O Banco do Brasil (BBAS3) divulgará seus resultados nesta semana sob um clima de cautela no mercado. A expectativa é de um lucro fraco, impactado pela alta inadimplência no crédito rural e pelos efeitos da Selic elevada, que restringiu o crescimento econômico e reduziu margens. O cenário é desafiador, mas alguns analistas enxergam nas quedas recentes uma possível oportunidade de entrada de longo prazo.
O principal fator por trás da deterioração dos resultados é o desempenho do agronegócio. O setor, responsável por cerca de 25% do PIB brasileiro, atravessa um ciclo de baixa após anos de expansão. A desvalorização das commodities, os custos de produção elevados e a alta dos juros criaram um ambiente de forte pressão sobre produtores, que se endividaram nos anos de crédito barato e agora enfrentam dificuldades de pagamento.
Como maior financiador do agronegócio, o Banco do Brasil precisou reforçar suas provisões para devedores duvidosos — o que reduziu diretamente seu lucro líquido e a rentabilidade. Esse movimento levou à queda da margem líquida e do retorno sobre o patrimônio (ROE), que recuou para 8,7%, bem abaixo da média histórica superior a 14%.
Ações caem, mas seguem baratas em relação ao valor patrimonial
As ações do Banco do Brasil acumulam queda de aproximadamente 30% em 2025, negociadas atualmente em torno de R$ 22,74, bem abaixo das máximas registradas em dezembro de 2024. Mesmo com o cenário desafiador, os múltiplos permanecem atrativos: o P/L está em 8,27, e o P/VPA em 0,72, indicando que os papéis são negociados com desconto de cerca de 30% em relação ao valor patrimonial.
Esse nível de preço é comparável a momentos de crise como o impeachment de 2015 e a pandemia de 2020 — períodos que, historicamente, antecederam fortes recuperações do banco. Apesar da fraqueza momentânea, o histórico de resiliência do Banco do Brasil e o potencial de reversão do ciclo agrícola indicam que parte do pessimismo já está precificada.
Dividendos devem ser menores, mas banco continua sólido
Outro ponto de atenção é a política de dividendos. O banco, tradicional pagador de proventos, deve reduzir o payout para reforçar o caixa e atravessar o período de maior inadimplência. O dividend yield atual está próximo de 7,5%, abaixo da média histórica de 8,3%, mas ainda competitivo frente à Selic elevada.
A estratégia é considerada prudente: ao priorizar o fortalecimento do balanço agora, o Banco do Brasil preserva sua capacidade de retomada e de elevar os dividendos no futuro, assim que a inadimplência começar a recuar e o lucro líquido voltar a crescer.
Comparativo com Bradesco e Itaú: sinais de recuperação futura
O movimento lembra o que ocorreu recentemente com o Bradesco (BBDC3), que enfrentou forte crise de crédito em 2023, reestruturou suas operações e viu suas ações valorizarem mais de 40% nos últimos 12 meses.
Já o Itaú (ITUB3) segue como destaque do setor, reportando lucro de R$ 11,9 bilhões no trimestre e mantendo margens elevadas graças à eficiência operacional e ao uso de tecnologia para redução de custos.
Se o Banco do Brasil seguir o mesmo caminho de ajuste interno e a economia mostrar sinais de recuperação — com juros em queda e melhora do agronegócio —, há espaço para valorização no médio prazo.
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O momento é de cautela, mas também de oportunidade seletiva. Com ações negociadas abaixo do valor patrimonial, o Banco do Brasil oferece potencial de valorização para investidores de longo prazo que acreditam na recuperação do crédito agrícola e na retomada do lucro.
No curto prazo, o resultado trimestral deve confirmar a fase difícil e manter a volatilidade, mas o desconto atual já embute boa parte do pessimismo do mercado.
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