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Início » Últimas Notícias » Tesouro Direto ou fundos imobiliários: qual investimento vale mais com juros elevados?
Fundos Imobiliários

Tesouro Direto ou fundos imobiliários: qual investimento vale mais com juros elevados?

Títulos públicos oferecem proteção contra a inflação e taxas elevadas enquanto FIIs negociados com desconto podem gerar renda mensal e valorização no longo prazo
André CarvalhoPor André Carvalho17 de junho de 20264 minutos lidos
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A redução da Selic para 14,50% ao ano, anunciada pelo Banco Central em 29 de abril de 2026, manteve a renda fixa entre os investimentos mais competitivos do mercado. Nesse cenário, cresceu a procura por títulos públicos, especialmente o Tesouro IPCA+, enquanto parte dos fundos imobiliários continuou negociada abaixo do valor patrimonial.

A dúvida dos investidores é direta: vale vender fundos imobiliários para aplicar todo o dinheiro no Tesouro Direto?

Apesar da elevada rentabilidade da renda fixa, a decisão não deveria ser baseada apenas na taxa exibida no momento da aplicação. Tesouro Direto e fundos imobiliários possuem objetivos, riscos, tributação e formas de pagamento diferentes.

Quanto pode render o Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ entrega a inflação medida pelo IPCA acrescida de uma taxa fixa. Caso um título ofereça, por exemplo, IPCA mais 8% ao ano e a inflação acumulada fique em 5%, o retorno bruto aproximado seria de 13,40% no período, pois os dois componentes são calculados de forma composta.

Em uma aplicação hipotética de R$ 10 mil, esse retorno produziria cerca de R$ 1.340 brutos em um ano. O valor líquido dependeria do prazo e da alíquota de Imposto de Renda.

Prazo da aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,50%
De 181 a 360 dias20,00%
De 361 a 720 dias17,50%
Acima de 720 dias15,00%

Considerando a menor alíquota, de 15%, o ganho líquido hipotético cairia de R$ 1.340 para aproximadamente R$ 1.139, sem considerar taxas e eventuais diferenças no período de inflação.

As taxas dos títulos mudam durante o dia conforme as condições do mercado. O próprio Tesouro Direto mantém páginas de acompanhamento de preços, taxas e rentabilidade histórica.

Venda antecipada pode causar prejuízo

O investidor que mantém o Tesouro IPCA+ até o vencimento recebe a rentabilidade definida na compra. Entretanto, quem vende antecipadamente fica sujeito à marcação a mercado.

Se os juros futuros caírem, um título comprado com taxa maior tende a se valorizar. Se os juros subirem, o preço do título pode cair. Assim, mesmo sendo um título público, o Tesouro IPCA+ pode apresentar saldo negativo temporário.

Por esse motivo, títulos de longo prazo não são indicados para dinheiro que poderá ser necessário em poucos meses. O Tesouro Selic costuma ser mais compatível com objetivos de curto prazo e reservas financeiras.

Fundos imobiliários ainda podem entregar mais de 1% ao mês

Os juros elevados pressionam os preços dos fundos imobiliários porque aumentam a concorrência da renda fixa. Essa queda, porém, pode fazer bons fundos serem negociados abaixo do valor patrimonial.

O GGRC11, fundo com foco em imóveis industriais e logísticos, distribuiu recentemente R$ 0,10 por cota. Considerando a cotação de referência de R$ 10,03, o rendimento mensal ficou próximo de 1%, equivalente a aproximadamente 12% ao ano sem reinvestimento. O fundo registrava P/VP próximo de 0,90, indicando negociação abaixo do valor patrimonial.

No MCCI11, fundo de recebíveis imobiliários, o pagamento recente foi de R$ 1 por cota. Sobre a cotação de R$ 94,67 utilizada no anúncio, o dividend yield mensal ficou em aproximadamente 1,06%. A gestora informa que o fundo concentra sua estratégia na aquisição de Certificados de Recebíveis Imobiliários.

Indicador de referênciaGGRC11MCCI11
SegmentoImóveis logísticos e industriaisRecebíveis imobiliários
Rendimento recente por cotaR$ 0,10R$ 1,00
Cotação de referênciaR$ 10,03R$ 94,67
Yield mensal aproximado1,00%1,06%
Rendimento anual simples estimado11,96%12,68%

Os rendimentos distribuídos por FIIs podem ser isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas quando as condições legais são atendidas. Já o ganho obtido na venda de cotas com lucro é tributado.

Comparação mostra vantagens e riscos diferentes

CritérioTesouro IPCA+Fundos imobiliários
RetornoInflação mais taxa contratadaRendimentos e valorização das cotas
Renda mensalNão no título tradicionalGeralmente mensal
ImpostoIR regressivoRendimentos podem ser isentos
OscilaçãoPode ser forte antes do vencimentoCotação varia diariamente
Principal riscoVenda antecipada com perdaVacância, crédito e desvalorização
GarantiaTesouro NacionalPatrimônio e contratos do fundo

Afinal, qual vale mais?

O Tesouro IPCA+ pode ser mais adequado para quem busca proteção contra a inflação, previsibilidade no vencimento e menor risco de crédito. Os fundos imobiliários podem interessar a quem procura renda mensal, aceita oscilações e pretende investir no longo prazo.

Com juros elevados, concentrar todo o patrimônio em FIIs aumenta o risco. Entretanto, vender fundos descontados apenas para acompanhar a renda fixa do momento também pode consolidar prejuízos.

A estratégia mais equilibrada tende a combinar as duas classes: títulos públicos para segurança e objetivos definidos, e fundos imobiliários de qualidade para renda recorrente e potencial de valorização. A proporção depende do prazo, da necessidade de liquidez e da tolerância ao risco de cada investidor.

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André Carvalho
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André Luís Carvalho é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), fundador e editor-chefe da A Revista, com mais de dez anos de experiência em jornalismo digital. Coordena a cobertura de ações, dividendos, fundos imobiliários, renda fixa, petróleo, economia e mercados. Na direção editorial, orienta a apuração em documentos primários, a contextualização de riscos e a separação entre fatos, projeções e opiniões. Conteúdos informativos não constituem recomendação individual de investimento.

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