O Banco Central estuda ampliar o alcance do Pix para além das fronteiras brasileiras, conectando o sistema a plataformas de pagamentos instantâneos de outros países. A iniciativa poderá abrir caminho para transferências internacionais, pagamentos de compras no exterior e operações entre empresas de diferentes mercados.
A possibilidade faz parte da agenda de evolução do sistema e foi reforçada pelo Banco Central no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado em agosto. O documento apresenta os próximos passos planejados para uma infraestrutura que já se tornou uma das principais formas de pagamento utilizadas pelos brasileiros.
Apesar do avanço dos estudos, a integração internacional do Pix ainda não está disponível ao público e não há uma data oficial anunciada para lançamento.
Pix internacional poderá facilitar pagamentos entre países
Segundo o Banco Central, um dos caminhos avaliados para o futuro é a integração do Pix com sistemas internacionais de pagamentos instantâneos.
Na prática, uma estrutura desse tipo poderia viabilizar operações como:
- envio de dinheiro do Brasil para outros países;
- recebimento de remessas internacionais;
- pagamentos entre empresas brasileiras e estrangeiras;
- compras de produtos e serviços no exterior;
- pagamentos de brasileiros durante viagens internacionais.
O próprio BC afirma que acompanha iniciativas desenvolvidas em diferentes partes do mundo para avaliar modelos de interoperabilidade.
A expectativa é que sistemas conectados possam reduzir algumas das dificuldades existentes atualmente nas transferências internacionais, embora custos, câmbio, regras de cada país e modelos operacionais ainda dependam da solução que eventualmente venha a ser adotada.
Banco Central monitora soluções de Pix no exterior
Empresas brasileiras e estrangeiras já oferecem serviços que permitem ao consumidor utilizar uma experiência semelhante ao Pix em algumas operações internacionais.
Essas soluções, porém, não representam uma conexão direta oficial entre o Pix brasileiro e os sistemas de pagamentos instantâneos de outros bancos centrais.
O Banco Central acompanha o desenvolvimento desse mercado enquanto estuda modelos que poderão permitir uma integração mais ampla no futuro.
No relatório sobre a evolução do sistema, a autoridade monetária afirma que o Pix poderá ser integrado a infraestruturas internacionais para permitir transações transfronteiriças envolvendo remessas, pagamentos empresariais e compras de bens e serviços.
Pix já movimenta trilhões de reais por ano
O projeto de internacionalização surge em um momento de forte consolidação do Pix no Brasil.
De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, quase 80 bilhões de transações foram realizadas em 2025, movimentando mais de R$ 35 trilhões.
O sistema também alcançou centenas de milhões de chaves cadastradas e passou a ocupar uma posição central no mercado brasileiro de pagamentos.
Esse crescimento ajuda a explicar por que o BC passou a considerar formas de ampliar a interoperabilidade da infraestrutura brasileira com outros mercados.
Pagamentos offline também estão no radar
A internacionalização não é a única novidade estudada.
O Banco Central também avalia formas de permitir pagamentos com Pix em determinadas situações sem conexão ativa com a internet.
O desenvolvimento pode envolver tecnologias capazes de iniciar uma transação mesmo quando o usuário estiver temporariamente desconectado.
O objetivo é ampliar os locais e situações em que o Pix pode substituir dinheiro, cartões ou outros instrumentos de pagamento.
O BC também vem estudando tecnologias como NFC, RFID, Bluetooth e biometria para tornar a experiência de pagamento mais simples.
Pix por aproximação já representa outra etapa da evolução
Parte dessa transformação já começou.
O Pix por aproximação permite que consumidores utilizem celulares compatíveis para iniciar pagamentos aproximando o aparelho de um terminal habilitado.
A funcionalidade utiliza tecnologia NFC e pode funcionar por meio de carteiras digitais ou aplicativos de instituições financeiras participantes.
Ainda assim, a modalidade atualmente depende de conectividade para concluir a comunicação entre as instituições envolvidas.
A possibilidade de um Pix offline representaria uma etapa adicional na evolução dessa experiência.
Pix Automático amplia uso em pagamentos recorrentes
Outra frente importante é o Pix Automático, criado para pagamentos recorrentes previamente autorizados.
A solução pode ser utilizada para cobranças periódicas como mensalidades, contas de serviços, assinaturas, seguros e outros pagamentos recorrentes.
O mecanismo amplia a concorrência com modalidades tradicionais, como débito automático e cartão de crédito.
Quando o Pix internacional será lançado?
O Banco Central ainda não definiu publicamente uma data para que brasileiros possam realizar transferências diretamente entre o Pix e sistemas de pagamentos instantâneos estrangeiros.
O tema aparece como uma possibilidade de desenvolvimento futuro dentro da agenda evolutiva do sistema.
Isso significa que a tecnologia poderá avançar, mas ainda serão necessários estudos técnicos, acordos de interoperabilidade, regras cambiais, mecanismos de segurança e coordenação com autoridades e infraestruturas estrangeiras.
Até que essas etapas sejam concluídas, transferências internacionais continuarão dependendo das soluções disponíveis no mercado.
Quer saber tudo
o que está acontecendo?
Receba todas as notícias da A Revista no seu WhatsApp.
Entre em nosso grupo e fique bem informado.






