A fabricante de ônibus Marcopolo (POMO4), listada na B3, divulgou recentemente seu balanço do terceiro trimestre de 2025, que ficou abaixo das expectativas do mercado. O resultado fraco provocou uma queda de cerca de 10% nas ações em dois dias, levando o papel a R$ 7,89.
O principal fator que decepcionou investidores foi a equivalência patrimonial negativa de R$ 63 milhões, revertendo um lucro de R$ 13 milhões obtido no mesmo período de 2024. O impacto veio, principalmente, da coligada canadense NFI, que apresentou prejuízo de R$ 71 milhões, e de um impairment contábil referente à aquisição da empresa britânica Alexander Dennis, feita em 2019.
Esses eventos reduziram o lucro líquido e pressionaram as margens. Ainda assim, o desempenho operacional da Marcopolo segue resiliente, sustentado pela forte presença internacional.
Lucro pressionado, mas receita e exportações crescem
Apesar dos impactos contábeis, a Marcopolo apresentou aumento de receita de R$ 2,3 bilhões para R$ 2,5 bilhões no trimestre, impulsionada pelas exportações e pelo avanço de suas unidades no exterior. A receita internacional saltou de R$ 847 milhões para R$ 1,2 bilhão, com crescimento expressivo na África do Sul e Argentina, compensando quedas pontuais na Austrália e no México.
O Ebitda ajustado – desconsiderando os efeitos não recorrentes – atingiu R$ 491 milhões, com margem de 19%, acima dos 16% divulgados oficialmente. Isso indica que, ao excluir as distorções contábeis, o negócio central da empresa continua lucrativo e eficiente.
Alta da Selic e desaceleração doméstica pesam no curto prazo
A alta da Selic, mantida em torno de 15% ao ano, reduziu o ritmo de renovação de frotas no Brasil. O custo elevado do crédito fez transportadoras e operadoras adiarem investimentos em novos ônibus, o que afetou diretamente a principal fonte de receita da companhia.
Nos primeiros nove meses de 2025, a produção nacional de ônibus cresceu apenas 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No trimestre, houve queda de 10%, refletindo o desaquecimento do mercado doméstico.
Mesmo assim, corretoras como BTG Pactual e Bradesco BBI mantêm preços-alvo entre R$ 12 e R$ 13, apostando em recuperação gradual com o início dos cortes na Selic esperados para 2026.
Estrutura financeira sólida e diversificação global
A Marcopolo (POMO4) mantém dívida líquida praticamente nula, com índice dívida líquida/Ebitda de 0,1, e continua apresentando lucro líquido positivo de R$ 329 milhões. O resultado mostra capacidade de geração de caixa e solidez financeira mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador.
O foco crescente nas operações internacionais também vem reduzindo a dependência do mercado brasileiro. Desde 2015, o lucro líquido da companhia saltou de R$ 89 milhões para R$ 1,2 bilhão, refletindo o sucesso da estratégia de diversificação geográfica e eficiência produtiva.
Além disso, a empresa segue entre as boas pagadoras de dividendos, com dividend yield próximo de 7,8% e histórico de distribuição constante de proventos, mesmo em períodos de volatilidade.
Comparativo setorial e valuation atrativo
Em relação a concorrentes como Randon (RAPT4), Vamos (VAMO3), Rumo (RAIL3) e Embraer (EMBR3), a Marcopolo é a small cap mais barata do setor, negociando a 7,5 vezes o lucro, com ROE elevado e forte histórico de rentabilidade.
Nos últimos dez anos, as ações da Marcopolo acumularam valorização de 579%, superando amplamente o Ibovespa (202%) e o CDI (143%). A solidez operacional e a baixa alavancagem reforçam o potencial de valorização quando os juros começarem a ceder.
| Indicador | Valor Atual | Perspectiva 2026 |
|---|---|---|
| Preço da ação (POMO4) | R$ 7,89 | Potencial até R$ 12 |
| P/L | 7,5 | Abaixo da média do setor |
| Dividend Yield | 7,8% | Estável e atrativo |
| Dívida Líquida/Ebitda | 0,1 | Indicativo de caixa sólido |
Cenário para 2026: oportunidade de longo prazo
O resultado do 3T25 trouxe frustração pontual ao mercado, mas a Marcopolo (POMO4) continua sendo uma empresa sólida, sem endividamento relevante e com forte presença internacional.
Analistas avaliam que, com a redução gradual da Selic a partir de 2026, a demanda interna deve se recuperar, o que pode destravar o valor das ações. Para investidores de longo prazo, a faixa entre R$ 7 e R$ 10 segue como zona de entrada atrativa, considerando a consistência dos fundamentos, a geração de caixa e o potencial de valorização futura.
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