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Início » Últimas Notícias » Marcopolo (POMO4) cai após balanço do 3T25, mas segue barata e com forte potencial de alta em 2026
Ações

Marcopolo (POMO4) cai após balanço do 3T25, mas segue barata e com forte potencial de alta em 2026

Após lucro pressionado por efeitos contábeis e juros altos, ações da Marcopolo recuam, mas projeções indicam recuperação em 2026 com avanço internacional e fundamentos sólidos
André CarvalhoPor André Carvalho3 de novembro de 20254 minutos lidos
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POMO4
POMO4

A fabricante de ônibus Marcopolo (POMO4), listada na B3, divulgou recentemente seu balanço do terceiro trimestre de 2025, que ficou abaixo das expectativas do mercado. O resultado fraco provocou uma queda de cerca de 10% nas ações em dois dias, levando o papel a R$ 7,89.

O principal fator que decepcionou investidores foi a equivalência patrimonial negativa de R$ 63 milhões, revertendo um lucro de R$ 13 milhões obtido no mesmo período de 2024. O impacto veio, principalmente, da coligada canadense NFI, que apresentou prejuízo de R$ 71 milhões, e de um impairment contábil referente à aquisição da empresa britânica Alexander Dennis, feita em 2019.

Esses eventos reduziram o lucro líquido e pressionaram as margens. Ainda assim, o desempenho operacional da Marcopolo segue resiliente, sustentado pela forte presença internacional.

Lucro pressionado, mas receita e exportações crescem

Apesar dos impactos contábeis, a Marcopolo apresentou aumento de receita de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,5 bilhões no trimestre, impulsionada pelas exportações e pelo avanço de suas unidades no exterior. A receita internacional saltou de R$ 847 milhões para R$ 1,2 bilhão, com crescimento expressivo na África do Sul e Argentina, compensando quedas pontuais na Austrália e no México.

O Ebitda ajustado – desconsiderando os efeitos não recorrentes – atingiu R$ 491 milhões, com margem de 19%, acima dos 16% divulgados oficialmente. Isso indica que, ao excluir as distorções contábeis, o negócio central da empresa continua lucrativo e eficiente.

Alta da Selic e desaceleração doméstica pesam no curto prazo

A alta da Selic, mantida em torno de 15% ao ano, reduziu o ritmo de renovação de frotas no Brasil. O custo elevado do crédito fez transportadoras e operadoras adiarem investimentos em novos ônibus, o que afetou diretamente a principal fonte de receita da companhia.

Nos primeiros nove meses de 2025, a produção nacional de ônibus cresceu apenas 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No trimestre, houve queda de 10%, refletindo o desaquecimento do mercado doméstico.

Mesmo assim, corretoras como BTG Pactual e Bradesco BBI mantêm preços-alvo entre R$ 12 e R$ 13, apostando em recuperação gradual com o início dos cortes na Selic esperados para 2026.

Estrutura financeira sólida e diversificação global

A Marcopolo (POMO4) mantém dívida líquida praticamente nula, com índice dívida líquida/Ebitda de 0,1, e continua apresentando lucro líquido positivo de R$ 329 milhões. O resultado mostra capacidade de geração de caixa e solidez financeira mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.

O foco crescente nas operações internacionais também vem reduzindo a dependência do mercado brasileiro. Desde 2015, o lucro líquido da companhia saltou de R$ 89 milhões para R$ 1,2 bilhão, refletindo o sucesso da estratégia de diversificação geográfica e eficiência produtiva.

Além disso, a empresa segue entre as boas pagadoras de dividendos, com dividend yield próximo de 7,8% e histórico de distribuição constante de proventos, mesmo em períodos de volatilidade.

Comparativo setorial e valuation atrativo

Em relação a concorrentes como Randon (RAPT4), Vamos (VAMO3), Rumo (RAIL3) e Embraer (EMBR3), a Marcopolo é a small cap mais barata do setor, negociando a 7,5 vezes o lucro, com ROE elevado e forte histórico de rentabilidade.

Nos últimos dez anos, as ações da Marcopolo acumularam valorização de 579%, superando amplamente o Ibovespa (202%) e o CDI (143%). A solidez operacional e a baixa alavancagem reforçam o potencial de valorização quando os juros começarem a ceder.

IndicadorValor AtualPerspectiva 2026
Preço da ação (POMO4)R$ 7,89Potencial até R$ 12
P/L7,5Abaixo da média do setor
Dividend Yield7,8%Estável e atrativo
Dívida Líquida/Ebitda0,1Indicativo de caixa sólido

Cenário para 2026: oportunidade de longo prazo

O resultado do 3T25 trouxe frustração pontual ao mercado, mas a Marcopolo (POMO4) continua sendo uma empresa sólida, sem endividamento relevante e com forte presença internacional.

Analistas avaliam que, com a redução gradual da Selic a partir de 2026, a demanda interna deve se recuperar, o que pode destravar o valor das ações. Para investidores de longo prazo, a faixa entre R$ 7 e R$ 10 segue como zona de entrada atrativa, considerando a consistência dos fundamentos, a geração de caixa e o potencial de valorização futura.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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