A revolução da inteligência artificial está acelerando e pode transformar profundamente o mercado de trabalho britânico. Um relatório da Fundação Nacional para Pesquisa Educacional (NFER) revelou que até 3 milhões de empregos de baixa qualificação podem desaparecer no Reino Unido nos próximos 12 anos, como resultado direto da automação e da adoção massiva de tecnologias baseadas em IA.
Funções vulneráveis: varejo, máquinas e tarefas administrativas
Os setores mais afetados, segundo o estudo, incluem varejo, operação de máquinas e funções administrativas repetitivas — áreas que concentram uma significativa parcela da força de trabalho britânica. A automação promete ganhos de produtividade, mas impõe um risco elevado para ocupações com baixa exigência técnica e que podem ser substituídas por sistemas inteligentes.
O relatório, no entanto, oferece uma visão menos apocalíptica do que outras projeções. Estima-se que, apesar da extinção de milhões de vagas, mais de 2 milhões de novos empregos poderão surgir até 2035, especialmente em áreas que exigem alta qualificação, criatividade e interação humana complexa.
Demanda por profissionais qualificados deve crescer
Paradoxalmente, o avanço da IA tende a impulsionar a demanda por profissionais altamente qualificados. Com o aumento da produtividade e complexidade dos sistemas, será necessário um número maior de especialistas em ciência de dados, engenharia, saúde, educação e tecnologia. A NFER aponta que esse movimento pode até gerar um aumento na carga de trabalho em determinados setores, pelo menos no curto e médio prazo.
Ainda assim, o crescimento da oferta de empregos não deve ser homogêneo. O relatório alerta para desigualdades regionais e setoriais, com alguns locais enfrentando desafios maiores para reconversão profissional.
IA ameaça até profissões antes consideradas seguras
As previsões da NFER contrastam com pesquisas recentes que sugerem que a IA também ameaça cargos de alta complexidade, como engenheiros de software, analistas financeiros e consultores de gestão. Até personal trainers, antes considerados fora do alcance da automação, já estão sendo impactados.
Robôs personal trainers já são realidade
Um exemplo claro dessa tendência é o robô Atom, apresentado pela empresa Bari Park, de Hong Kong. Leve e portátil, o Atom pesa apenas 155g e utiliza inteligência artificial para funcionar como um personal trainer doméstico. Equipado com câmera ultra grande angular, sensores de movimento e reconhecimento postural, o robô pode avaliar os exercícios do usuário com 96% de precisão, oferecendo feedback de voz em tempo real.
O dispositivo identifica 34 pontos esqueléticos do corpo durante o treino e compara os movimentos com um modelo ideal, corrigindo posturas e prevenindo lesões. Com um chatbot integrado, o Atom também cria planos de treino personalizados, adaptados aos objetivos de cada pessoa.
A versão básica do produto será gratuita, mas os recursos mais avançados exigirão uma assinatura paga. No Kickstarter, o preço promocional para apoiadores é de US$ 139 (aproximadamente R$ 800), com previsão de entrega das primeiras unidades para fevereiro de 2026.
O futuro do trabalho: risco e reinvenção
O avanço da inteligência artificial representa um desafio duplo: de um lado, milhões de empregos estão sob risco; de outro, novas possibilidades surgem para quem se adapta. O relatório da NFER reforça a necessidade de políticas públicas para requalificação profissional, especialmente para populações vulneráveis, além de investimentos em educação tecnológica e digital.
A grande questão que fica é: quem estará preparado para conviver, colaborar ou até competir com as máquinas?
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