Depois de uma longa espera, a Yamaha Ténéré 700, também conhecida como T7, chegou ao mercado brasileiro carregando uma das propostas mais tradicionais do segmento adventure: privilegiar a condução fora do asfalto sem transformar a motocicleta em uma touring pesada e excessivamente equipada.
O modelo traz visual inspirado nas motocicletas de rali, conjunto óptico com quatro projetores de LED e uma carroceria estreita pensada para facilitar o controle da moto em pé. A proposta fica evidente também nas pedaleiras largas, no protetor de cárter de alumínio e nas rodas raiadas.
A T7 pesa 208 kg em ordem de marcha e possui tanque para 16,2 litros de gasolina, enquanto o banco fica a elevados 875 mm do solo.
Motor CP2 entrega 68,9 cv
Um dos principais argumentos da Ténéré 700 está no conhecido motor bicilíndrico CP2 de 689 cm³, refrigerado a líquido.
Na configuração brasileira, o conjunto entrega 68,9 cv de potência e torque de aproximadamente 6,6 kgfm a 6.500 rpm, trabalhando com câmbio de seis marchas e transmissão final por corrente.
A versão nacional possui potência inferior à configuração comercializada em alguns mercados externos, diferença relacionada às exigências brasileiras de emissões e ruído.
Apesar dos números não serem os maiores entre as big trails, a combinação entre torque, dimensões estreitas e proposta aventureira ajuda a explicar por que a motocicleta ganhou fama internacional.
Suspensão de 200 mm reforça proposta para terra

É longe do asfalto que a Ténéré 700 apresenta alguns de seus maiores diferenciais.
Na dianteira, há garfo invertido KYB com 200 mm de curso e ajustes, enquanto a traseira utiliza sistema Monocross, também com 200 mm, reservatório separado e regulagens.
O conjunto de rodas segue a receita clássica do segmento: aro 21 na dianteira e 18 na traseira, com pneus de uso misto. As rodas raiadas utilizam câmara de ar.
Nos freios, são dois discos de 282 mm na dianteira e disco de 245 mm atrás, acompanhados por pinças Brembo e ABS. O sistema permite configurações específicas para uso fora de estrada, incluindo desativação do ABS conforme a situação.
Painel TFT e conectividade ampliam equipamentos

Apesar da proposta essencialmente aventureira, a T7 não ignora a tecnologia.
O painel TFT vertical de 6,3 polegadas oferece diferentes modos de visualização e exibe velocímetro, conta-giros, marcha engatada, combustível, temperatura e dados do computador de bordo.
Também existe conectividade com smartphone, permitindo acessar recursos como navegação curva a curva, músicas e informações de chamadas pelo sistema da Yamaha.
Controle de tração e acelerador eletrônico completam o pacote.
Ténéré 700 surpreende na cidade, mas estrada revela limitações
Embora tenha sido projetada principalmente para aventuras, a motocicleta se mostrou estreita e ágil em deslocamentos urbanos, característica favorecida pela posição elevada de pilotagem e pela carroceria compacta.
O cenário muda em viagens prolongadas.
A bolha dianteira baixa oferece proteção limitada contra o vento, enquanto o banco estreito e firme, pensado para facilitar os movimentos no off-road, pode se tornar cansativo depois de dezenas de quilômetros.
A ausência de piloto automático também pode pesar para quem precisa percorrer longas distâncias de rodovia antes de alcançar estradas de terra.
Consumo ficou próximo de 18 km/l
No uso misto descrito no material analisado, envolvendo cidade, estrada e condução mais intensa, a Ténéré 700 registrou aproximadamente 18 km/l.
Em ritmo mais tranquilo, o consumo chegou perto de 20 km/l, enquanto acelerações mais fortes reduziram significativamente a eficiência.
Com tanque de 16,2 litros, a autonomia real dependerá bastante do estilo de condução.
Vale a pena comprar a Yamaha Ténéré 700?
A T7 faz mais sentido para quem realmente pretende sair do asfalto.
Suspensão de longo curso, roda dianteira de 21 polegadas, posição de pilotagem em pé, motor CP2 e construção relativamente simples formam um conjunto especialmente atraente para estradas de terra e viagens de aventura.
Por outro lado, quem prioriza longas viagens exclusivamente por rodovias deve considerar limitações como banco firme, proteção aerodinâmica reduzida e ausência de piloto automático.
A própria proposta deixa isso claro: a Ténéré 700 não tenta ser a adventure mais luxuosa ou tecnológica do segmento. Seu principal argumento é oferecer uma motocicleta criada para quem ainda coloca a terra no centro da viagem.
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