A Klabin aprovou uma bonificação de 1% em ações, reforçando sua estrutura de capital por meio da incorporação de reservas. Na prática, o investidor receberá 1 nova ação para cada 100 ações que possuir em carteira, seja em KLBN3, KLBN4 ou KLBN11.
Para ter direito à bonificação, é necessário estar posicionado na ação até o dia 17/12. As novas ações serão creditadas na conta da corretora em 22/12/2025.
O movimento envolve a transferência de R$ 800 milhões das reservas para o capital social, com a criação de 61,8 milhões de novas ações, divididas entre ordinárias e preferenciais.
O ponto-chave: o custo atribuído às ações bonificadas
Um dos maiores pontos de confusão entre investidores está no custo atribuído às ações bonificadas, definido pela própria empresa.
Custo atribuído por ação (KLBN3 e KLBN4): R$ 12,94
Esse valor é contábil, não tem relação com a cotação de mercado
Serve exclusivamente para ajuste do preço médio e cálculo de imposto em uma venda futura
Esse custo resulta da divisão do valor incorporado ao capital social pela quantidade de ações emitidas. É ele que deve ser utilizado no controle da carteira e na apuração de ganho ou prejuízo fiscal.
E no caso da Unit KLBN11
A Unit KLBN11 representa um “pacote” de ações:
1 ação ordinária (KLBN3)
4 ações preferenciais (KLBN4)
Totalizando 5 ações, o custo atribuído da Unit é:
5 × R$ 12,94 = R$ 64,72 por KLBN11
Esse é o valor correto a ser usado para ajustar o preço médio das Units recebidas na bonificação.
Por que o preço médio pode subir — e isso não é um problema
Ao lançar corretamente o custo atribuído, o investidor pode perceber que o preço médio da ação aumenta. Isso costuma assustar quem acompanha apenas a rentabilidade exibida na corretora, mas esse efeito não representa perda financeira real.
Na prática:
O investidor não desembolsou dinheiro para receber a bonificação
O capital efetivamente investido permanece o mesmo
O aumento do preço médio cria um prejuízo contábil, que pode ser usado para:
Compensar ganhos futuros
Reduzir ou eliminar o imposto sobre lucros em vendas posteriores
Quem lança as ações bonificadas a custo zero pode aparentar mais lucro no curto prazo, mas tende a pagar mais imposto no futuro, abrindo mão de um benefício fiscal legítimo.
Frações: quando o investidor recebe dinheiro em vez de ações
A bonificação exige quantidades múltiplas de 100 ações. Quem não atingir esse número receberá frações, que funcionam assim:
As frações são agrupadas pela empresa
Transformadas em ações inteiras
Vendidas em leilão na B3
O valor é depositado em dinheiro na conta da corretora
Exemplo:
Quem tem 60 ações tem direito a 0,6 ação. Quem tem 40 ações, a 0,4. Essas frações se unem, formam uma ação inteira, são vendidas e o valor é repartido proporcionalmente.
Como declarar as frações no Imposto de Renda
O dinheiro recebido pelas frações deve ser informado como:
Rendimentos Isentos e Não Tributáveis
Código 99 – Outros
Declarado no ano seguinte ao recebimento
Por isso, muitos investidores optam por ajustar a posição antes da data-com, comprando ações para fechar múltiplos de 100 e evitar frações, simplificando a declaração.
Entender a bonificação evita erros caros
A bonificação da Klabin deixa uma lição clara para o investidor:
O custo atribuído não é prejuízo, é regra contábil
Ver o preço médio subir não significa perder dinheiro
O ajuste correto pode gerar vantagem fiscal relevante no longo prazo
Ignorar esse detalhe pode resultar em imposto pago à toa ou perda de oportunidades de compensação. Em eventos societários como esse, conhecimento técnico vale tanto quanto receber novas ações.
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