O ouro voltou ao centro das atenções dos mercados nesta quinta-feira, 17 de setembro, ao registrar forte recuperação mesmo depois de o Federal Reserve elevar os juros dos Estados Unidos.
O movimento chamou atenção porque taxas mais altas normalmente representam um obstáculo para o metal precioso, que não oferece rendimento periódico. Desta vez, porém, a combinação de dólar mais fraco, queda dos rendimentos dos Treasuries e recuo do petróleo abriu espaço para uma valorização superior a 2% durante a sessão.
O ouro à vista chegou à região de US$ 4.360 por onça, recuperando parte das perdas recentes após tocar níveis próximos das mínimas de seis semanas.
Ouro sobe mesmo com Fed indicando juros mais altos
Na quarta-feira, o Federal Reserve elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, levando o intervalo dos Fed Funds para 3,75% a 4,00%.
Foi a primeira alta dos juros americanos em mais de três anos. A decisão foi acompanhada por um sinal de que novos ajustes ainda podem ocorrer, já que 16 dos 18 integrantes do Fed projetam pelo menos mais uma elevação até o fim de 2026.
Em condições normais, esse cenário tende a pressionar o ouro. Juros maiores aumentam a atratividade dos títulos públicos americanos, que oferecem remuneração ao investidor.
O pregão desta quinta-feira, entretanto, apresentou uma dinâmica diferente.
| Indicador | Referência em 17 de setembro |
|---|---|
| Ouro à vista | cerca de US$ 4.360/onça |
| Alta intradiária do ouro | acima de 2% |
| Juros do Fed | 3,75% a 4,00% |
| Treasury de 10 anos | perto de 5% |
| Prata | alta superior a 4% |
| Petróleo WTI | queda próxima de 2% |

Dólar e Treasuries ajudam a explicar movimento
Dois fatores contribuíram para sustentar o metal.
O primeiro foi o enfraquecimento do dólar ao longo do dia. Como o ouro é negociado internacionalmente na moeda americana, um dólar menos valorizado reduz o custo do metal para compradores que utilizam outras moedas.
O segundo foi a queda dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos.
O Treasury de dez anos chegou recentemente a superar a marca de 5%, mas voltou para perto desse nível nesta quinta-feira. A redução dos rendimentos diminui o custo de oportunidade de carregar ouro, favorecendo o metal.
Essa combinação ajuda a explicar por que a commodity conseguiu avançar apesar da postura mais firme do banco central americano.
Queda do petróleo reduz pressão sobre inflação
Outro elemento importante veio do mercado de energia.
O petróleo recuou depois de semanas marcadas por preços elevados e preocupações relacionadas à inflação. A queda da commodity reduziu parte do temor de que custos de energia ainda maiores obrigassem o Fed a acelerar o aperto monetário.
Segundo a Reuters, o alívio no petróleo, a fraqueza do dólar e o recuo dos juros longos contribuíram diretamente para a recuperação do ouro.
O ambiente também favoreceu outros metais preciosos. A prata avançou mais de 4%, enquanto platina e paládio registraram ganhos durante o pregão.
Por que a reação do ouro importa para o investidor
O comportamento do ouro mostra que o mercado não está reagindo apenas à taxa básica definida pelo Fed.
Investidores também acompanham juros reais, inflação, dólar, dívida pública americana, riscos geopolíticos e expectativas sobre o ritmo futuro do aperto monetário.
Esse conjunto de forças pode provocar movimentos aparentemente contraditórios, como a valorização do ouro em um dia de juros elevados.
Ainda assim, o cenário permanece sensível. Caso os rendimentos dos Treasuries voltem a subir de maneira consistente ou o dólar retome força, o metal pode enfrentar nova pressão.
Por outro lado, qualquer redução das expectativas de inflação ou percepção de que o ciclo de alta dos juros será limitado pode continuar dando suporte ao ouro.

Ouro entra em nova disputa entre juros e proteção
A valorização desta quinta-feira não significa que a pressão dos juros desapareceu.
O Fed deixou claro que a inflação continua sendo uma preocupação e que novas altas podem ocorrer. Ao mesmo tempo, o recuo do dólar, dos juros longos e do petróleo criou uma combinação favorável ao ouro no curto prazo.
Para o investidor, o ponto principal agora será observar se essa recuperação conseguirá se sustentar ou se representa apenas uma reação técnica após as perdas recentes.
Com o ouro ainda negociado em níveis historicamente elevados, mudanças no discurso do Fed, na inflação americana e nos rendimentos dos Treasuries devem continuar provocando forte volatilidade no metal.
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