As ações da Taesa (TAEE11) continuam dividindo opiniões entre investidores e analistas. De um lado, há quem veja a companhia como um ativo essencial para quem busca renda passiva e estabilidade de longo prazo — um clássico “case de aposentadoria”. De outro, parte do mercado mantém recomendação neutra, avaliando que o papel ainda tem baixo potencial de valorização no curto prazo.
Em meio a essa divisão, o mercado volta as atenções para os novos leilões de transmissão de energia previstos para o fim de 2025, que devem definir o ritmo de expansão e os próximos passos da companhia nos próximos anos.
Lucro e desempenho operacional sob pressão
No primeiro trimestre de 2025, a Taesa registrou lucro líquido ligeiramente abaixo do obtido no mesmo período de 2024. Apesar disso, houve avanço modesto na receita líquida, EBITDA e margem EBITDA, demonstrando resiliência operacional mesmo com custos financeiros elevados e juros altos.
O mercado, porém, esperava resultados mais robustos. As projeções apontavam para um EBITDA superior ao reportado, e essa diferença entre expectativa e entrega acabou limitando a reação positiva das ações na Bolsa.
Essa discrepância reforça a dificuldade da empresa em mostrar crescimento expressivo, fator que pesa sobre a recomendação de compra por parte de algumas casas de análise.
Endividamento elevado e alavancagem crescente
Outro ponto de atenção é o crescimento da dívida da Taesa, que aumentou cerca de 5% no trimestre e 11% no longo prazo. O índice de dívida líquida/EBITDA chegou a 4,1 vezes, um patamar considerado alto, especialmente em um ambiente de Selic próxima a 14,25% ao ano.
Na prática, isso significa que a companhia precisaria de mais de quatro anos de geração de caixa operacional para quitar toda a dívida. Apesar disso, a Taesa mantém fluxo de caixa estável e previsível, o que confere segurança a investidores de perfil conservador.
Concessões próximas do fim e novos leilões em 2025
Entre 2030 e 2032, várias concessões da Taesa chegarão ao fim. O desafio é substituir essas receitas com novos contratos, garantindo continuidade e rentabilidade.
Nos últimos leilões, a empresa arrematou poucos lotes, e as receitas anuais permitidas foram menores do que as concessões que estão prestes a vencer — um ponto que preocupa parte dos analistas.
Agora, a companhia se prepara para novos leilões de transmissão previstos para o final de 2025, com investimentos estimados em R$ 8 bilhões. A expectativa é que a Taesa participe sozinha, sem parcerias, o que pode aumentar o retorno sobre o capital investido, mas também eleva o risco financeiro.
Segundo a gestão, há confiança em uma redução gradual da alavancagem, com previsão de queda da relação dívida/EBITDA para cerca de 3 vezes até 2026, impulsionada por um crescimento estimado de R$ 400 milhões na receita anualizada.
Dividendos seguem consistentes
Mesmo com os desafios operacionais, a Taesa mantém seu compromisso com a distribuição de dividendos, o que continua sendo o grande atrativo para investidores de longo prazo.
Em março e maio, a empresa pagou R$ 0,55 por ação, mantendo a média histórica de proventos.
Nos últimos 12 meses, as ações da Taesa subiram cerca de 9%, incluindo dividendos, reforçando o caráter defensivo da companhia e a previsibilidade do setor de transmissão — um dos mais estáveis da Bolsa.
Estratégia e perspectivas
De acordo com analistas, a Taesa ainda não figura entre as ações mais baratas nem nas carteiras de maior crescimento de dividendos, principalmente pela estagnação dos lucros no comparativo anual.
Ainda assim, é vista como uma empresa sólida e resiliente, com um modelo de negócios que prioriza estabilidade e geração de caixa previsível, características valorizadas em tempos de incerteza econômica.
A expectativa agora se concentra nos leilões de transmissão do fim de 2025, que podem redefinir o potencial de crescimento da companhia e abrir espaço para uma nova fase de valorização — especialmente se conseguir controlar a dívida e renovar concessões com margens atrativas.
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