduziu dívida
Manteve disciplina de capital
Expandiu relevância dos metais básicos
O grande risco continua sendo:
Dependência da China
Volatilidade do preço do minério
Eventual redução de dividendos extraordinários
Por outro lado, a eficiência operacional crescente, a expansão no cobre e níquel e a disciplina financeira reforçam a tese de longo prazo.
Em um cenário de commodities firmes e estabilidade na demanda global, a Vale entra em 2026 com fundamentos sólidos e capacidade de manter dividendos atrativos, mesmo após forte valorização das ações.
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