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Início » Últimas Notícias » Paranapanema em crise: por que as ações sobem mesmo com prejuízo?
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Paranapanema em crise: por que as ações sobem mesmo com prejuízo?

Enquanto a Bolsa enfrenta fortes quedas após novas tarifas entre EUA e China, as ações da Paranapanema sobem abruptamente impulsionadas pelo aumento de participação de Luiz Barsi, mesmo com prejuízos bilionários e produção limitada.
Felipe AndradePor Felipe Andrade21 de novembro de 20253 minutos lidos
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As ações da Paranapanema (PMAN3) chamaram a atenção do mercado nas últimas semanas ao registrar uma das maiores altas da Bolsa brasileira. Mesmo em recuperação judicial e acumulando prejuízos bilionários, o papel passou de aproximadamente R$ 1,00 para R$ 2,70, alcançando uma valorização superior a 150% em pouco tempo.
Na data da gravação do conteúdo original, a ação era negociada a R$ 2,44, enquanto o Ibovespa seguia em queda por causa do impacto das novas tarifas entre Estados Unidos e China.

O movimento contrasta com o cenário global, especialmente após os EUA ampliarem tarifas sobre produtos chineses e o governo chinês retaliar com novas taxações. O mercado reage com aversão a risco: o S&P 500 caiu, o Nasdaq recuou mais de 2%, e o Ibovespa acumulou dias consecutivos de baixa. Porém, PMAN3 nadou contra a maré.

Efeito Barsi: o que motivou o “rali” das ações?

A alta explosiva ganhou força após o investidor Luiz Barsi, conhecido por sua estratégia focada em dividendos de longo prazo, comunicar à B3 o aumento de sua posição na Paranapanema. Ele passou de cerca de 3,6% para 5% de participação no capital social da companhia.

Esse movimento acendeu o entusiasmo dos investidores de varejo, gerando uma corrida especulativa. Entretanto, o próprio histórico da Paranapanema mostra que não há melhora fundamental que explique essa valorização rápida.

Fundamentos continuam frágeis: prejuízos, ociosidade e emissão de ações

A Paranapanema faz parte do setor industrial com atuação em cobre e ligas de cobre, possuindo unidades produtivas em:

  • Dias D’Ávila (Bahia) — principal planta, que já precisou paralisar operações por falta de recursos.

  • Santo André (SP) — unidade com melhor desempenho no momento.

  • Serra (ES) — produção menor.

Mesmo com a retomada parcial da Bahia, a capacidade produtiva segue limitada. A empresa depende de crédito para financiar operações básicas e relata dificuldades. Para sobreviver, precisou converter dívidas em ações, diluindo acionistas em quatro janelas de emissão só nos últimos meses.

Com isso, a companhia passou a ter aproximadamente 75 milhões de ações após grupamentos e novas emissões.

Indicadores financeiros preocupantes

  • Custos de produção +50% em um ano

  • Receita líquida -50% no mesmo período

  • EBITDA fortemente negativo

  • Prejuízo acumulado superior a R$ 8,5 bilhões

Risco elevado: euforia pode virar armadilha

É comum que ações de empresas em recuperação judicial passem por movimentos explosivos, seguidos de quedas igualmente agressivas. Exemplo recente foi o Banco de Brasília (BRB) após o anúncio de compra do Banco Master: a ação saltou de R$ 6,40 para R$ 24,50 e depois devolveu mais de 60% dessa alta.

Esses movimentos criam o chamado “modo eufórico” do mercado, atraindo investidores iniciantes que, muitas vezes, ficam presos em posições de alto risco.

Vale a pena investir em PMAN3?

Investidores como Luiz Barsi possuem carteiras diversificadas e patrimônio capaz de absorver perdas integrais em uma posição arriscada como PMAN3. Para a maioria dos pequenos investidores, o cenário é completamente diferente.

A Paranapanema tem potencial de recuperação se conseguir crédito, retomar plenamente suas operações e equilibrar dívidas. Porém, no momento, não há fundamentos sólidos para justificar alta contínua. O preço atual reflete mais especulação do que melhora real.

PMAN3 pode continuar apresentando movimentos expressivos, mas trata-se de um caso clássico de alto risco, baixa previsibilidade e dependência de sobrevivência financeira, mesmo com nomes fortes interessados no negócio.
Para quem investe sem estratégia e sem diversificação, a chance de prejuízo é significativa.

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ações em alta Luiz Barsi Paranapanema PMAN3 recuperação judicial
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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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