As ações da Embraer (EMBR3) acumulam alta de 33% em 2025 e 88% nos últimos 12 meses, refletindo o otimismo com os resultados operacionais e a crescente carteira de pedidos. Mesmo após a forte valorização, analistas ainda debatem se o papel tem fôlego para continuar subindo diante do cenário global desafiador.
No 3º trimestre de 2025, a fabricante brasileira revisou seu balanço, revertendo um prejuízo inicial de R$ 53 milhões para um lucro líquido ajustado de R$ 75 milhões, após correção contábil de contribuições e impostos. O resultado, que representa alta de 62% sobre o mesmo período de 2024, foi bem recebido pelo mercado e reforçou a percepção de que a Embraer mantém fundamentos sólidos.
Margens crescem e dívida líquida cai pela metade
O EBIT ajustado da Embraer atingiu R$ 1,3 bilhão, com margem de 13,5%, enquanto o EBIT reportado ficou em R$ 1 bilhão, com margem de 10,6%, superior aos 9,2% registrados um ano antes.
O desempenho operacional veio acompanhado de uma queda expressiva da dívida líquida, que passou de mais de R$ 7 bilhões em 2024 para R$ 3,7 bilhões em 2025. A alavancagem financeira caiu para 0,6 vez o EBITDA, nível considerado saudável e inferior à média histórica da companhia.
Esses números reforçam a disciplina financeira da empresa e a eficiência no controle de custos, mesmo em um ambiente de câmbio volátil e juros elevados.
Carteira recorde de pedidos impulsiona o otimismo
A Embraer registrou uma carteira de pedidos recorde, com aumento de 40% em relação a 2024.
Os destaques por segmento foram:
Defesa e segurança: +100%
Aviação executiva: +62%
Serviços e suporte: +55%
Aviação comercial: +16%
Com essa expansão, a companhia mantém visibilidade de receitas até 2026, apoiada em contratos de longo prazo e diversificação geográfica.
A previsão para 2025 segue robusta: 77 a 85 aeronaves comerciais e 145 a 155 jatos executivos devem ser entregues até dezembro, com forte demanda concentrada nos Estados Unidos e na Europa.
Tarifas dos EUA ainda pressionam margens
Embora tenha sido poupada das tarifas de 50% impostas pelo governo americano, a Embraer ainda enfrenta um encargo de 10% sobre componentes importados, o que reduz parte da margem operacional.
Como parte das suas aeronaves é montada nos EUA, a empresa absorve esse custo diretamente, impactando o lucro líquido.
Em teleconferência com investidores, a Embraer informou que negocia a redução dessa tarifa para 0%, com apoio de parceiros locais e de empresas que compram aeronaves da fabricante. A estratégia inclui uso de lobby legalizado nos Estados Unidos e a demonstração de impacto econômico positivo: a Embraer emprega mais de 3 mil pessoas diretamente e 13 mil indiretamente no país, além de planejar investir US$ 500 milhões em cinco anos em expansão de produção.
O contrato com o governo norte-americano para o KC-390 Millennium, avião militar de transporte, também é visto como uma carta estratégica, pois pode gerar 2.500 novos empregos e reforçar a posição da empresa nas negociações com Washington.
Guidance e projeções para 2025
A Embraer manteve seu guidance oficial para 2025, prevendo:
Receita líquida: entre US$ 7 e 7,5 bilhões, alta de até 14% frente a 2024
Margem EBIT: entre 7,5% e 8,3%
Fluxo de caixa livre: acima de US$ 200 milhões
O guidance considera o impacto das tarifas de 10%. Caso o governo americano reduza o encargo, as margens poderão ser revistas para cima, elevando a lucratividade e abrindo espaço para revisões positivas de preço-alvo pelas casas de análise.
Avaliação de mercado: ações próximas do preço justo
Com base em um modelo de fluxo de caixa descontado (DCF), o preço justo estimado das ações da Embraer está entre R$ 75 e R$ 76, enquanto o papel é negociado em torno de R$ 78.
Isso indica que a ação está levemente acima do valor intrínseco, o que sugere espaço limitado para ganhos no curto prazo — especialmente após a expressiva alta acumulada desde 2024.
Ainda assim, analistas destacam que a Embraer segue bem posicionada no setor global de aviação, com alto potencial de crescimento em defesa e jatos executivos, segmentos que apresentam margens superiores à média.
Cenário macro e perspectivas
A valorização recente da Embraer ocorre em um contexto de recuperação do setor aeronáutico global, dólar oscilando entre R$ 5,40 e R$ 5,60, e manutenção da Selic em 14,25% no Brasil.
O ambiente ainda é desafiador, mas favorece exportadoras como a Embraer, que têm receitas em dólar e custos majoritariamente em reais.
Se as negociações com os Estados Unidos avançarem e o fluxo de entregas seguir firme, a empresa poderá revisar seu guidance para cima em 2026, com novas contratações e possíveis revisões de dividendos.
Ainda vale investir em Embraer?
Mesmo após a alta de quase 90% em um ano, a Embraer continua apresentando fundamentos sólidos, margens crescentes e demanda internacional forte.
A eventual redução das tarifas americanas pode ser um gatilho relevante para novas valorizações. Por outro lado, a alta recente reduz a margem de segurança para novas entradas no curto prazo.
Para investidores de longo prazo, EMBR3 segue uma das melhores histórias industriais da Bolsa, com visão de crescimento sustentável, diversificação de receitas e forte presença global.
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