A Raízen (RAIZ4), uma das maiores produtoras de etanol e açúcar do mundo, divulgou sua prévia operacional da safra atual, apontando uma moagem de 35 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no trimestre. O número representa um avanço em relação aos 33 milhões de toneladas processadas no mesmo período do ano passado, indicando um desempenho mais robusto na atividade industrial.
Segundo a companhia, o clima favorável no trimestre contribuiu para uma maior variação da colheita, embora o desempenho tenha sido parcialmente impactado por fatores adversos, como a redução da produtividade agrícola e a menor disponibilidade de cana, reflexos das queimadas e condições climáticas enfrentadas na safra passada.
A Raízen também destacou que parte da redução se deve à venda de 1,3 milhão de toneladas de cana, associada à alienação da usina Santa Elisa, movimento alinhado à estratégia de otimização do portfólio.
Queda nas vendas de açúcar e etanol afeta receitas
Mesmo com o aumento da moagem, a companhia registrou quedas relevantes em suas principais linhas de receita. As vendas de açúcar próprio caíram de 2,1 bilhões de toneladas para 1,5 bilhão, reflexo da menor disponibilidade de matéria-prima e da venda de ativos no segmento de bioenergia.
O etanol, tanto o convencional quanto o de segunda geração (E2G), apresentou comportamento misto. Enquanto o volume total de etanol vendido caiu, o etanol de segunda geração — uma das principais apostas tecnológicas da Raízen — quase triplicou de volume, reforçando o foco da empresa na transição energética e em soluções sustentáveis.
Distribuição de combustíveis segue em alta
Na divisão de distribuição de combustíveis, a Raízen registrou crescimento tanto no Brasil quanto na Argentina, com avanços proporcionais nos dois mercados. O desempenho reflete o aumento da demanda e a recuperação gradual do consumo, em especial no mercado brasileiro, onde o setor vem se beneficiando da estabilidade dos preços e da retomada do transporte de cargas.
Ações da Raízen tentam se afastar da mínima histórica
No mercado financeiro, as ações RAIZ4 chegaram a tocar mínima histórica de R$ 0,84, refletindo o pessimismo dos investidores diante do desempenho operacional recente e das margens pressionadas. Nos últimos dias, no entanto, o papel tem mostrado leve recuperação, embora ainda em tendência de baixa.
A próxima resistência relevante está na região de R$ 1,20, onde se encontra a média móvel de 72 períodos. Acima desse patamar, as faixas entre R$ 1,50 e R$ 1,60 representam barreiras técnicas mais fortes, correspondentes à média de 200 períodos e ao Volume At Price (VAP) anual.
Expectativa para o balanço completo
O mercado aguarda com expectativa a divulgação oficial dos resultados no dia 14, quando a companhia deve apresentar o desempenho financeiro consolidado da safra e o impacto dos movimentos recentes sobre suas margens.
Os analistas observarão com atenção os dados de rentabilidade, geração de caixa e avanço do etanol de segunda geração, que podem sinalizar o início de uma reversão estrutural para as ações da companhia, hoje entre as mais descontadas da Bolsa.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






