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Início » Últimas Notícias » Ouro reage após decisão do Fed e desafia pressão dos juros nos EUA
Mercados

Ouro reage após decisão do Fed e desafia pressão dos juros nos EUA

Ouro ganha força mesmo após alta dos juros pelo Fed, enquanto dólar, petróleo e títulos americanos mudam o cenário para investidores.
Felipe AndradePor Felipe Andrade17 de setembro de 20264 minutos lidos
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O ouro voltou ao centro das atenções dos mercados nesta quinta-feira, 17 de setembro, ao registrar forte recuperação mesmo depois de o Federal Reserve elevar os juros dos Estados Unidos.

O movimento chamou atenção porque taxas mais altas normalmente representam um obstáculo para o metal precioso, que não oferece rendimento periódico. Desta vez, porém, a combinação de dólar mais fraco, queda dos rendimentos dos Treasuries e recuo do petróleo abriu espaço para uma valorização superior a 2% durante a sessão.

O ouro à vista chegou à região de US$ 4.360 por onça, recuperando parte das perdas recentes após tocar níveis próximos das mínimas de seis semanas.

Ouro sobe mesmo com Fed indicando juros mais altos

Na quarta-feira, o Federal Reserve elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, levando o intervalo dos Fed Funds para 3,75% a 4,00%.

Foi a primeira alta dos juros americanos em mais de três anos. A decisão foi acompanhada por um sinal de que novos ajustes ainda podem ocorrer, já que 16 dos 18 integrantes do Fed projetam pelo menos mais uma elevação até o fim de 2026.

Em condições normais, esse cenário tende a pressionar o ouro. Juros maiores aumentam a atratividade dos títulos públicos americanos, que oferecem remuneração ao investidor.

O pregão desta quinta-feira, entretanto, apresentou uma dinâmica diferente.

IndicadorReferência em 17 de setembro
Ouro à vistacerca de US$ 4.360/onça
Alta intradiária do ouroacima de 2%
Juros do Fed3,75% a 4,00%
Treasury de 10 anosperto de 5%
Prataalta superior a 4%
Petróleo WTIqueda próxima de 2%

Dólar e Treasuries ajudam a explicar movimento

Dois fatores contribuíram para sustentar o metal.

O primeiro foi o enfraquecimento do dólar ao longo do dia. Como o ouro é negociado internacionalmente na moeda americana, um dólar menos valorizado reduz o custo do metal para compradores que utilizam outras moedas.

O segundo foi a queda dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos.

O Treasury de dez anos chegou recentemente a superar a marca de 5%, mas voltou para perto desse nível nesta quinta-feira. A redução dos rendimentos diminui o custo de oportunidade de carregar ouro, favorecendo o metal.

Essa combinação ajuda a explicar por que a commodity conseguiu avançar apesar da postura mais firme do banco central americano.

Queda do petróleo reduz pressão sobre inflação

Outro elemento importante veio do mercado de energia.

O petróleo recuou depois de semanas marcadas por preços elevados e preocupações relacionadas à inflação. A queda da commodity reduziu parte do temor de que custos de energia ainda maiores obrigassem o Fed a acelerar o aperto monetário.

Segundo a Reuters, o alívio no petróleo, a fraqueza do dólar e o recuo dos juros longos contribuíram diretamente para a recuperação do ouro.

O ambiente também favoreceu outros metais preciosos. A prata avançou mais de 4%, enquanto platina e paládio registraram ganhos durante o pregão.

Por que a reação do ouro importa para o investidor

O comportamento do ouro mostra que o mercado não está reagindo apenas à taxa básica definida pelo Fed.

Investidores também acompanham juros reais, inflação, dólar, dívida pública americana, riscos geopolíticos e expectativas sobre o ritmo futuro do aperto monetário.

Esse conjunto de forças pode provocar movimentos aparentemente contraditórios, como a valorização do ouro em um dia de juros elevados.

Ainda assim, o cenário permanece sensível. Caso os rendimentos dos Treasuries voltem a subir de maneira consistente ou o dólar retome força, o metal pode enfrentar nova pressão.

Por outro lado, qualquer redução das expectativas de inflação ou percepção de que o ciclo de alta dos juros será limitado pode continuar dando suporte ao ouro.

Ouro entra em nova disputa entre juros e proteção

A valorização desta quinta-feira não significa que a pressão dos juros desapareceu.

O Fed deixou claro que a inflação continua sendo uma preocupação e que novas altas podem ocorrer. Ao mesmo tempo, o recuo do dólar, dos juros longos e do petróleo criou uma combinação favorável ao ouro no curto prazo.

Para o investidor, o ponto principal agora será observar se essa recuperação conseguirá se sustentar ou se representa apenas uma reação técnica após as perdas recentes.

Com o ouro ainda negociado em níveis historicamente elevados, mudanças no discurso do Fed, na inflação americana e nos rendimentos dos Treasuries devem continuar provocando forte volatilidade no metal.

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Felipe Andrade
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Felipe Andrade é analista de investimentos e colunista de mercado, com experiência em renda variável e mercados globais. Na A Revista, acompanha ações, empresas, petróleo, energia, commodities e mercados internacionais. Analisa resultados e documentos das companhias, contextualiza riscos e diferencia dados de expectativas.

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